verdade-by-c-gurtner.jpgQuando crianças, na escola, nos mostram que o professor está certo, o aluno, quando contrário ao professor, errado. Em seguida, saímos da escola, da universidade. Lembramos de certos ensinamentos do professor e dizemos com toda a certeza: “ele estava errado”

Mas a verdade absoluta sempre pertenceu aos nossos pais. Os seres inatingíveis, imortais, puros e perfeitos. Seres que sabem todos os segredos do céu e da terra e são os mais fortes e mais capacitados em tudo.

Mas crescemos. Aí descobrimos que as rugas de nossos pais aumentaram e eles também estão com suas passagens reservadas para a outra vida. Descobrimos que eles têm defeitos, às vezes, tantos quanto nós. Descobrimos que eles choram, descobrimos que eles não são tão puros assim (Você sabia que sua mãe não é mais virgem?). E finalmente vemos que eles não sabem tudo, e com isso perdem o título de donos da verdade. E é aí que começa a grande e confusa busca pela verdade de verdade!

É a parte mais difícil. Não temos alguém de extrema confiança e muito menos temos ainda aquela ingenuidade infantil para acreditar e assim nos sentir seguros com qualquer palavra de um tutor. A verdade é difícil e varia muito.

Eis que descobrimos, então, que a verdade é uma questão de crença. A verdade é o que você acredita. Assim surge Deus. Não Ele em si (pois a maioria sabe que há algo superior), mas sim a sua representação aqui na Terra. Por ser uma força total e onipotente, a concorrência para representá-lo é grande. Grande e lucrativa (para a maioria). A disputa por essa representação é tão grande que causa guerras, matanças, preconceito e tudo mais, pois, estranhamente, boa parte das religiões acham que só elas estão representando a verdade de Deus e as outras são seus inimigos. Ou você é, ou não é, e, se não é, torna-se meu inimigo, ou, no mínimo, um ser marginal merecedor de “pena”. É uma verdade de limites. Uma verdade que te impõe o que é e o que não é, o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve. É o bloqueio da evolução da alma.

Deus, ou qualquer que seja o nome da Grande Força Criadora, deve -penso eu -olhar aqui pra baixo, balançar a cabeça e dizer “tsc, tsc, tsc”.

Toda essa confusão acima faz com que cada vez mais pessoas se desliguem das igrejas (sem contar os ateus). Se desligando das igrejas, mais uma vez, ficamos sem resposta, e dessa vez numa situação pior: Estamos vendo, de fora, o campo de batalha promovido pelos que ainda estão lá dentro, e ficamos mais perdidos. “Qual será a verdade? Será que eles lá dentro estão certos e eu cometi o erro de sair?”.

Descobrimos que estamos sozinhos. Não temos mais um guia, não temos ninguém como tínhamos no passado: Aqueles que sabiam mais e podiam nos ensinar. Estamos a mercê de uma crença própria, a crença da RAZÃO. Tudo seria, então, fácil, se não fosse pelo detalhe de que a razão coloca ela mesma em cheque quando a usamos como “verdade”.

Descobrindo isso, vemos que não só estamos sozinhos, como completamente perdidos. Perdidos em nossa necessidade de achar a verdade.

Mas a luz sempre aparece, não é mesmo? Talvez um dia nos sentaremos sobre uma colina, olharemos o horizonte cheio de prédios, barulho, fumaça de poluição, violência, futilidade, inveja, e não o veremos. Exergaremos um âmago dimensional onde verdes árvores cercam rios cristalinos e pássaros cantam um alegre minueto dos deuses. E nesse dia, unindo a razão, a alma, e toda nossa existência, acharemos a verdade. A verdade que é só nossa. Veremos que temos nossa verdade, cada um. Eu crio minha verdade e minha realidade. E a verdade suprema é a bela harmonia de todas as verdades de todas as pessoas. A verdade suprema. O amor, a unidade que edifica a ponte para Deus, que nos dará sua força para transformarmos o mundo em um único e grande templo de paz, harmonia, amor e espiritualidade.