Press, Novidades e Feedback
www.escribacafe.com

A cura através da morte: A Explicação

Por Christian Gurtner em 02/02/08

Em meu último artigo, intitulado “Polícia e Curandeiro“, percebi que muitas pessoas me entenderam mal. Justo, afinal deixei o cerne da questão subentendido. Mas para não deixar nada debaixo da mesa, vamos lá.

Porque o dito “curandeirismo” e alguns outros “serviços sobrenaturais” pagos deveriam ser crime (alguns hediondos)?

Antes de responder essa questão, vamos tentar enxergar a evolução das coisas. Imagine o mundo a há dezenas de séculos atrás. O curandeiro já existia. Ele usava plantas e orações aos deuses para curar. Era passado de pai para filho o que tal planta faz e como ele pode ajudar e, em cada geração, provavelmente era descoberta uma nova aplicação ou nova planta. E os medicamentos naturais, em grande parte, eram muito efetivos. Mas ainda sim eles utilizavam o “agrado aos deuses” pois, até então, não corriam o risco de aplicar medicamentos sem rezar, e achavam que as duas coisas estavam interligadas.

Contudo, em algum ponto da história, algum curandeiro percebeu que a “reza” não fazia diferença na cura (a não ser a fé do próprio doente que, como foi descoberto recentemente, por manter o cérebro em “função de cura”, podia ajudar no tratamento, mas isso é outra história). Com a desvinculação da reza e do medicamento, os curandeiros mais avançados passaram a investir seus estudos somente nos frutos da natureza e nos seus valores medicinais. Resumindo: O curandeiro do passado, é o médico de hoje. Evolução, meus caros.

O caminho da evolução intelectual e tecnológica sempre conta com pequenas bifurcações. E uma dessas bifurcações que chegou aos dias de hoje foi a dos “curandeiros paranormais” que, ao contrário daqueles que descartaram a reza, eles descartaram foi o medicamento. Se tornaram convictos de que forças invisíveis são muito mais eficientes do que remédios e cirurgias. Nunca saberemos se a maioria deles realmente acredita nisso ou só usa essa teoria para ganhar dinheiro.

Nos encontramos hoje numa sociedade espiritualmente caótica. Influências de várias religiões, limitações criadas através de dogmas, crenças completamente diferentes umas das outras e todas tentando sultimente impor sua fé aos outros, sem contar as imposições sangrentas do passado e as de hoje. Todo esse delírio cultural guiado pelas nossas questões sobre o pós-morte, resulta numa enorme parcela da humanidade espiritualmente insegura, apta a acreditar em qualquer coisa que lhe pareça convincente, bem como aberta à idéias absurdas. E é nesse cenário que surgem aqueles que acharam na ignorância e crendice uma mina de ouro. O nível de sucesso desses charlatães oportunistas varia de cultura a cultura.

Em países como Brasil, que são regidos não só pela ignorância espiritual, como também a intelectual, vemos um cenário propício ao sucesso de inúmeros tipos de charlatanismo, dentre eles, o mais perigoso: o curandeirismo.

Porque perigoso? Muitas pessoas só optam por um “curandeiro” quando todas os recursos científicos e até religiosos se mostraram ineficientes e a morte se torna iminente. Mas existem outros (e não são poucos) que nem se consultam com um médico, vão direto ao curandeiro. O curandeiro, acreditando ou não no seus poderes, vai fazer seu trabalho. Muitas vezes a pessoa se cura, mas se curaria mesmo se tivesse ficado em casa; Em outras ocasiões a doença pode ser mais séria e começar a evoluir à um ponto perigoso. Nesse caso o curandeiro tem duas opções: Se revelar ineficiente e mandar o “paciente” para um médico, ou arriscar na sorte. E é aí que mora o perigo. Muitos curandeiros ganham bastante dinheiro e mandar alguém para um médico pode ser ruim para os negócios, e assim eles fazem seu teatro até o último momento, que às vezes, pode ser tarde demais.

O famoso curandeiro chamado “João de Deus” não cobra por suas consultas (pelo menos não diretamente), e recebe “pacientes” do mundo todo aqui no Brasil. Ele cura as pessoas através de energia e de outros espíritos que usam seu corpo para fazer cirurgias espirituais. Num documentário recente do Discovery Channel, uma equipe acompanhou várias pessoas desesperadas com suas doenças, desde que chegaram no Brasil até voltarem para casa. Nenhuma delas obteve um resultado significativo. O interessante é que uma dessas pacientes, começou a ficar pior. E através de um ato responsável (vindo de um charlatão), João de Deus ligou para essa mulher e a chamou para ir à sua casa. Lá chegando, o curandeiro diz a ela “que um espírito de luz enviou uma mensagem dizendo que ela deveria ir à um médico”. Ela foi ao médico, fez uma cirurgia e se curou. Não é que João de Deus acertou?

Os curandeiros, em sua maioria, são expertos. Sabem que podem ser presos se alguém morrer após ser impedido ou influenciado a não ir à um médico. Contudo, sequelas físicas ou psicológicas sempre ficam nos pacientes. O medo e a incredulidade na medicina convencional, acabam por matar. O curandeirismo envenena a sociedade e distorce o caminho do avanço. Por terem poderes mais impressionantes, os curandeiros, para muitas pessoas, são mais interessantes que os médicos.

Mas a exploração da ignorância, que é usada em todas as áreas, acaba por criar um outro tipo de crime: extorsão. Mas em muitos lugares, como o Brasil, não é considerado crime, pois é uma extorsão espiritual. E se algum dia a exploração da ignorância se tornar crime, não sobrará quase nenhum político no país.

Imagine uma pessoa, fruto da ignorância, da crendice e da confusão espiritual (como eu citei mais acima), sentada na praia, vem uma daquelas típicas “ciganas de praia” com dentes de ouro e roupas de festa junina, e simplesmente diz “uma pessoa lhe quer muito mal e está te prejudicando”. Boa parte dessas pessoas tem um pouco da dita “mania de perseguição”, e logo vão dar dinheiro para a cigana “desfazer o trabalho”. Elas também costumam falar daqueles pontos comuns que todos nós temos em nossa vida: amor, dinheiro, carreira… São coisas comuns na grande maioria dos seres humanos, mas que por algum motivo achamos ser caracteríscas particulares únicas e por isso muitos caem nesses golpes. Seria como a cigana dizer “Você, nesse momento, está respirando”, e então você se admirar com o poder de adivinhação dela.

Esse tipo de pessoa, inventa desgraças, infortúnios, doenças e todo o tipo de ameaça terrena, criando o medo nos ignorantes, que são explorados dessa forma achando que através da “mágica” seus males (que na verdade não existem) serão abatidos.

São inúmeros os tipos de charlatanismo que explora a ignorância. E a cada dia uma nova vítima gasta dinheiro para nada. E os exploradores continuam andando livremente, bloqueando a evolução e sujando a sociedade.

O programa australiano de TV Sixty Minutes, certa vez fez uma experiência para saber o quão fácil era criar um “paranormal de sucesso” e que mediu o grau de ignorância científica e crendice, criando um guru fictício que tinha poderes de cura e adivinhação. Contrataram um ator, montaram um roteiro, soltaram a notícia na TV e pronto. Milhares e milhares de pessoas se aglomeravam nas apresentações feitas pelo guru. Muitas afirmavam terem sido curadas. Quando finalmente o programa TV informou ao público que aquilo tinha sido um experimento e que o guru era na verdade um ator, ainda restaram pessoas dizendo que era mentira e que a TV estava tentando acabar com a reputação do curandeiro. Precisamos de provas mais concretas da crendice humana?

Creio que não devemos deixar passar o fato de que existem doenças que são criadas e curadas por nossa própria mente. Ela é poderosa. E quando um curandeiro obtém sucesso, sua vítima jamais imagina que foi ela mesma que se curou. E muitas vezes que foi ela mesma que criou a doença, seja por influência dos adivinhos ou por tragédias ocorridas na vida.

Dessa forma levamos a vida, acreditando no que nos convém e pegando o precisamos custe o que custar, escrevendo assim mais uma página do enorme livro de piadas que a humanidade do futuro terá.


Esse post foi publicado na categoria "Leituras Diversas", em 02/02/08 às 11:02.
Post to Twitter Postar no seu Twitter
Envie para um(a) amigo(a)
Escreva um comentário
11
comentários
  1. Patrick says:

    Acho engraçado a idéia da cigana, pelo menos elas são boas atrizes …
    e nos faz pensar em alívio já que ela “cura os nossos problemas”.
    Nunca paguei, mas acho interessante como elas atuam no palco.

    Ao contrário de outras pessoas que ficam pedindo esmolas nos centros das cidades.
    Que alem de pedir dinheiro e não fazer absolutamente NADA, damos a elas e ainda recebemos uma faixa na cabeça de “EU SOU UM RETARDADO”.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  2. mirian says:

    OI Christian, descobri seu site ha pouco tempo e compartilho dos mesmos pensamentos que voce, por isto passei a acompanhar o seu trabalho. No entanto, a respeito dos curandeiros, ja deu para perceber que voce os odeia, nao acredita numa palavra sequer do que sai da boca deles e quer provar que voce esta certo! Tudo bem, voce esta colocando seu ponto e te dou o maior credito por isto, mas como este eh um espaco aberto aas discussoes tambem colocarei os meus: Senti que voce faz uma ligacao entre as crendices e a ignorancia. Discordo totalmente: Se voce procurar mulheres que botam cartas ou fazem mapa astral, etc, percebera que o publico delas eh geralmente de mulheres inteligentes (homens tambem), estudadas, classe media para cima, e pagam um bom dinheiro para ouvirem o que querem ouvir. Estas ciganas de rua, coitadas, justamente pelo fato de andarem mal vestidas e mal cheirosas mal tem a atencao de algumas pessoas, ninguem lhes da credito. UMa vez meu carro quebrou na rua e uma destas ciganas veio me pedir dinheiro (diga-se esmola) eu entao peguei umas moedas no carro e infelizmente ela viu uma nota de valor maior, que eu nao lhe dei… “vixi maria, avez cruz, cruz credo…” esta mulher me rogou tanta praga, que eu nem vou dizer aqui… mas obviamente eu nao lhe dei meu dinheiro. Sobre o tal “Joao de Deus”, quando eu tive a oportunidade de conhecer o local de trabalho dele (uma chacara muito organizadinha e arrumadinha ha uma hora de Goiania) fiquei impressionada nao com os poderes do homem (ou espirito), mas com seu publico. Eu diria que 80 por cento das pessoas que estavam la eram americanos e europeus… os outros 20 por cento eram brasileiros de regioes sul e sudeste. Para voce ter ideia, existem dois ou tres interpretes trabalhando na chacara dele. Depois fiquei sabendo que este homem (que nao cobra consultas) eh riquissimo, por causa das doacoes dos curados que ele recebe. No entanto, como ja disse, nao vi nada de mais acontecendo por la; contudo, se eu fosse diagnosticada de uma doenca e nao conseguisse a cura por meios “normais”, certamente eu procuraria os meios “sobrenaturais” para me curar, pois voce nao pode esquecer que acima da RAZAO dos homens ha o instinto de sobrevivencia da especie.
    Mas, temos algo em comum Christian: a duvida. Pensando neste mesmo tema ha alguns anos atras cheguei aa conclusao de que se fosse possivel ver o futuro de alguem atraves de cartas, eu descobriria, pois iria estudar o Tarot para ver se realmente aquilo funcionava. Entao comprei livros, baralhos, e comecei a estudar. Fui fazer o teste nas minhas amigas, claro, que pacientemente faziam filas para “brincar” de tarot comigo. Rs. Descobri que nao da para ver o futuro pelo tarot, mas o presente. E o maximo que se pode fazer nestes casos eh auxiliar o atendido a resolver seus problemas atuais. Esta brincadeira durou uns quatro meses na minha vida e ainda guardo meus livros. Certamente se pudessemos ler o futuro, atraves das cartas, eu nao teria dado tanto murro em ponta de faca nos ultimos anos, mas continuo gostando destes assuntos; e nao odeio os curandeiros e feiticeiros modernos nao, somente vejo neles o analista que muitos nao podem pagar.

    Saudacoes…

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  3. Cara Miriam,

    Muito obrigado por visitar o Escriba Cafe, e mais ainda por deixar seu ponto de vista.

    Nesse seu comentário, apesar de você dizer que “discorda”, o que você disse aqui foi exatamente o que eu disse com outras palavras. Um exemplo: “João de Deus não cobra diretamente”, foi o que eu disse. Mas ganha muito com doações.

    Mas você disse que eu odeio os curandeiros. Não é bem assim. Eu afirmei em meu artigo que quando nada mais resta não há nada de errado em buscar até as coisas mais absurdas para tentar se curar.

    Sobre a ignorância, que eu mencionei, você me interpretou mal. A ignorância a que me refiro é a ignorância “espiritual”, assim como tentei explicar também nesse artigo. Mas cuidado: Inteligência e ignorância não são antônimos. E também já vi muito ignorante intelectual com diploma na mão. Tudo isso não quer dizer nada. Sofremos é de uma ignorância cultural profunda, onde em breve não haverá mais distinção entre tipos de ignorância, caso o país (e grande parte do munto) continue assim.

    Um grande abraço e obrigado!

    UA:A [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  4. Fernando Fazzane says:

    Olá Christian, não poderia deixar de comentar este artigo… Eu concordo que o charlatanismo corrói não somente os curandeiros, mas todas as profissões que possam existir. Sempre haverá um charlatão que se disporá a executar algum serviço ou trabalho ao qual não domina enganando pessoas repetidamente. Mas é preciso concordar que estes charlatões são muito bons em vender seus pseudo-serviços…

    Eu acredito que hajam pessoas com diferentes níveis de intelecto e moral. Tanto quantos possam existir humanos. Tão variados que numa escala seria possível cada um ser diferente do outro criando assim indivíduos que somos.

    Alguns, sem dúvida, são melhores matemáticos, outros músicos, outros médicos, outros pedreiros e claro, há os que verdadeiramente possuem um contato maior com o mundo dos espíritos ou com o mundo invisível aos nossos falhos e rústicos sentidos humanos (tato, olfato, paladar, audição, gustação).

    Veja que não apóio o curandeirismo, apenas reconheço que possam sim existir pessoas com esta destreza, mas creio que não são muitas e algumas a possuem e sequer têm noção disto…

    Como o que posso fazer é cuidar (ainda que imperfeitamente) da minha própria vida, fico feliz em poder escolher o que considero mais saudável, ético, responsável e ecológico. No mais, tento dar conselhos aos que me permeiam. Isto me deixa muito feliz, pois sei que cada um faz o que considera “bom” para si ou para o próximo. Isto é maravilhoso!

    Mesmo que numa atitude errada, as pessoas buscam salvar suas vidas dos problemas que elas mesmo causaram de uma forma ou de outra e é óbvio que onde há procura, há oferta, alguns se aproveitam deste momento de fraqueza alheia e vendem ilusões. Isto, perante a ética e a solidariedade é péssimo, mas alguém nos obriga a tomar esta ou outra decisão? Somos nós que traçamos nosso futuro com cada palavra que pronunciamos ou escrevemos, cada gesto, cada sorriso, cada lágrima…

    Algo me fez desprender da “pena” que sentia de miseráveis e pedintes que nos rodeiam… depois que eu constatei que eles viviam nas ruas por opção, que fugiam dos abrigos, que repudiam uma ajuda com regras e controle, algo me fez despertar.

    O mesmo digo sobre a morte. A vida humana é muito mais que os poucos 80 anos que vivemos aqui na terra. Por isto, cada um tem algo a aprender e está nesta condição para descobrir isto. Alguns devem aprender a ser humildes, outros solidários, outros sinceros e verdadeiros, outros corajosos, e por aí vai.

    Então, digo, como os filósofos antigos, que a vida é uma preparação para a morte. E quando ela vier, esteja preparado, pois ali inicia-se mais uma transformação, mais uma fase, um ciclo… Nada de céu, inferno ou purgatório, mas sim pensamentos… nós somos oque pensamos, vivemos nosso pensamento, criamos nosso mundo cada um a sua maneira, e no fim, só restará o pensamento que reside na mente do espírito que anima a cada coisa inteligente no universo. E nós estamos inclusos nisto. Somos inteligentes e algo além dos nossos sentidos nos faz assim. Algo que escapa à maioria pois é muito sutil e somente com um determinado nível moral-intelectual pode-se perceber.

    Bom, esta é só minha opinião. É o que habita meu pensamento, que se transforma a cada dia, que resiste às mudanças da matéria, que resiste à corrosão do tempo. É o que sou… :)

    Grande abraço Christian e continue colocando a bola no ar para que mais pessoas possam fazer o exercício de reflexão tão útil ao intelecto.

    Até mais e felicidades.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  5. Renato Anisio says:

    Lendo este comentário sobre curandeiros, percebo que estamos dentro de uma sociedade que em sua maioria ainda aceita tais loucuras, me faz entender que a cada dia é preciso buscar se informar, para não cair nas garras destes charlatões, que em nome de algum Deus fazem absurdos, na verdade buscam somente o favor proprio, porque em sua maioria o finalizar das consultas se da atraves do curado dando um cheque, ou ofertando um valor. Porque então não se divulga curandeiros que realizam o trabalho socialmente, sem cobrar absolutamente nada? porque alguns que se dizem cristãos tem estas praticas de curandeirismo e so sabem falar do valor de oferta, suas afirmações são as seguintes: Quanto mais você doar, mais proximo estará da benção (que pode ser traduzida neste contexto por cura).

    Sou Cristão, amo os evangelhos, creio na biblia, mas nunca encontrei la tais praticas.

    Me despeço protestando esta pratica.

    Renato Anisio

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  6. mirian says:

    OI Christian olha eu aqui de novo. Achei muito bom o comentario do Fazzane e voltei porque tenho uma pergunta, eh algo que me incomoda e quem sabe voces nao podem me dar uma maozinha na minha questao. Eh o seguinte, de uns tempos para ca, venho percebendo que uma grande parte de pessoas que sao, digamos, intelectualmente favorecidas estao tendo uma tendencia a buscar religioes indianas ou ligadas aas religioes daquele pais. Nao so no Brasil. Os indianos, muito espertos, vendo este novo nicho de mercado se organizaram e vendem isto de maneira muito coerente, eles tem bons sites na net, direcionados ao mundo todo, e cobram uma babada por seus “ensinamentos”. Eu nunca fui na India e nem tive muito contato pessoal com indiano, mas o pouco que os conheci e li sobre eles, me fez perceber que de uma maneira “civilizatoria” (nem sei se esta palavra existe) eles nao sao muito evoluidos nao. Por exemplo, apesar do pais deles estar crescendo muito economicamente falando, os indices de pobreza sao terriveis, atravez das desigualdades sociais, creio que muito pior do que no Brasil. Me parece que em alguns pontos eles ainda mantem escravos e exploram demais o outro; e somente se casam entre si, exceto raras excessoes… enfim ao muito fechados como cultura … me desculpe se eu estiver errada e ajude me a esclarecer estes pontos, mas como um povo que nao trata o ser humano que nao seja da sua propria familia com dignidade pode ter a resposta para o que todo mundo quer saber? Como eles podem ser os iluminados , enquanto ha muitos outros povos, muito mais desprovidos de preconceitos e coisa ruim do que eles? Mais uma vez desculpa se falei besteira, mas esta vem sendo uma impressao que estou tendo e gostaria de compartilhar com os senhores para que possam me ajudar a entender um pouco mais se estou viajando ou nao. Muitissimo obrigada, Mirian

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  7. Anísio Lana says:

    Caro Christian, você falou abertamente a verdade quando relata que somos um povo que acredita em tudo, temos como um comando que aceita qualquer tipo “enganador” como o santo da vez. A televisão criou isto, a religião com sua fantasia de que o céu e a felicidade devem ser vividos depois e não ser agora nesse espaço, que sempre costumo dizer é o primeiro cêu que habitamos. É cultural acreditar no sobrenatural pois as pessoas perderam a confiança em si mesmas, no outro, e ao perder essa confiança perderam a sua mágica própria. A mágica que pode curar e que ela encontrou dentro de si, mais que atribuiu a outra pessoa, por não acreditar ser capaz de fazer em sua vida o seu próprio milagre. Acredito que posam existir pessoas de bem, que fazem do seu dom um meio de ajudar os outros, porém existem, a grande maioria os curandeiros da moda, que surgem vendo avião cair e tendo sonhos. Assim como padres e pastores que perderam o senso de perceber que cada ser humano possui a sua cura e a sua doença, o seu tempo de sofrer e de sorrir, o seu tempo de viver e morrer. De ser 50% razão e 50% fé.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  8. Daisy says:

    Oi, C. :)

    Eu concordo plenamente. O Xamanismo vem de longe e de fato o poder real é o da mente.

    Mas passei mesmo para dar um alô. Se precisar de um texto mais abrangente, sei lá, é só dizer. Lembra do teu projeto, do novo blog sobre as vergonhas do Brasil? Então, qualquer coisa é só falar.

    Desculpe não ter vindo aqui falar do teu livro. É porque fiz uma resenha num comentário do post do André, não sei se vc leu.

    Adorei este teu lado ficcional. Meio utópico mas que faz pensar. E como!

    Amei seu livro e já emprestei para amigos. Todos gostam. Parece um filme de ação.

    Beijos, C.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  9. Samuel Hilst says:

    Muito interessante a forma como o texto discute o charlatanismo religioso. Fico me questionando sobre as diferenças entre o charlatanismo e embuste, e como isso entra na discussão. Existem “curandeiros” em diversas crenças religiosas, que não cobram pelos seus trabalhos. Eles até mesmo dispendem tempo e recursos próprios pra trabalhar em prol de sua crença. Mesmo assim, não acredito que a cura espiritual, em muitos casos, seja verdadeira.
    Outros dois graves problemas do ser humano, além da ambição, são o orgulho e a vaidade. Eles fazem com que certas pessoas se achem poderosas o suficiente para curar outras pessoas.
    Mas eu noto o charlatanismo e embuste em diversos outros setores. Existem muitas fábricas de medicamentos falsos, que prejuicaram a saúde de muita gente, e até levaram seres humanos ao óbito. Existem inúmeras situações clínicas em que o médico não tem a mínima idéia do que ocorrem com o paciente. Aí nasceu o popular diagnóstico “virose”. Mercadores vendem tinturas como se fossem os melhores vinhos importados. Atores mediocres são vendidos como grandes artistas. Rabiscos pueris se tornam obras de arte. “Masturbações” cênicas ridículas se tornam “dança contemporânea”.
    Com o mundo do jeito que está é preciso analisar as coisas bem de perto, usando inúmeros pontos-de-vista, indo a campo mesmo, observando e analisando tudo, estudando as práticas de diversos “profissionais”, sempre se questionando muito e sempre se apoiando em sólidas teorias que, quando não assinadas por nomes já consagrados, que pelo menos tenham uma lógica filosófica muito boa.
    Acredito que exista muito charlatanismo e embuste usando o nome da religião e da fé. Mas também acredito que existam atos sérios. Só me dei conta disso depois que fatos até então inexplicáveis aconteceram na minha vida. E que acontecem na vida de outras pessoas. Como sou um estudioso, queria entender o que ocorria. Tentei diversas fontes de conhecimento, de explicação, de cura. Passei a visitar muitos templos religiosos, a observar várias pessoas em seus “transes mediúnicos”, conversar com estas pessoas durante o transe e depois, fora do templo. Cruzei muitas observações. Li diversas obras. Cruzei informações. Embora não pudesse confiar nos nomes que as escreveram, pude perceber um forte apelo intelectual, lógico e filosófico, pelo menos em se tratando da doutrina a que me refiro. Percebi que ela respondia, de uma maneira lógica, mistérios que nenhuma teoria científica ou doutrina religiosa me explicava. A cada confronto eu pensava: “É… Não é que pode ser verdade?! Não é que é plausível! É possível…” Mas até hoje fica a dúvida. Ainda estou em busca de uma resposta. E só não chegue num final pra essa peleja justamente por causa do charlatanismo e do embuste. É muito difícil acreditar. Mesmo vendo que não existe ganho material, não existe interesse… Passei por experiências em que o nível de coincidência era assustador. Não estou me referindo a essas falsas ciganas, ou nos horóscopos, que dizem coisas genéricas, que se encaixam na vida de qualquer um. Estou me referindo a dizeres muito específicos, que seria impossível de se prever. Estou me referindo ao fato de ouvir coisas idênticas em templos diferentes, por pessoas diferentes. Estou falando de leitura dos meus pensamentos. Com todas os mínimos nuances dele. Estou me referindo ao fato de ouvir de pessoas analfabetas, ignorantes, palavras de uma profundidade filosófica, e envoltas por um escopo teórico incrível. Fico me perguntando se realmente eu sou esperto e inteligente como as pessoas dizem. Fico pensando se o tanto que estudei, numa boa universidade, não valeu nada, se eu realmente estiver sendo enganado. Mas eu tendo a acreditar. Tendo a acreditar porque, depois de tudo o que passei, de tudo o que observei e pensei, é impossível que não tenha um mistério por trás de tudo aquilo. Sei que existem coisas que ainda não sabemos. A própria ciência que estudei, que é dita “exata”, me ajuda a crer nos fatos que experimentei. Esta mesma ciência, tão respeitada, tem pontos obscuros. Muito mais obscuros que a doutrina religiosa que me dispus a estudar. O charlatanismo e o embuste existem sim. É fato. Mas não podemos generalizar. Não conhecemos tudo. Ainda não vivemos e observamos tudo. Não estudamos a fundo. É muita pretensão achar que sabemos e vivemos o suficiente pra poder julgar o todo pela parte.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  10. Samuel Hilst says:

    Muito interessante a forma como o texto discute o charlatanismo religioso. Fico me questionando sobre as diferenças entre o charlatanismo e embuste, e como isso entra na discussão. Existem “curandeiros” em diversas crenças religiosas, que não cobram pelos seus trabalhos. Eles até mesmo dispendem tempo e recursos próprios pra trabalhar em prol de sua crença. Mesmo assim, não acredito que a cura espiritual, em muitos casos, seja verdadeira.
    Outros dois graves problemas do ser humano, além da ambição, são o orgulho e a vaidade. Eles fazem com que certas pessoas se achem poderosas o suficiente para curar outras pessoas.
    Mas eu noto o charlatanismo e embuste em diversos outros setores. Existem muitas fábricas de medicamentos falsos, que prejuicaram a saúde de muita gente, e até levaram seres humanos ao óbito. Existem inúmeras situações clínicas em que o médico não tem a mínima idéia do que ocorrem com o paciente. Aí nasceu o popular diagnóstico “virose”. Mercadores vendem tinturas como se fossem os melhores vinhos importados. Atores mediocres são vendidos como grandes artistas. Rabiscos pueris se tornam obras de arte. “Masturbações” cênicas ridículas se tornam “dança contemporânea”.
    Com o mundo do jeito que está é preciso analisar as coisas bem de perto, usando inúmeros pontos-de-vista, indo a campo mesmo, observando e analisando tudo, estudando as práticas de diversos “profissionais”, sempre se questionando muito e sempre se apoiando em sólidas teorias que, quando não assinadas por nomes já consagrados, que pelo menos tenham uma lógica filosófica muito boa.
    Acredito que exista muito charlatanismo e embuste usando o nome da religião e da fé. Mas também acredito que existam atos sérios. Só me dei conta disso depois que fatos até então inexplicáveis aconteceram na minha vida. E que acontecem na vida de outras pessoas. Como sou um estudioso, queria entender o que ocorria. Tentei diversas fontes de conhecimento, de explicação, de cura. Passei a visitar muitos templos religiosos, a observar várias pessoas em seus “transes mediúnicos”, conversar com estas pessoas durante o transe e depois, fora do templo. Cruzei muitas observações. Li diversas obras. Cruzei informações. Embora não pudesse confiar nos nomes que as escreveram, pude perceber um forte apelo intelectual, lógico e filosófico, pelo menos em se tratando da doutrina a que me refiro. Percebi que ela respondia, de uma maneira lógica, mistérios que nenhuma teoria científica ou doutrina religiosa me explicava. A cada confronto eu pensava: “É… Não é que pode ser verdade?! Não é que é plausível! É possível…” Mas até hoje fica a dúvida. Ainda estou em busca de uma resposta. E só não cheguei num final pra essa peleja justamente por causa do charlatanismo e do embuste. É muito difícil acreditar. Mesmo vendo que não existe ganho material, não existe interesse… Passei por experiências em que o nível de coincidência era assustador. Não estou me referindo a essas falsas ciganas, ou nos horóscopos, que dizem coisas genéricas, que se encaixam na vida de qualquer um. Estou me referindo a dizeres muito específicos, que seria impossível de se prever. Estou me referindo ao fato de ouvir coisas idênticas em templos diferentes, por pessoas diferentes. Estou falando de leitura dos meus pensamentos. Com todas os mínimos nuances dele. Estou me referindo ao fato de ouvir de pessoas analfabetas, ignorantes, palavras de uma profundidade filosófica, e envoltas por um escopo teórico incrível. Fico me perguntando se realmente eu sou esperto e inteligente como as pessoas dizem. Fico pensando se o tanto que estudei, numa boa universidade, não valeu nada, se eu realmente estiver sendo enganado. Mas eu tendo a acreditar. Tendo a acreditar porque, depois de tudo o que passei, de tudo o que observei e pensei, é impossível que não tenha um mistério por trás de tudo aquilo. Sei que existem coisas que ainda não sabemos. A própria ciência que estudei, que é dita “exata”, me ajuda a crer nos fatos que experimentei. Esta mesma ciência, tão respeitada, tem pontos obscuros. Muito mais obscuros que a doutrina religiosa que me dispus a estudar. O charlatanismo e o embuste existem sim. É fato. Mas não podemos generalizar. Não conhecemos tudo. Ainda não vivemos e observamos tudo. Não estudamos a fundo. É muita pretensão achar que sabemos e vivemos o suficiente pra poder julgar o todo pela parte.

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

  11. Jo Lucena says:

    Gostei de seu artigo Christian Gurtner apesar de um tanto radical e confuso. Em alguns pontos penso como voce. Mas acredito na cura espontânea do corpo, que muitos dão outros nomes, como autocura, cura autógena, cura natural, cura espirutual…
    Que esse terreno é eivado de charlatães não tenho dúvidas, mas quero lembrá-lo que só o existe charlatão porque existe o leal e honesto. Só existe a sombra porque existe a luz. O charlatão imita o honesto que necessariamente existe mesmo que em pequeno número. A cura espontânea apesar de só ser encontrada cientificamente, isto é, segundo a medicina tradicional em torno de 3%. Esse percentual poderia ser bem maior se eles incluíssem um grande número de pessoas que se curam sozinhas e continuam no anonimato. Eu pessoalmente vi muita coisa assim quando por longos anos fiz medicina. Eu mesmo não acreditava em nada que fosse diferente do que aprendera na universidade. Mas comigo mesmo aconteceu muita coisa inexplicável e tudo isso só começou quando minha filha de 2 anos na época sofrera uma convulsão febril benigna se não fosse encontrado lesões irritativas em ambos hemisférios cerebrais. Os neurologistas discordavam quanto ao tratamento mas concordadavam que o mesmo durasse em torno de 5 anos e que mesmo assim ela não estaria completamente curada e que poderia vir a sofrer de convulsões quando um dia engravidasse. Eu ainda a mediquei segundo os preceitos de tal especialista durante 8 meses. Uma noite eu tive um sonho que me revelava sobre energias coloridas que saiam de minhas mãos e que atingiria a pessoa alvo que eu quisesse ajudar. O sonho me dizia para que eu curasse minha propria filha naquela mesma noite e que no dia seguinte eu procurasse o médico dela (por sinal meu professor de neurologia na faculdade). E assim fiz e confesso que pela primeira vez em minha vida entrei em um estado de transe consciente e vivenciei sensações pra lá de esquisitas… Dia seguinte a levei ao neurologista e pedi para que ele requisitasse um ECG que era o exame vigente da época. O mesmo ficou irritado quando falei do sonho e não queria aceitar a ideia de pedir um outro exame quando já havia feito há 15 dias e as lesões lá estavam. Bem, depois de eu muito insistir e ameaçar parar o tratamento sem mesmo fazer o desmame da droga ele decide fazer o tal Exame para mostrar que estava tudo lá do mesmo jeito. Acontece que minha filha estava realmente curada e o ECG nada mais mostrou. Ainda me pediram mais dois exames com profissionais diferentes e todos tiveram o mesmo resultado. Hoje minha filha tem 26 anos e quando há 3 anos atrás ficou grávida, por sinal, uma gravidez complicada por pré-eclâmpsia e mesmo assim, a mesma passou por uma cesárea de risco sem ter sequer uma pequena convulsão. É de bom alvitre frisar que ao dar entrada no Hospital com uma pressão muito alta, ela ficou mais de 12 horas sob medicação sem que a pressão voltasse ao normal. Quando minha filha pegou o celular e me ligou relatando o que estava acontecendo eu decidi fazer a mesma coisa que havia feito naquela noite há 20 anos atrás. Só que dessa vez eu estava em minha casa e tive que enviar a tal energia colorida à distãncia. Apenas 15 minutos depois, acordei aliviado quando o meu celular tocava e era minha ex-esposa me tranquilizando que a pressão dela havia voltado aos níveis normais e só assim seria operada. Minha neta nasceu com 7 meses mas depois desenvolveu muito bem e goza de muita saúde. Depois disso minha vida e minha maneira de pensar deu uma guinada, e passei a ter uma mente mais aberta. Estudei muitos curandeiros e descobri que o bom número deles é verdadeiro. Quanto a questão de cobrr ou não, encontrei curandeiros muito bons que aceitavam ajuda financeira. Mas todos são pessoas simples e destituídas de patrimônio duvidoso.
    Continuei a pesquisar a cura espontânea e decidi ajudar pessoas desenganadas com doenças ditas incuráveis. Após perder um amigo com leucemia, que estava terminando o curso médico. Decidi tentar fazer alguma coisa por aqueles que depois de ter tentado a quimioterapia e só lhes restavam o transplante de medula. Tive sucesso em cerca de 3 casos. Todos ficarm curados num periodo de 2 a 3 meses. E ainda estão curado depois de vários anos. O primeiro já faz mais de 20 anos. Foram muitos e muitos. Mas tive que abandonar a medicina tradicional pois era perseguido por um professor que não deixou que eu passasse em sua discicplina mesmo depois de 18 anos tentando. Das 47 disciplinas do curso médico paguei 44. Lamento não ter conseguido mas hoje as coisas mudaram muito e essa prática ilegal de prejudicar o aluno não é mais aceita.
    Abandonei também tudo que fazia para ajudar os pacientes incuráveis com receio da perseguição implacável da classe médica. Tenho amigos médicos sim e que concordam com a minha teoria. Mas foi melhor assim…
    Continui com seu Website, gostei mesmo! Obrigado!

    UN:F [1.8.4_1055]
    Rating: 0 (from 0 votes)


    Denunciar esse comentário

RSS feed para os comentários desse post. | TrackBack URL

Escreva um comentário

  1. *
  2. *
  3. *
  4. Captcha
 

PATROCÍNIO