Acabando e começando
Certo ditado alemão diz que “Tudo tem um fim. Menos a salsicha, que tem dois”. É algo deprimente, afinal “tudo” inclui também as coisas boas, as coisas ótimas. Por outro lado, penso que também é algo bom, pois, talvez se aquela “coisa boa” não tivesse acabado, talvez hoje eu não me lembraria dela como algo tão bom, tão nostálgico.
Gosto de pensar que o fim também é um começo. Fim de um momento, começo de outro. Fim de um ciclo, começo de outro. Talvez tenhamos tanto receio do fim porque ele é algo que, boa parte das vezes, não está em nossas mãos. E como tudo que não podemos controlar nos dá medo, estamos nos precavendo cada vez mais nos momentos, e cada vez mais eles vão deixando de ser tão bons, tão intensos. – “Para que transformar esse momento em algo tão intenso se sei que vai acabar?” – Simples: porque tudo acaba! E saber que tudo acaba não é motivo para não começar algo, é somente um motivo para intensificar esse algo para que, como o velho Vinícius já disse, “seja eterno enquanto dure”.
Já ouvi muito que o medo de intensificar esses “momentos” é devido ao medo de sofrer. Me pergunto se é melhor sofrer por ter amado ou sofrer por nunca ter tido um amor. Citando mais uma vez Vinícius de Morais, para fechar esse ensaio que, como tudo, também tem um fim: “Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu | Porque a vida só se dá pra quem se deu | pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. (…) Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão…”












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