Lá vou eu, senhoras e senhores, mais uma vez escrever um desses meus artigos à Fidel Castro: Compridos e, dependendo do ponto de vista, chatos. Mas como prometi, no último podcast mobile, a me aprofundar no assunto tratado no dito cujo via um artigo escrito nesse fim de semana, lá vou eu.

Quem não ouviu o podcast MOBILE, publicado na sexta-feira (24/7), ouça para ficar a par do que se trata. Se estiver com preguiça de ouvir, acho que terá mais preguiça ainda de ler esse artigo, então pode parar por aqui :-)

Ultimamente ando um pouco sem paciência para acusações baseadas na distorção de meus artigos e podcasts. Após o último mobile, onde o iniciei com dois casos “bizarros”, pessoas próximas já começaram a inquisição:

- Você é gay!

Mas devido a essa falta de paciência, sempre concordo com as afirmações para ver até que ponto chega a contradição do interlocutor

- Sim, sou.
- Você faz orgias pansexuais.
- Faço sempre.
- Você é homofóbico.
- Bastante. Sempre saio nas ruas para espancar gays.
- Mas como você pode ser gay e homofóbico ao mesmo tempo?
- Não sei. Mas se você está afirmando tudo isso, deve ter uma resposta bem fundamentada, não?

Chegamos ao ponto. Não existe resposta fundamentada para o preconceito e julgamento da vida alheia. Se certa pessoa não gosta de gays, sua explicação para isso sempre será “Porque ele/ela é gay “. Às vezes nos deparamos com “Porque Deus disse que isso é pecado” ou “Leia a bíblia”, mas aí só me resta um palavrão e nem vou mencionar esses casos porque Ego sum bagus plenus desse assunto de religião e toda sua falácia.

Maria Lúcia, em sua eterna sobriedade nos comentários que por aqui escreve, enriqueceu o último MOBILE com uma explicação mais do que adequada:

“Cuidamos demais da vida alheia, nos preocupamos com o que fazem, pensam ou digam. Esquecemos que o livre-arbítrio é para todos e cada um faz o que lhe convém ou satisfaz. Olhar para dentro de si, para ver o que realmente somos, pensamos ou mostramos, sentir que a vida está latente em nós e seguir em frente, para caminhar rumo aos nossos ideais. A evolução é lenta, mas sempre será evolução…”

Assim podemos ver como surgem algumas regrinhas bem “interessantes”: “Se você acha normal um homem beijar outro homem, é porque você também gosta e faz isso”; “Se você não acha uma orgia pansexual repugnante, é porque você é pansexual e faz esse tipo de orgia”. A mentalidade humana às vezes é patética.

Não sou gay, não gosto de orgias, não gosto de figo, não gosto de bungee-jump, de “racha” com carros, de deserto, e muito menos de drogas (salve a patriótica cerveja e o malicioso cigarro).

“Ah, então eu te peguei! Você já experimentou para dizer que não gosta!”

Não. Não experimentei nenhum dos ítens acima. Simplesmente não gosto. Ou melhor dizendo: Não tenho e nem nunca tive desejo ou a mínima vontade de experimentar. E mesmo assim, acho muito natural quem goste, faça, e tenha vontade de ir ao deserto, pular de bungee-jump ou comer figo. Porque então eu não deveria ver a mesma naturalidade naqueles que gostam de pessoas do mesmo sexo ou fazem orgias?

As exceções mais do que necessárias

Sim, era aqui que eu gostaria de chegar! Foi isso que ficou subentendido no último MOBILE e abriu enormes brechas para distorcerem o que eu disse.

“Se tudo é tão normal e natural para você, porque então deveria haver exceções? Assim você se contradiz, pobre Christian”

Claro que tudo é natural. Afinal, tudo o que você vê todos os dias, é fruto, da natureza ou do homem. Não há nada de “anormal” ou nada de bizarro nas coisas que acontecem. Desde a opção sexual de um indíviduo até ao genocídio de milhões de judeus. Tudo isso é tão natural, que se não houvessem limites autoritários e penais, o planeta teria somente metade da população humana que tem hoje. O homem é assim por natureza: cruel, autoritário e egocêntrico. Mas a inteligência salvou o mundo de uma guerra de macacos com testosterona vazando até pelos ouvidos, e godzillas na TPM.

Vejo que algumas características maléficas, como a crueldade, vêm sumindo de nossa natureza (não sei dizer ao certo se “sumindo” ou “sendo oprimidas”). Mas ainda existem muitas pessoas cruéis, muitas pessoas “más” e também aquelas psicologicamente problemáticas. São dessas pessoas que vêm o roubo, o assassinato, o terrorismo, o uso de drogas pesadas, o genocídio, etc, etc, etc.

E são essas pessoas que são as exceções. Mas nem tanto. Afinal isso tudo é cotidiano, existe no mundo aos montes e é extremamente natural. Devemos aceitar isso. Mas o que não devemos aceitar é que essas pessoas tenham o direito de praticar seus “fetiches”. Elas devem ser isoladas da humanidade. Sua liberdade possui só um limite: a liberdade do próximo. A partir do momento em que, fazendo o que você quer e gosta, você fere, mata ou prejudica outra pessoa, você se torna persona non grata no mundo e deverá ser retirado de nosso meio.

“Christian, seu burro, falar isso é o mesmo que falar nada, afinal as pessoas que estão no crime, em sua maioria, são produtos do abismo social, são alunos de favelas, são desamparados e prejudicados por nós, pelo governo e pelo capitalismo”

Já chega dessa falácia moralista de esquerda! Porque então existem pessoas de bem nas favelas? Trabalhadores que, mesmo ganhando muito pouco, continuam a viver honestamente? Não nego nunca que a educação é um grande caminho para a qualidade de vida e bem estar social, mas também não abro mão da afirmação de que existem pessoas que escolhem o crime, enquanto outras, na mesma situação, escolhem viver honestamente. E se você escolhe o crime, já sabe as consequências, você quer o crime para ganhar muito dinheiro rápido e sem trabalho, e existem pessoas ricas que fazem isso (veja boa parte dos políticos, por exemplo).

Prejudicou o próximo? É persona non grata e ponto final. Não há o que discutir, não há o que alegar em defesa e muito menos usar sua situação financeira como desculpa.

Por isso, tentando inutilmente concluir tudo isso, digo que é tudo natural, é tudo humano, e tudo isso somos nós. Não aceitar é o mesmo que negar a própria existência, a própria natureza. O mundo roda, e nos leva junto. Então paremos de limitar nossas visões nesse tapa-olho equino que são a moral, a religião e o dito “normal”.

Fiquem em paz!