CAPÍTULO 1
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   O que torna um homem grandioso?
   Talvez suas conquistas e vitórias. Talvez suas atitudes em vida ou a herança que deixou na Terra após a morte.

  Mas também existem aqueles que levaram a vida de um modo em que seus pensamentos e interpretações grandiosos jamais foram conhecidos pelo mundo.

  É muito plausível a idéia de que inúmeros homens grandiosos, gênios e profetas passaram pela Terra despercebidos porque não expressaram o que se passou em suas cabeças. Seria, então, a grandiosidade um reconhecimento da humanidade?

  Alexandre precisou conquistar brutalmente toda a Ásia para ser chamado de “O Grande”; Einstein teve que expor ao mundo inúmeros cálculos e teorias para ser chamado de “gênio”; E Oscar Schindler só foi tema de um grande filme porque salvou centenas de milhares de judeus do holocausto.

  “Quem inventou o capuccino deve ter sido grandioso” Pensou Dom enquanto tomava uma xícara da bebida.

   Dom era uma dessas pessoas comuns, sem nada demais. É claro que isso só pode ser dito quando não se conhece a pessoa em questão e sua história, pois é possível fazer um filme emocionante sobre a vida de qualquer pessoa neste planeta, ou pelo menos um conto. Todos têm uma grande história vivida para contar.
Com seus trinta e dois anos, Dom era jornalista, artista, historiador e várias outras coisas que os “bicos” que ele arranjava exigiam.

   Sentado em um café (desses com estilo europeu), ele bebia capuccino enquanto lia um livro, porém, seus olhos azuis, que na realidade não eram azuis, e sim cinzas, estavam atentos a tudo o que acontecia ao seu redor. Dom tinha essa mania: conseguia ler um livro, ou assistir um filme, estando sempre atento à sua volta.

   Ele elevou seu olhar até um uma grande divisória de vidro que separava dois ambientes do café. Ao ver seu reflexo, ele se sentiu bonito, com cara de aventureiro. Percebeu então, ao ver adiante, além do vidro, que uma mulher o observava com um pequeno sorriso estampado no rosto. Era linda. Cabelos ruivos, lisos, pele muito branca e olhos claros. Mas o que a tornava realmente linda, era o jeito com que olhava, sua expressão no rosto. “Diferente” pensou ele.

   Dom olhou as horas num relógio de bolso e sorriu. Um sorriso de criança. Tinha essa mania de sorrir sem motivo algum. Algumas vezes chegava a dar quase uma gargalhada sozinho, no meio da rua, ou em qualquer lugar. Talvez, à vista dos outros, parecesse louco. Mas ele não se importava, não gostava de ter que seguir padrões de “normalidade” para viver. Ele sempre achou a “massa” humana patética. Um bando de gente que faz tudo igual e se veste do mesmo jeito só para serem “normais”. E se há alguém que faz diferente, chamam-no de louco e se afastam. “Assim é a sociedade” pensava “Ou você está dentro, ou simplesmente não existe”.
Porém, desta vez seu sorriso tinha um motivo. Passaram-se alguns segundos e um estranho tremor, seguido de um barulho abafado, vindo do outro lado da rua, que rapidamente aumentou, se transformando em um ensurdecedor estrondo, chegou junto com uma forte pressão aérea, estraçalhando as janelas do café. O cheiro de fumaça e plástico queimado tomou conta de região. Uma agência bancaria do outro lado da rua havia explodido. Todos que estavam no café foram apavorados e curiosos para fora, ver o que estava acontecendo. Dom calmamente se levantou, deixou o dinheiro da conta sobre a mesa e também saiu. Dirigiu-se até o seu carro, entrou e trocou de roupa, vestindo trajes de bombeiro, da brigada de incêndio, com máscara de oxigênio e uma mochila de equipamentos. Ficou ali aguardando.

   Passaram-se instantes até que um caminhão do corpo de bombeiros chegou seguido de carros de polícia e ambulâncias e pouco depois, mais um caminhão dos bombeiros. Quando policiais, para-médicos, equipe de resgate e bombeiros já estavam na rua, tentando conter a multidão curiosa e se organizar, Dom saiu de seu carro e foi em direção a porta do banco, onde entrou junto com os outros bombeiros.

   Enquanto a equipe de resgate e a brigada de incêndio tentavam apagar o fogo, achar vítimas ou sobreviventes, Dom desceu as escadas ao fundo do banco e foi até ao cofre, que estava escancarado, mostrando que foi dali que veio a explosão. Haviam notas de dinheiro queimadas, documentos em chamas e várias barras de ouro espalhadas no chão. Dom pegou o ouro e guardou em sua mochila de equipamentos, que estava vazia. Subiu novamente as escadas e saiu calmamente do banco, se misturando com a multidão que estava na rua. Foi até seu carro, onde entrou e deu partida. Virou a primeira esquina e desapareceu.

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