Para que passar horas e mais horas discutindo sobre a violência do Brasil? Para que estudos e mais estudos são feitos para analisar e tentar achar uma solução? E pra que eu perdi tanto tempo no último artigo tentando mostrar que a polícia, se melhor tratada, melhor trabalhará contra o crime? Pra que?

Tudo isso é perda de tempo. Um brilhante juiz mineiro não só descobriu a solução para a violência como ainda nem quis discutir, agiu imediatamente. Proibiu o jogo Counter-Strike!

Counter-Strike é um jogo de computador onde as pessoas jogam online e ficam dando tiros umas nas outras (assim como milhares de outros jogos de computador). A diferença, assim como provou o Exc. Juiz, é que o Counter Strike é o verdadeiro causador da violência no Brasil. Se você joga esse jogo, você é incitado à violência.

Como ninguém tinha pensado nisso antes? Aquele menino que cresce na favela cheio de traficantes armados trocando tiros, só vai se tornar violento se jogar Counter-Strike! E aquele filho de classe média, cujo pai é alcólatra e bate na mãe e nele todos os dias, ele também só se tornará violento se jogar Counter-Strike! As novelas da Globo e os filmes ultra-realistas de Hollywood não representam nenhum tipo de problema, desde que as pessoas que os assistam não joguem Counter-Strike!

Era tão simples resolver o problema da violência e não sabíamos. Basta proibir um jogo de computador. Agora só nos resta esperar para ver a taxa de crimes cair 30, 40, quem sabe até 50%!

Ou então só nos resta largar essa hipocrisia de lado e começar a protestar que, em pleno século XXI, numa sociedade dita democrática que valoriza a liberdade, ainda existam “autoridades-da-censura-benéfica” que com opiniões absurdas assinam um papel como reis absolutistas proibindo isso ou aquilo. Não são vídeogames que incitam ao crime, e sim os políticos, as religiões, e as “autoridades” que se acham donas da verdade.

Em minha infância e adolescência inteiras eu só brinquei de tiros, com armas de brinquedo; videogames eu sempre gostei de dois tipos, e um deles era violento. Contudo, não me lembro se causei brigas nem uma única vez na minha vida. Nunca roubei e nunca matei. Talvez eu seja uma exceção. Ou talvez eu tenha tido pais carinhosos, educação e oportunidades na vida.

Espero o Sr. Juiz, além de proibir Counter-Strike, também esteja doando boa parte de seu enorme salário para ajudar lares que cuidam de crianças abandonadas, para que elas tenham carinho, educação e oportunidades. Mas ele não deve estar fazendo isso porque deve estar muito ocupado pensando em qual será o próximo jogo a proibir.