Transcrição: Criptografia
Essa é a transcrição - com algumas modificações - do Podcast No25 Não é recomendável ler essa transcrição antes de ouvir o podcast. Para ouvir esse podcast, CLIQUE AQUI
Moscow, 1970.
A inteligência soviética recebe uma mensagem criptografada informando que um de seus submarinos, numa manobra de perseguição , colidira com um submarino americano. A embarcação soviética naufragou com toda sua tripulação.
Logo são transmitidas mensagens para os postos de comando navais para que a estratégia de buscar e destruir seja implantada nos arredores suboceanicos da União Soviética. Uma guerra particularmente submarina estava acontecendo por tudo o globo. Era uma guerra, secreta e não oficial. O que fosse perdido ali, também se esqueceria ali. Pois se essa guerra viesse literalmente à tona, uma catástrofe nuclear poderia atingir o planeta.
Contudo, uma outra guerra atingia a superfície terrena: A Guerra Fria, onde as batalhas entre os estados unidos e a união soviética não eram feitas com armas, e sim com espiões, cientistas, matemáticos, dinheiro, códigos, estratégias intelectuais e armamento bélico para intimidação. Era a guerra da comunicação. A guerra dos códigos. Era a guerra invisível!
A história da criptologia é um passeio no campo da criatividade humana. A criptologia foi usada por governantes e pelo povo, em épocas de guerra e em épocas de paz. A criptologia faz parte da história humana porque sempre houve fórmulas secretas, informações confidenciais e interesses os mais diversos que não deveriam cair no domínio público ou na mão de inimigos.
Alemanha, 1943.
Enquanto bombas destruiam cidades, projéteis matavam homens e aviões se destruíam pelos céus, um exército incógnito e desermado trabalhava incessantemente em uma batalha que decidiria os vencedores da guerra: Eram os criptógrafos;
A batalha era acirrada e a pressão constante. Lutavam arduamente para tentar decifrar as mensagens inimigas codificadas, e ao mesmo tempo eram obrigados a desenvolver códigos cada vez mais complexos para evitar que o adversário conseguisse interceptar suas mensagens.
Contudo os alemães estavam de posse de uma máquina que de genial e indecifrável se tornou a sua ruína: A Máquina Enigma
Os códigos criados por essa máquina, eram tão complexos que os alemães acreditavam ser impossível decifrá-los. Impossível, nada é. Porém, dizer que era quase impossível, não deixa de ser verdade. Um fator que confirma isso foi quando Hartwig Looks, Capitão do submarino U-264, enviou uma mensagem codificada pela máquina enigma ao posto de comando naval alemão. Essa mensagem permaneceu secreta até os dias de hoje, quando em março de 2006 foi finalmente decodificada com a ajuda de mais de 5.000 computadores trabalhando em conjunto.
Isso mostra o quão genial era esse aparelho.
Contudo, durante a segunda guerra, algumas dessas máquinas foram capturadas e analizadas pelos matemáticos e criptógrafos aliados, que, com a genialidade de um matemático e cientista chamado Alan Turing, conseguiram decifrar quase todas as mensagens inimigas que eram interceptadas. E isso foi o que derrotou à Alemanha um ano antes do que o previsto.
A Guerra significou um gigantesco avanço na técnica de criptografia, que nos fez chegar hoje onde estamos.
Mas para entendermos melhor a importância da criptografia na história, talvez seja interessante voltarmos alguns mil anos atrás.
A História da Criptografia
A história da criptologia é um passeio no campo da criatividade humana. A criptologia foi usada por governantes e pelo povo, em épocas de guerra e em épocas de paz. A criptologia faz parte da história humana porque sempre houve fórmulas secretas, informações confidenciais e interesses os mais diversos que não deveriam cair no domínio público ou na mão de inimigos.
A palavra Criptografia vem do grego (kriptós = escondido, oculto; grápho = grafia) : é a arte ou ciência de escrever em cifra ou em códigos, de forma a permitir que somente o destinatário a decifre e compreenda ou seja.
A criptografia é tão antiga quanto a própria escrita, já estava presente no sistema de escrita hieroglífica dos egípcios. Os romanos utilizavam códigos secretos para comunicar planos de batalha.
Os métodos de criptografar mensagens não mudaram muito até meados do século XIX. Alguns artefatos foram inventados na antiguidade para ajudar a cifrar e decifrar mensagens. Alguns tipos de codificação, como aquele em que somente substitui uma letra por outra ou por um símbolo, eram muito usados, porém, esse método é facilmente decifrado em alguns minutos ou no mais tardar, algumas horas somente com lápis, papel e dedução.
Depois da primeira guerra mundial e no início da segunda guerra, a interceptação de mensagens inimigas se tornara algo que dificilmente seria evitado, portanto, a necessidade de criptografar mensagens de modo complexo se tornara uma questão de vitória ou derrota.
Assim chegamos aos primeiros computadores, e também a guerra fria, onde a espionagem e o avanço tecnológico deixou muitos generais e outros oficiais com os nervos à flor da pele. Quanto mais avançadas as cifras, mas avançados se tornavam os computadores.
Soviéticos e americanos estavam, então em um ponto onde enviar mensagens por sinal de rádio ou por cabos era tão arriscado quando conversar mais alto que um susssurro em praça pública. Era hora de experimentar comunicações alternativas e impossíveis de serem interceptadas.
Comunicação e Espionagem Psíquicas
Oceano Pacífico, 1960
Um submarino russo navega nas profundezas com uma unica missão: indentificar embarcações e bases secretas americanas em ilhas e costas estrangeiras. A bordo do navio, haviam três passagerios além dos tripulantes. Eles estavam deitados de olhos vendados e ouvidos tampados, mas não estavam dormindo, estavam buscando a localização dos americanos. Era o início da espionagem psíquica.
A união soviétiva começava a investir em pesquisas paranormais para espionagem e comunicação, onde as chances de serem descobertos era praticamente nula. Era um avanço que iria fazer tremer a guerra fria.
Mas os Estados Unidos reagiram rapidamente. Programas secretos treinavam oficiais para espionagem e o que era mais importante: a comunicação telepática. Foi então que nesse mesmo ano vazou a informação de que o submarino nuclear Nautilus havia travado comunicação telepática com uma base terrestre. O Nautilus se encontrava a uma profundidade onde sinais de rádio não podiam alcançar, e esse experimento telepático fez alguns oficiais da marinha ficarem tão excitados que chegaram ao ponto de deixar vazar a informação.
Os soviéticos rapidamente começaram a pesquisar também essa forma de energia psi.
Ambos os lados tentam também pesquisar formas de interferência nas comunicações telepáticas inimigas para espionagem. Contudo, nem sequer boatos de adeptos de conspirações existem dando alguma pista quanto ao sucesso dessas experiências de interceptação de telepatia inimiga.
Mas caso isso seja possível, a solução será unir a criptografia à paranormalidade, e talvez até inventem uma máquina chamada PSI-Enigma.
A guerra foi crucial para nosso desenvolvimento tecnológico. A medicina, a engenharia, a ciência em geral e até a arte foram estimulados. Boa parte dos equipamentos eletrônicos que usamos nos dias de hoje no cotidiano foram criados no passado para uso exclusivo militar. O preço desse avanço técnológico foi de alguns milhões de mortos. E hoje, alguns outros milhões tiveram a vida salva pelo avanço da tecnologia.
Informações Extras
Agora vamos nos aprofundar mais um pouco sobre os ítens tratados nesse podcast.
A Máquina Enigma
Enigma é o nome por que é conhecida uma máquina electro-mecânica de encriptação com rotores, utilizada tanto para a encriptação como para a decriptação de mensagens secretas, usada em várias formas na Europa a partir dos anos 1920. A sua fama vem de ter sido adoptada pela maior parte das forças militares alemãs a partir de cerca de 1930. A facilidade de uso e a suposta indecifrabilidade do código foram as principais razões para a sua popularidade. O código foi, no entanto, decifrado, e a informação contida nas mensagens que ele não protegeu é geralmente tida como responsável pelo fim da Segunda Guerra Mundial pelo menos um ano antes do que seria de prever.
A Enigma foi patenteada por Arthur Scherbius em 1918. Os primeiros modelos (Enigma modelo A) foram exibidos nos Congressos da União Postal Internacional de 1923 e 1924. Tratava-se de um modelo semelhante a uma máquina de escrever, com as medidas de 65×45x35 cm e pesando cerca de 50 kg.
A marinha alemã interessou-se pela Enigma e comprou alguns exemplares, adaptando-as ao seu uso em 1926. Estas primeiras máquinas de uso militar denominavam-se Funkschlüssel C. Em 1928 o exército elaborou a sua própria versão - Enigma G -
Tal como outras máquinas com rotores, a Máquina Enigma é uma combinação de sistemas mecânicos e eléctricos. O mecanismo consiste num teclado, num conjunto de discos rotativos chamados rotores, dispostos em fila; e de um mecanismo de avanço que faz andar alguns rotores uma posição quando uma tecla é pressionada. O mecanismo varia entre diversas versões da máquina, mas o mais comum é o rotor colocado à direita avançar uma posição com cada tecla premida, e ocasionalmente despoletar o movimento rotativo dos restantes rotores, à sua esquerda, à semelhança do mecanismo conta-quilómetros de um automóvel. O movimento contínuo dos rotores provoca diferentes combinações na encriptação.
Fontes Bibliográficas: Aldeia NumaBoa ; Jornal Infinito












English version (click)


Esse site e muito interesante goste d mais