Fator Quebra-Mola
Quem não conhece o chato e velho “quebra-mola”? Também chamado de “lombada” ou “ondulação-transversal” em algumas regiões do Brasil. A função teórica desse obstáculo do trânsito é muito simples: Obrigar o motorista a diminuir a velocidade. Mas obrigar como? Da seguinte forma: ou você pára ou seu carro já era. Ná prática é diferente: A sinalização é péssima, os quebra-molas têm, muitos, tamanhos e formas absurdas (quase um muro) e você muitas vezes só descobre que existe um quando já está passando por cima, destruindo seu carro e colocando sua vida em risco. Sim, quebra-molas matam.
Mas porque estou falando disso? O motivo é o seguinte: Ao pensar bastante sobre a existência do quebra mola e sua função, concluà que o quebra mola é mais que um obstáculo. Ele é um sÃmbolo. Um sÃmbolo tão forte e coerente com nosso paÃs, que acho que deveria ser impresso na bandeira do Brasil. Quebra-mola para o novo sÃmbolo nacional, já!
Para entender isso, vamos à simbologia. Quebra-mola é uma exclusividade de paÃses sub-desenvolvidos, e o Brasil, com certeza, é o lÃder absoluto em quebra-molas. Alguns paÃses mais ricos, têm também, contudo são somente o que conhecemos como “sonorizadores”, que só servem para alertar o motorista e não representam nenhum risco para o carro ou para a vida. Mas no Brasil é diferente. Os brasileiros não cumprem as leis de trânsito; as autoridades do trânsito são sangue-sugas e incompetentes, e os quebra-molas são os únicos que, através de uma espécie de ditadura, conseguem fazer a lei ser cumprida.
Pesquisando pela internet sobre os quebra-molas, descobri um artigo de Bob Sharp onde ele diz que o quebra-mola “É um recurso burro e antinatural para reduzir a velocidade do tráfego”. Concordo, e digo mais: Isso reflete toda a realidade brasileira, tanto o quebra-mola, quanto a definição do sábio Bob.
O Fator Quebra-Mola (FQM), que é como chamaremos essa simbologia agora, pode ser aplicado em toda e qualquer situação polÃtica ou social do Brasil. Tentarei ilustrar:
Imagine um motorista, ele está numa estrada onde o limite de velocidade é de ridÃculos 30km/h. Obviamente ele vai dirigir entre 60 e 80km/h (isso se for um motorista MUITO prudente, pois os mais “comuns” vão estar a 100 ou 120km/h, pois nossa sinalização de trânsito, tanto quanto os limites de velocidade, deveriam ganhar o prêmio de melhor piada do século). Esse motorista vai se deparar com um quebra-mola que o obrigará, então, a diminuir a velocidade. A questão é que, logo que passar pelo quebra-mola, vai se deparar com a pista livre e aumentará a velocidade de novo.
Agora vamos aplicar o FQM: Um polÃtico corrupto é preso pela PolÃcia Federal (que tem se mostrado muito competente), fica alguns dias preso, é interrogado, monta-se CPI ou julgamento, ele é absolvido e logo já está exercendo seu papel de ladrão transvestido novamente.
Deu para entender? PolÃcia = Quebra-mola; Judiciário/CPI = Pista livre para acelerar de novo.
Esse é um exemplo entre milhares. Aplique o FQM em qualquer coisa do Brasil que você verá como é impressionantemente certo.
Agora me veio a idéia de que a polÃcia, principalmente a militar, é bem parecida com o quebra-mola mesmo: se diminuir e passar com cuidado, tudo bem, mas se passar por cima, vai se arrebentar (com sopapos, abuso de autoridade, cacetete, etc.). Mas justiça seja feita: já vi muitos policiais competentes e sensatos, contudo, nesse caso, eles são atropelados pelo judiciário, pelos baixos salários, pela impotência de manter um prisioneiro preso e no final das contas todo mundo se f*** (é a única palavra que define isso, desculpe), menos os criminosos.
O FQM também se aplica na educação: O aluno acorda, vai para aula do ensino público e se depara com professores mal-pagos, mal-amados e com ordens de aprovar todo e qualquer aluno burro ou ignorante para que o Ãndice de reprovação seja baixÃssimo nas estatÃsticas próximas das eleições. O que impressiona é que muitos desses professores se recusam a educar marginais, e querem REALMENTE EDUCAR. E é aà que o professor se torna o quebra-mola dos alunos que, sem estÃmulo da sociedade e da mÃdia para adquirir conhecimento, vêem aquilo como uma obrigação chata e, logo que toca o sinal, vão embora correndo para assistir Malhação, Big Brother, Gugu, Faustão, e outras porcarias populares.
Observando o FQM de forma mais generalizada, podemos ver uma ampla e triste variedade de aplicações. O quebra-mola, no trânsito, é a consequência de um paÃs mal-governado, mal-habitado e mal-educado. Não se consegue - eu diria “quer” - educar e impor limites, então usa-se um tosco quebra-mola para ameaçar a vida e o patrimônio do cidadão, que são as únicas coisas que parecem respeitar. E assim, o FQM é aplicado em tudo: Ao invés de educar, cria-se cotas racistas nas universidades; Ao invés de fazer boas estradas, prega-se placas com limites de velocidade ilusórios; Ao invés de prender, abre-se espaço para as empresas de segurança particular; Ao invés de punir corruptos, abafa-se o caso para a população não se sentir ferida, ao invés de criar vergonha na cara e não fazer sexo em praia pública, manda-se bloquear o YouTube… e por aà vai…
Mas quem se importa? Enquanto houver bunda, futebol e carnaval, deixa o resto prá lá.












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Impressionante Christian!
Realmente, nunca havia feito esta analogia. Mas ela é perfeitamente cabÃvel.
O povo é o grande responsável pela situação da educação em nosso paÃs. Ele cobra que o polÃtico seja honesto, mas o próprio não o é! Se ele pode conseguir uma forma de se aproveitar de uma situação, por mÃsera que seja (estrada livre) ele faz com a proteção de que “todo mundo o faz”, “se eu não fizer, outro o faz”, “o mundo é dos mais espertos…”
Isto é a coisa mais triste que pode acontecer com uma nação. A banalização do correto, do ideal, do bom, do socialmente próspero.
Enquanto a maioria olhar somente para o próprio umbigo, nós não sairemos da lama e ficaremos nos debatendo feito crianças disputando brinquedos das mais variadas espécies…
As pessoas vêem na possibilidade de cometer “pequenos delitos” porque usam a desculpa de que “ninguém é santo”, ou “não serei o único bobo a cumprir a lei”… Eu protesto!
Na estrada mesmo, um ótimo exemplo… Eu sempre respeito os limites de velocidade por duas razões: Não quero ter problemas com policiais escondidos com suas armadilhas móveis à espera de um apressadinho; Sei que se eu estiver dentro do limite, a chance de conseguir me safar de algum imprevisto é maior.
Mas tudo seria lindo se não houvessem uns que não se contentam em respeitar a sinalização e costuram o tráfego a mais de 160km/h com suas famÃlias dentro dos carros, crianças, carros nem sempre novos, caminhões que pedem ultrapassagem e “ai” de quem não sair da frente!
Para que isso? Para chegar em algum lugar 5 minutos mais cedo? Para sentir adrenalina ouvindo o barulho do motor em alta rotação? O vento? Ou o próprio medo? Porque não saltam de pára-quedas, andam de kart, fazem rapel, ou algum esporte? Colocam em risco suas vidas e muitas outras que cruzarão seu caminho levianamente….
Mas isto é só um exemplo… Como alguém com esta conduta, pode criticar um polÃtico corrupto? Um criminoso? Um assassino? Como?
Ele se dá o direito de descumprir as leis (mesmo que falhas) de igual maneira!
Bom, valeu a reflexão e espero que a humanidade não se canse de refletir sobre estes conceitos.
Grande abraço e uma ótima semana a todos.
Pois é! Tinha tocado neste assunto, de leve, lá nos saudosos “Tristes Trópicos” do Rosso Pomodoro, há pouco mais de um ano. “Tempus fugit”.
Foi bom você ter desenvolvido com mais gana essa história maluca dos quebra-molas.
Abraço
Texto muito bom, realmente o quebra-mola simboliza bem o modo das coisas ou até mesmo o nosso “jeitinho”.
Contudo, acredito que o trecho sobre a educação pública não foi muito feliz, pois alunos “burros e ignorantes” são fruto do próprio sistema e não são seres irrecuperáveis que caem do céu nas salas dos professores mal-amados (aqui eu diria “desestimulados”, embora talvez falte amor ou, no mÃnimo, consideração para com eles).
E, apesar da TV aberta ser, à seu modo, algo tão preocupante quanto a desigualdade social e outros problemas (você citou o piores programas mesmo), seria ligeiramente mais interessante (note, *ligeiramente*) se essas crianças de fato fossem assistir televisão e não se envolvessem com questões um tanto piores (sim, à longo prazo estas mesmas crianças estariam extremamente idiotizadas e tal, mas, infelizmente, acontece…).
Enfim, é um texto bastante interessante.
O que você disse sobre “burros e ignorantes” foi exatamente o que eu tentei dizer. São burras e ignorantes por causa da sociedade que assim as quer.
Obrigado pelo comentário! Grande Abraço
Muito bom. Adorei rsrsrs. Que tal colocar a esfera atrás para ficar mais parecido.. ou talvez até balancear as cores para ficar mais nÃtida a placa… assim estendo essa bandeira no Escriba
Muito bom!
Abraços e obrigado!
[...] Essa lei, esse cuidado do governo para economizar dinheiro com ambulâncias e pronto-socorros (acredite, o governo não está nem aà pra você, ele simplesmente calcula onde pode economizar, e se isso cruza com uma falsa impressão de heroÃsmo, vira lei na certa) isso nada mais é do que mais uma comprovação da minha teoria do Fator Quebra-Mola. [...]
Cara, parei. Você falou toda a verdade são apenas burros e ignorantes FQM quer destruir os carros e nossas vidas nunca parei para analisar isso mas é isso mesmo