Notas de uma manhã sem vida

Por Christian Gurtner - 19.09.2006

Há de ferir com duras palavras
o coração da amada.
Pois o fio da adaga de fina ponta
que tenta rasgar a tua alma
é somente seda.
Como todas as armas de um coração embriagado
de vinho, de poesia, de amor.
É somente seda.
Na união impossível
somos como as asas tortas de um pássaro
de canto rouco,
que cai ao primeiro tremor da primavera
para, em seguida, ensaiar as primeiras notas da manhã,
que sem vida,
sem dia,
sem calor,
Me vejo ainda
de adaga na mão
punho em brasa
chamando pela amada.

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