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O Incrível Milagre das Relações

Por Christian Gurtner em 27/09/06

A gestação, o nascimento, a morte, o sobrenatural, a doença, a cura, a sociedade. Tudo isso é muito impressionante. Mas o que mais me impressiona, o que mais me fascina em toda nossa curta existência é o relacionamento entre as pessoas. Ou melhor: O Milagre das Relações. Talvez ache interessante, principalmente, por causa de um motivo: Esse relacionamento só é como é por causa do nascimento, da morte, do sobrenatural, da doença, da cura e da sociedade.

Algo tão cotidiano, tão constante e presente em nossas vidas passa tão despercebido que raramente prestamos atenção. Mas acredite em mim: cada “Oi” que você dá para um desconhecido, ou cada encontro com um conhecido, ou vice-versa, é um grande, misterioso e fascinante milagre que muda todo o mundo.

Porque? Alguns podem chamar de “inevitabilidade”, outros de “caos” e, na verdade, ambos estão certos. As relações travadas entre as pessoas é a principal engrenagem de nossa civilização, tudo que existe hoje, todas as maravilhas, todas as catástrofes, tudo, digo, tudo criado pelo homem, é resultado das infinitas conexões feitas uns com os outros, mesmo que seja somente um “Oi”.

Siga essa linha hipotética: Mark se encontra com Anton, por acaso, na rua, depois de algum tempo sem se verem, se cumprimentam e conversam um pouco -> Se despedem. Mark continua seu caminho para casa, conta para a esposa que encontrou Anton -> A esposa de Mark lembra-se, então, que ficara devendo uma receita para a esposa de Anton e resolve ligar para a mesma. Depois de alguns minutos de conversa elas decidem se encontrar num shopping para fazer compras -> No shopping, ambas entram em várias lojas -> Em uma das lojas, a esposa de Mark esbarra em um senhor de idade e pede desculpas. O senhor diz para que ela não se preocupe e que a conhece de algum lugar -> Depois de conversarem um pouco, eles descobrem que se conhecem de um jantar da empresa de Mark. Aquele senhor é o chefe de seu marido. Eles conversam mais e ela conta do projeto de Mark que não fora aceito pela gerência, mas que ela tem certeza que é um excelente projeto e que não foi aceito por inveja. -> No dia seguinte o chefe de Mark solicita que ele leve o tal projeto diretamente à diretoria. O projeto é aceito, Mark é promovido e tem um volumoso aumento de salário.

Tudo isso porque Mark se encotrara com Anton, por acaso, na rua.

O exemplo ilustrativo acima, é somente uma pequena gota desse “efeito borboleta” das relações, pois não foi somente a linha de Mark que fora influencida por essas conexões. Todas as pessoas que cruzaram com ele, com sua esposa, com seu chefe e travaram uma conexão, com certeza tiveram sua reta modificada através de um efeito criado por uma - ou todas - conexões anteriores.

A história está repleta de personalidades com exemplos claros do que digo: Hitler, quando jovem, fora recusado na Escola de Belas Artes. E se não tivesse sido?

Contudo, o que mais me fascina não são essas consequências enormes, e sim os pequenos elos que se formam e que resultam em algo muito bom ou muito ruim. É mágico conhecer uma pessoa e depois de algum tempo se vê fazendo coisas que não estaria fazendo se não tivesse a conhecido. Essa pessoa será o pivô de mais outras dezenas, centenas, de novas conexões que serão feitas gradativamente.

Hoje, com a internet, essas conexões tomaram proporções inimagináveis. As pessoas travam relações com outros que nunca viram na vida, e só se conhecem por palavras escritas. E até mesmo essas inocentes conversas em um chat-room estão influenciando você, não duvide disso. E o mais incrível: esse artigo também.

É o caos em sua plena forma(?). É o caos de maneira visível e clara. Não podemos controlar isso em um todo, não podemos parar e, muito menos, prever.

Tudo isso é muito piegas. Mas o que muitos não vêem é que, estando claro que um “oi” dirigido à outro alguém, vai se transformar em algo muito grande em determinada hora, que tal dirigir esse “oi” com um grande sorriso?



Esse post foi publicado na categoria "Leituras Diversas", em 27/09/06 às 13:09.
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