O meu ano novo, o seu ano novo
Porque não sou educado o bastante para deixar um post no dia 24 de dezembro desejando feliz natal? Porque não estou nem aí para meus leitores ao ponto de nem deixar um “feliz ano novo” no dia 31? E porque ainda tenho a cara de pau de escrever um artigo dia 2 de janeiro tentando justificar isso?
O natal é para quem acredita que em tal dia nasceu um cara que ressucitava mortos e curava leprosos. E o ano novo nada mais é do que nossa tentativa de controlar o tempo. “Ele está em nossas mãos”.
Obviamente essas datas são determinadas por crenças. Judeus e muçulmanos estão em outro ano. Seria então outro mundo?
Não quero ser o do contra, não me entendam mal. O natal é divertido, apesar do massacre de perus que se tornam na mesa um monte de “hmmm’s” e “Que delícia’s”. O ano novo é bonito: cheio de fogos no céu que nos fazem pensar que ainda nos maravilhamos com as explosões coloridas da mesma forma que acontecia há três séculos atrás. É belo, sem dúvida.
O ano novo é mais belo que o natal. E dessa vez foi mais belo pra mim porque pensei em algo muito interessante enquanto ouvia explosões: a simbologia. Costumo achar certas simbologias e rituais muito interessantes e empolgantes, e nessa hora me rendo até às religiões que critico (com excessão das neo-evangélicas, que me lembram mais um circo de horrores e uma comédia mal feita da Sessão da Tarde do que um ritual humano-divino).
Os rituais nos levam a pensar que há algo mais. Um poder invisível, uma disciplina humana que se torna mágica ao ser executada com sinceridade e precisão. Às vezes penso que rituais são uma necessidade humana. Uma espécie de ignição para poderes de nossa mente que achamos não serem possíveis de ativar sem uma espécie de “abracadabra”, ou seja, um placebo mental.
E o ano novo é um dos rituais mais celebrados pelas pessoas, até pelos ateus. E nessa virada gregoriana para 2008 me veio a idéia de porque nos emocionamos tanto com a passagem do ano: É o único momento de nossas vidas que conseguimos “ver” o tempo. Seja em formato de fogos, multidões contando regressivamente e toda a população celebrando com risos, festa e esperanças. Depois de todas as explosões na noite, acordamos em um dia tranquilo, de um novo ano, um novo ciclo.
Na verdade podemos “ver” o tempo todos os dias, quando conquistas e derrotas acontecem, quando nascimentos e mortes são registrados, quando você encontra uma pessoa que você pegou no colo e agora tem barba na cara. Mas o ritual da virada é um dos poucos momentos em que você REALMENTE presta atenção no tempo. E como disse no podcast passado, criamos esse formato de “tempo” porque precisamos dele. Precisamos das palavras “ontem”, “hoje” e “amanhã”. O tempo é nossa referência de vida, de mundo e de consciência. E é por isso que no reveillon muitos costumam se sentir mais vivos.
Eu bebi espumante no reveillon. Mas comemoro meu próprio reveillon no dia 30 de maio. O mundo pra mim não tem milhares de anos, nem centenas. Tem somente poucas dezenas. O mundo se criou pra mim no dia 30 de maio. E foi nessa data que aconteceu o fim do mundo para Joana D’arc. Esse é dia mais certo para que eu comemore a virada de mais um ano, pois quem me garante que tudo só não passou a existir depois que eu nasci? O que eu não estou vendo nesse momento, não existe. Só existe quando interage comigo. Uma visão, uma ligação, uma notícia lida… Essa é uma teoria muito estranha que tudo sou eu, minha mente cria tudo. Mas deixo ela de lado porque realmente é muito estranha.
E aqui vai uma profecia de início de ano: o fim do mundo acontecerá entre os próximos minutos e 100 anos no máximo COM CERTEZA (pelo menos o meu mundo).
Não desejo feliz ano novo à vocês. Mas desejo FELIZ TODOS OS DIAS. Muito obrigado à todos que me acompanham, sem vocês o Escriba Cafe já teria partido desse mundo.











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É exatamente como eu falei agora pouco pra você. O ano novo é, talvez, um jeito que a humanidade criou para ainda ter alguma esperança.
A verdade é que todos temos medo da morte, tanto que contamos o tempo até que ela chegue e ficamos nos pergutando quantos anos (ou segundos) ainda temos. Aí entra a religião para suavizar esse medo, ou entra o ateísmo para afirmá-lo e tentar enfrentá-lo de uma forma um tanto egocêntrica.
Tudo é complicado.
André,
Não tenho medo da morte, acho até que a minha poderia vir logo, desde que seja rápida e com o mínimo de sofrimento, lógico.
Acredito que para a maioria, isso parece estranho e coisa se suicida ou radical religioso, mas não é assim.
Estou muito ansioso para ter acesso a outras realizades, outras pessoas, outros lugares em outras dimensões, a vida aqui é muito curta, as opções são tão limitadas! Somos tao primitivos!
Chris,
Essa história de acreditar que as coisas só existem quando interagem com você não é novidade, também já pensei assim e acredito que muitos também tem essa ~percepção~ pode ser um bug em alguma rotina cerebral… ou não… pode ser que cada pessoa seja um universo e que esses universos se tocam, interagem seguindo algum propósito, alguma regra que aguarda ser descoberta… de alguma forma, eventualmente após a morte, quem sabe!?
Feliz todos os dias!
Gz
Caramba Cris!!!!
Eu estou a comemorar todos os dias de minha vida desde q sai de casa!me tornei “independente”, hehehhee!q maravilha! matar um leão por e sem ter bala pra faze-lo!!!bom desde então agradeço a cada dia q passo no mundo!!!!sigo tbm o signo d que ñ certo e errado porem há o te beneficia mais e menos, porem tento seguir os passos menos dolorosos para as pessoas ao meu redor sem perder meu foco estimado e ajudando q quem necessita,ou tem menos q eu!!
sei lá se faço o certo mas o faço com espontaneidade!
sobre cada universo se tocar, todos somos o centro de nossos universos e ao interagirmos com outros nos tornamos parte de um multiverso exterior, que nada mais é: que nossas vidas e o que fazemos delas!!!
Vlw a todos!!!
ABRAÇOS e td de bom em seus respectivos anos novos!!sejam eles qnd forem!!
ATT
Fabrício
Christian:Não sou ligada em Natal e Ano Novo!!!!!!!Mesmo tendo toda essa agitação…vestir branco,ceia,ir a praia,pular 7 ondas,fogos e mais fogos(aqui em minha cidade a prefeitura gasta horrores pra mostrar sua posição através desses bombardeios no ar), todo mundo se abraça,e aquela choradeira….Por que será que choram…por conciência pesada de,não ter feito nada durante o ano,que lhe trouxesse algo em que comemorar,ou por mêdo da velocidade em que o tempo passou, e a idade já começa a pesar? Só sei,que amo os dias de agora,neste instante,sem passado ou futuro,o momento é o hoje….e o meu,é estar comentando,mais um inteligente texto, do Christian…..Abraços!!!!!!!!
Nossa, valeu mesmo a leitura… E quanto a “sem vocês o Escriba Cafe já teria partido desse mundo.” Ainda bem que não partiu… Sim, feliz dia a todos e todos os dias!