Eu poderia falar de tua beleza
assim como muitos outros poemas tentaram
inultimente
Mostrar o quão raro é o brilho que, através de tua alma,
ilumina todo teu corpo,
transforma teu cabelo em ouro
e teu rosto em um quadro angelical
assinado por deuses
Mas não vou falar…

Eu poderia falar de tua força
Aquela que fez de ti uma sobrevivente
num mundo sem amor que gira pelos fracos
que padecem num martírio mentiroso e sem honra
enquanto tu, mora no olimpo, constrói teu olimpo
e vive pelo amor, pela espada materna que fez de ti heroína.
És mãe, és pai. És força única que padecerá jamais.
Mas não vou falar…

Eu poderia, então, falar de mim.
De como a vejo como lanterna esperançosa na escuridão do nada
Como és tudo que sempre não acreditei. E agora me espanto com a verdade.
De como noite se torna dia e dia se torna noite em tua presença.
E como tudo o mais é mero “tudo o mais” quando olho para ti.
Mas não vou falar…

Não vou falar, pois eu também poderia falar do tempo.
De como aquele grande travesso fez de ti forte demais
Fez dele tarde demais.
E de mim, pobre mortal, aconchegado em sonhos,
Em terras de fantasias infantis, pouco demais para ti
Fez de mim, aquele que poderia ser teu fardo, tua nova dor
E por isso não vou falar…
Vou derramar em prantos eternos
A vida sem ti
E os beijos sem ti
A morte sem ti
mas não vou falar…