Há milhões de anos atrás, o ser humano - ou melhor, a espécie que viria a se tornar o que conhecemos por humanos - passava pela já tão conhecida “seleção natural”, onde só os mais fortes, mais saudáveis e mais aptos a se adaptarem à terra permaneciam vivos e conseguiam se reproduzir. Era a natureza fazendo mais ou menos o que Hitler queria fazer, porém, com mais perícia, precisão e tempo, muito mais tempo.

Esse “holocausto natural” resultou numa espécie que evoluia cada vez mais. Até que, através da tão recente -históricamente falando - “inteligência superior”, começou a dispensar músculos.

É interessante pensarmos que, depois de milhares e milhares de anos dando cajadadas, quebrando cabeças com pedras e estilhaçando espinhas dorsais com socos e deixando somente os mais fortes viverem, os trogloditas se tornam, então, o novo alvo da Sra. Seleção Natural. Se tornaram dispensáveis e estão prestes a se tornarem completamente inúteis.

A bola da vez é a inteligência. Ela conseguiu levar o homem a criar máquinas que fazem o trabalho de mil trogloditas e também armas tão pequenas que possibilitam até uma criança raquítica derrubar quantos trogloditas seu pente de munição permitir. Acabou-se a era da força-bruta.

Músculos enormes hoje só servem para brigas de bar e para consolar a falta de inteligência, fertilidade ou… Bem, não fui eu quem disse isso - pesquisas já tentam provar o fato.

Chegamos na era do homem inteligente - em primeiro lugar - mas também saudável, com menos gordura possível, porém, sem tempo ou estímulo para criar um Everest sob a pele. E assim podemos partir para o cerne da questão: a intolerância.

Antes mesmo de termos exterminado todos os “gorilas-humanos”, já se percebe a lei do mais forte agindo nitidamente contra os menos inteligentes e, muitas vezes, até aos que possuem menos conhecimento. É o próximo passo da seleção natural. Antes vivia o mais forte, agora só viverá o mais inteligente.

É fato. Ninguém consegue manter uma conversasão com outra pessoa menos inteligente. E a comunicação, troca de idéias, opiniões e busca de conhecimento são a base de nossa sociedade, a estrutura moderna de nossa espécie. Quem não está apto a atingir os pontos mais altos será lentamente excluído e engolido pelo inevitável lixo do fracasso evolutivo.

Negar isso é hipocrisia. O fato é que (usando grotescamente de exemplo o controverso quoeficiente de inteligência) uma pessoa de Q.I 100 (que é a média brasileira) não consegue conversar por muito tempo com um desconhecido de Q.I. 80 sem se irritar ou criar uma relação “mestre-vassalo”. Com uma pessoa de 120, aconteceria o mesmo com outra de 100. Uma de 140 com outra de 120. E por aí vai… Até chegar naqueles de 160 pra cima, que… bem, esses já não estão se danando pra mais nada, estão em outro mundo, quase autistas (de acordo com pesquisas).

Aí chegamos no grande erro. Apesar de inteligente, o homem é burro, muito burro. Isso acontece porque evoluímos à uma “inteligênciazinha de nada” e agora estamos nos achando os reis do mundo, os donos da verdade, conhecedores dos mistérios do céu e da terra, os proprietários vitalícios e senhores feudais dos servos naturais.

O resultado dessa convicção idiota nós podemos ver no aquecimento global, na devastação das florestas, na inutilização de rios, nas mortes estúpidas por causa de dinheiro e etc, etc, etc…

Com essa inteligência criamos a sociedade, o capitalismo, o trabalho árduo para SOBREVIVER, os assaltos, a ganância e a gigantesca diferença social de grupos. E essa diferença social se resume no “Eu tenho, eu quero, eu posso” contra o “Não tenho, mas quero, e tentarei inutilmente poder” . (mas tem ainda aqueles do “tenho, não quero e nem quero poder” e “não tenho, quero, mas que pena que não posso” - Esses é melhor nem comentar, são as próximas vítimas da seleção natural). O que acontece é que com essas diferenças, vemos seres estúpidamente idiotas, mas com poder aquisitivo alto, adquirindo algum conhecimento e seres inteligentes que nasceram de famílias miseráveis e não puderam adquirir conhecimento algum.

Nessa bagunça toda, vemos os burros tentado eliminar os inteligentes usando como arma de seleção natural o poder aquisitivo. Pura ilusão!

Existem também burros pobres (que, por sinal, continuarão pobres, sem conhecimento, e ainda achando que a terra é plana e que se derem 10% do meio salário mínimo que ganham como assistentes de servente de pedreiro para uma igreja, Deus vai recompensá-los com uma Ferrari, uma mansão e muito dinheiro na conta do banco), e também existem os ricos inteligentes (estou usando “rico” e “pobre” como se não houvesse meio termo. Nessas circunstâncias, se uma pessoa tem uma casa para morar, comida na mesa em abundância e ainda sobra dinheiro para diversão, essa pessoa já é considerada rica), e assim seguimos, eliminando os pobres (na hipótese improvável para aos dias de hoje, pois sem pobre não há rico no capitalismo e voltaríamos a ser tribais - o que não é uma má idéia) e sobrando só os ricos, não teremos mais diferenças sociais e a única coisa que um teria mais que o outro é a inteligência.

E aí está a intolerância. Os pobres inteligentes já foram eliminados porque não tinham conhecimento e a intolerância com a ignorância é um fator grave nos dias de hoje - é mais fácil se irritar com um ignorante do que tentar ensiná-lo - e assim levamos a ignorância como falta grave. Os pobres burros e ignorantes, então , nem se fala. E agora? O que faremos com os restantes? O que faremos com os ricos burros? Eliminar, é claro. Não estão aptos a fornecer algo para nós. Mas agora só restam ricos inteligentes. Chegamos ao fim? De forma alguma, vai valer o conhecimento. Quem tem menos conhecimento não tem nada a oferecer.. então: FORA!

Oba! Só sobraram ricos inteligentes e cultos. Viveremos, então, felizes para sempre? Não, não, não… Estamos evoluindo. A inteligência vai aumentando… Chega, não é?

Estou só brincando. A burrice do homem vai fazê-lo se auto-destruir bem antes que uma evolução intelectual aconteça.

Oh, Deus, a ignorância é uma benção!