Assine o FEED do Escriba
www.escribacafe.com

O Segredo da Intolerância

Por Christian Gurtner em 22/05/07

Há milhões de anos atrás, o ser humano - ou melhor, a espécie que viria a se tornar o que conhecemos por humanos - passava pela já tão conhecida “seleção natural”, onde só os mais fortes, mais saudáveis e mais aptos a se adaptarem à terra permaneciam vivos e conseguiam se reproduzir. Era a natureza fazendo mais ou menos o que Hitler queria fazer, porém, com mais perícia, precisão e tempo, muito mais tempo.

Esse “holocausto natural” resultou numa espécie que evoluia cada vez mais. Até que, através da tão recente -históricamente falando - “inteligência superior”, começou a dispensar músculos.

É interessante pensarmos que, depois de milhares e milhares de anos dando cajadadas, quebrando cabeças com pedras e estilhaçando espinhas dorsais com socos e deixando somente os mais fortes viverem, os trogloditas se tornam, então, o novo alvo da Sra. Seleção Natural. Se tornaram dispensáveis e estão prestes a se tornarem completamente inúteis.

A bola da vez é a inteligência. Ela conseguiu levar o homem a criar máquinas que fazem o trabalho de mil trogloditas e também armas tão pequenas que possibilitam até uma criança raquítica derrubar quantos trogloditas seu pente de munição permitir. Acabou-se a era da força-bruta.

Músculos enormes hoje só servem para brigas de bar e para consolar a falta de inteligência, fertilidade ou… Bem, não fui eu quem disse isso - pesquisas já tentam provar o fato.

Chegamos na era do homem inteligente - em primeiro lugar - mas também saudável, com menos gordura possível, porém, sem tempo ou estímulo para criar um Everest sob a pele. E assim podemos partir para o cerne da questão: a intolerância.

Antes mesmo de termos exterminado todos os “gorilas-humanos”, já se percebe a lei do mais forte agindo nitidamente contra os menos inteligentes e, muitas vezes, até aos que possuem menos conhecimento. É o próximo passo da seleção natural. Antes vivia o mais forte, agora só viverá o mais inteligente.

É fato. Ninguém consegue manter uma conversasão com outra pessoa menos inteligente. E a comunicação, troca de idéias, opiniões e busca de conhecimento são a base de nossa sociedade, a estrutura moderna de nossa espécie. Quem não está apto a atingir os pontos mais altos será lentamente excluído e engolido pelo inevitável lixo do fracasso evolutivo.

Negar isso é hipocrisia. O fato é que (usando grotescamente de exemplo o controverso quoeficiente de inteligência) uma pessoa de Q.I 100 (que é a média brasileira) não consegue conversar por muito tempo com um desconhecido de Q.I. 80 sem se irritar ou criar uma relação “mestre-vassalo”. Com uma pessoa de 120, aconteceria o mesmo com outra de 100. Uma de 140 com outra de 120. E por aí vai… Até chegar naqueles de 160 pra cima, que… bem, esses já não estão se danando pra mais nada, estão em outro mundo, quase autistas (de acordo com pesquisas).

Aí chegamos no grande erro. Apesar de inteligente, o homem é burro, muito burro. Isso acontece porque evoluímos à uma “inteligênciazinha de nada” e agora estamos nos achando os reis do mundo, os donos da verdade, conhecedores dos mistérios do céu e da terra, os proprietários vitalícios e senhores feudais dos servos naturais.

O resultado dessa convicção idiota nós podemos ver no aquecimento global, na devastação das florestas, na inutilização de rios, nas mortes estúpidas por causa de dinheiro e etc, etc, etc…

Com essa inteligência criamos a sociedade, o capitalismo, o trabalho árduo para SOBREVIVER, os assaltos, a ganância e a gigantesca diferença social de grupos. E essa diferença social se resume no “Eu tenho, eu quero, eu posso” contra o “Não tenho, mas quero, e tentarei inutilmente poder” . (mas tem ainda aqueles do “tenho, não quero e nem quero poder” e “não tenho, quero, mas que pena que não posso” - Esses é melhor nem comentar, são as próximas vítimas da seleção natural). O que acontece é que com essas diferenças, vemos seres estúpidamente idiotas, mas com poder aquisitivo alto, adquirindo algum conhecimento e seres inteligentes que nasceram de famílias miseráveis e não puderam adquirir conhecimento algum.

Nessa bagunça toda, vemos os burros tentado eliminar os inteligentes usando como arma de seleção natural o poder aquisitivo. Pura ilusão!

Existem também burros pobres (que, por sinal, continuarão pobres, sem conhecimento, e ainda achando que a terra é plana e que se derem 10% do meio salário mínimo que ganham como assistentes de servente de pedreiro para uma igreja, Deus vai recompensá-los com uma Ferrari, uma mansão e muito dinheiro na conta do banco), e também existem os ricos inteligentes (estou usando “rico” e “pobre” como se não houvesse meio termo. Nessas circunstâncias, se uma pessoa tem uma casa para morar, comida na mesa em abundância e ainda sobra dinheiro para diversão, essa pessoa já é considerada rica), e assim seguimos, eliminando os pobres (na hipótese improvável para aos dias de hoje, pois sem pobre não há rico no capitalismo e voltaríamos a ser tribais - o que não é uma má idéia) e sobrando só os ricos, não teremos mais diferenças sociais e a única coisa que um teria mais que o outro é a inteligência.

E aí está a intolerância. Os pobres inteligentes já foram eliminados porque não tinham conhecimento e a intolerância com a ignorância é um fator grave nos dias de hoje - é mais fácil se irritar com um ignorante do que tentar ensiná-lo - e assim levamos a ignorância como falta grave. Os pobres burros e ignorantes, então , nem se fala. E agora? O que faremos com os restantes? O que faremos com os ricos burros? Eliminar, é claro. Não estão aptos a fornecer algo para nós. Mas agora só restam ricos inteligentes. Chegamos ao fim? De forma alguma, vai valer o conhecimento. Quem tem menos conhecimento não tem nada a oferecer.. então: FORA!

Oba! Só sobraram ricos inteligentes e cultos. Viveremos, então, felizes para sempre? Não, não, não… Estamos evoluindo. A inteligência vai aumentando… Chega, não é?

Estou só brincando. A burrice do homem vai fazê-lo se auto-destruir bem antes que uma evolução intelectual aconteça.

Oh, Deus, a ignorância é uma benção!



Esse post foi publicado na categoria "Leituras Diversas", em 22/05/07 às 03:05.
[Postar esse artigo no seu twitter] Postar no seu Twitter
Enviar por email Enviar por email
Escreva um comentário
7
comentários
  1. BeTinhO disse:

    Perfeito!

    Como faço pra ultilizar seus textos em outros lugares Christian?

    Escrito em 22/05/2007 às 15:05
  2. Fernando Fazzane disse:

    Fala Christian!

    Há algum tempo venho percebendo que conforme o passo aumenta rumo à evolução intelectual e moral, um movimento contrário fica cada vez mais contrastante. O que tenta insatisfatoriamente segurar e se amarrar à ignorância… mas estes não resistirão por muito tempo e das duas uma: Ou serão arrastados rumo ao progresso, ou decidirão mudar seus conceitos e evoluir juntamente com o movimento.

    Eu penso que todos possuem a mesma capacidade para fazer as mesmas coisas, MAS (este mas é fogo…) cada um pode decidir entre fazer o bem ou o mal, o útil ou o inútil, o agradável ou o desagradável, o justo ou o injusto.

    Aí começa a grande diferença na mente de cada ser pensante…

    Já dizia Sócrates 300 anos antes de Cristo: “Todos nós fazemos durante a vida muito mais o mal que o bem… É natural…”

    Mas a partir do momento em que ele tem capacidade de julgar suas próprias ações, com sua inteligência e razão, ele pode, SE QUISER, não praticar o mal, nem simplesmente “pensá-lo”, pois basta um pensamento para que o mal exista, latente, aguardando o momento em que será colocado em prática… infelizmente é assim… e alguns justificam o próprio veneno, o próprio mal, criando um culpado, um “bode-expiatório” para purificar sua própria maldade. O Diabo, Demônio, Lúcifer e amigos… rs…

    Creio sim que o nosso planeta passará por mudanças drásticas no ambiente social, no meio ambiente natural e muita água (potável e saloba) vai rolar…

    Estas transformações farão as pessoas a se unirem, a se tolerarem, a coexistirem, a se respeitarem, a se verem como os moradores do mesmo planeta, da mesma casa, de uma grande nação. A dos Terráqueos.

    Não há peso de maldade que triunfe sobre um fio de bondade que seja. É como um único palito de fósforo que acendido ilumina qualquer escuridão. A bondade, o amor é uma opção. Basta escolhê-la, não é?

    Independente de religiões, credos, cultos, mitos, o que seja… Somos um só povo. E o dia em que nos respeitarmos, o dia em que nos unirmos em prol da humanidade humana terráquea, da natureza, da paz, creio que viveremos em um planeta muito mais gostoso e feliz de se viver.

    Talvez isto tudo não aconteça, mas é o que eu acredito.

    Otimismo? Utopia? Não sei… Talvez seja… talvez seja intuição… ou alguns palitos de fósforo que vejo aceso nesta escuridão que me permitem pensar assim…

    Grande abraço e acendam seus palitos! Vamos iluminar esta caverna escura, cruel e fria! Vamos aquecer e iluminar nossos irmãos terráqueos! Vamos todos ser mais felizes… não é tão difícil… basta optar…

    Fernando Fazzane

    Escrito em 23/05/2007 às 13:05
  3. Oi Betinho. Obrigado. Me mande um email contando o que deseja fazer com meus textos… se não for para colocá-lo no novo “index” do papa como prova de heresia para me queimar, podemos dar um jeito.

    Grande Abraço!

    Escrito em 23/05/2007 às 13:05
  4. Maria Lucia disse:

    O planeta caminha a´passos lentos para evolução, mas caminha…Chegará o tempo em o homem, irá seguir caminhos melhores, tanto na educação,cultura e na sua reforma íntima.Talvez não será daqui a pouco, ou amanhã…mas esse dia chegará.Vale a pena investir no ser humano e acreditar em dias gloriosos!

    Escrito em 23/05/2007 às 15:05
  5. Maria Lucia disse:

    O Planeta caminha a passos lentos a sua evolução, mas caminha…Haverá dias de dor e lutas, haverá dias de alegria e paz…porque tudo dura um certo tempo…Chegará tempos melhores onde a educação,cultura andaram juntos,transformando os homens para o bem, porque o homem entenderá que somente esse caminho os levarão á dias gloriosos.

    Escrito em 23/05/2007 às 15:05
  6. Oi Chris,

    Citando novemente uma série de ficçao cientifica, lembro de um epsódio de Jornada nas Estrelas em que um planeta inteiro era povoado por pessoas belas, inteligentes e cultas, mas…

    Metade da populacao possuia olhos azuis e a outra metade, olhos verdes. A única diferença era esta, fisicamente todos eram extremamente semelhantes, quase clones, mas…

    O planeta estava em uma espécie de guerra civil ha anos e não havia perspectiva de uma solução a curto prazo.

    É claro que a turma da Enterprise resolve o problema depois de 30 minutos de série e quatro intervalos comerciais, mas…

    Nós não podemos esperar que um bando de ETs venha resolver nossos problemas, mas caso nao mudemos nosso “modus operandi”, podemos chegar a uma situação ridícula semelhante, quer dizer…

    É claro que caso a intolerancia esteja em alta, cada um dos lados irá desenvolver uma arma que elimine de uma só vez todos que possuem “olhos verdes” ou “olhos azuis” ou “tenham QI abaixo de 130″ ou coisa semelhante.

    Imaginem a fase de testes do desenvolvimento de uma arma semelhante!

    Imaginem de os dois lados estiverem desenvolvendo simultaneamente armas semelhantes…

    Ficção?

    Nao, estou certo que nao. Já criamos e utilizamos muitas coisas hoje que eu acreditava ha poucos anos que eram ficção!

    Ah! Também estou certo que você leitor é intolerante com relação a algum assunto ou ponto de vista.

    Abraços e PAZ a todos
    Gz

    Escrito em 25/05/2007 às 14:05
  7. A. J. disse:

    Sempre quis respostas mas nunca cheguei a uma conclusão tão exata
    de tudo que eu imaginava sobre esse tipo de intolerancia…

    Meus parabéns pelo texto, pela resposta que eu precisava entender e
    pela veracidade de tudo que foi escrito…
    AJ

    Escrito em 21/02/2008 às 09:02

RSS feed para os comentários desse post. | TrackBack URL

Escreva um comentário