Onde há fumaça, há fogo
Por Christian Gurtner - 01.10.2009
Devido a repercussão e as diversas interpretações do artigo anterior, resolvi escrever esse outro artigo, dessa vez explicitando o cerne do texto anterior, o qual por ter escrito de uma forma passional (como definido num dos comentários), acabei, talvez, por ofuscar o que realmente eu quis expressar.
A questão toda não está na poluição e nem mesmo nos malefícios disso ou daquilo, e sim nas decisões políticas, práticas demagogas e a exploração de um povo que parece se contentar com o mínimo por ter sido tão oprimido durante vários anos.
Vamos seguir daqui com perguntas e respostas:
O cigarro faz mal?
Sim. Apesar de haver várias controvérsias sobre o real malefício do cigarro (Vide forces.org), sou a favor de sempre “contar pra mais” em caso de dúvidas.
O que o governo ganha com a venda de cigarros?
Muito dinheiro. Os elevadíssimos impostos sobre o cigarro sempre injetaram uma boa quantidade de dinheiro aos cofres públicos.
Então se o governo cria leis para diminuir o uso do cigarro é porque ele realmente se importa com nossa saúde, já que vai perder dinheiro com isso?
Aqui começa a ilusão. Impostos podem ser aplicados usando um trecho da lei da conservação da matéria, de Lavoisier: “…Nada se perde, tudo se transforma”
Da mesma forma que todos puderam comprar carros e geladeiras mais baratos, tirando o IPI e aumentando o imposto do cigarro para compensar, sem o imposto do cigarro o valor faltante será embutido em outros impostos da mesma forma.
Então o imposto não é o problema. A preocupação do governo é com os fumantes – não com a saúde deles e sim com os gastos que eles geram. Um fumante supostamente gera gastos muito maiores pelo SUS e tem seu rendimento prejudicado no trabalho (seja pelo fato de sair para fumar toda hora ou pelo fato de não ter resistência ou ter crise de abstinência) afetando assim a produção na indústria e demais áreas.
Conclusão: Conseguindo fazer com que a população pare de fumar, o governo continuará ganhando o mesmo valor em impostos e economizará muito mais dinheiro pelo SUS e INSS.
Independente do objetivo do governo, o ar fica mais limpo e o governo tem mais dinheiro para investir em outras coisas, então pra que criticar essa decisão?
É assim que não podemos pensar. E é assim que a maioria pensa. Devemos parar de nos contentar com pouco, de aceitar migalhas para ficar calados. Lembrem-se que nossos impostos (uns dos maiores do mundo) praticamente somem. Somem nas mãos dos corruptos, nos gigantescos salários dos políticos, servidores e funcionários públicos desnecessários, nos desperdícios, nas obras eternamente inacabadas, na propaganda eleitoral (SIM) e nas mãos do David Copperfield (aquele dinheiro que ninguém viu e ninguém sabe). Portanto não usemos o “dinheiro extra” como argumento, pois o governo já tem mais do que o bastante para transformar nosso país em nação de primeiro mundo.
E se a questão é a limpeza do ar, então que o governo realmente o limpe.
Mas um passo de cada vez. Acabar com a fumaça dos cigarros é muito mais fácil do que acabar com os automóveis velhos e desregulados, então não é já uma boa ação pra começar?
Será que realmente é mais fácil? Proibir o cigarro como foi feito na lei anti-fumo gera gigantescos obstáculos para o governo: A poderosíssima indústria do tabaco, as associações e empresários donos de casas noturnas, bares e restaurantes, etc… todos se tornam opositores e repudiam – de forma quase indireta – a lei, fazendo de tudo para derrubá-la.
Já criar leis e executar ações que visem tirar os carros velhos de circulação será a alegria da indústria automobilística e também do próprio governo.. mais vendas, mais dinheiro dos impostos, mais desenvolvimento, provável queda no valor dos automóveis e melhores condições para adquirí-los, criando oposição somente dos proprietários de veículos velhos. Onde está a dificuldade aí?
Então o que está acontecendo?
A maioria dos brasileiros não fuma, ano que vem é época de eleição, e os cofres públicos estão economizando dinheiro. Já dá pra deduzir a partir daqui?
O cigarro foi por muitos anos sendo gradativamente endemoninhado. Hoje um fumante não pode exigir fumar em qualquer lugar, nem ciriticar diretamente a leis contra o cigarro, já que se tornou de senso comum a vilania do cigarro, é quase amoral e monstruoso defender o cigarro.
Já tirar os automóveis velhos não é boa idéia, já que a poluição terrivelmente venenosa dos automóveis não teve essa mesma taxação. É o egoísmo. Fumantes e não-fumantes têm seus carros, seus caminhões e vêem eles como um mal MUITO necessário. Mas um mal não tão mal quanto o cigarro. E esses donos de automóveis se vêem no direito de ir contra qualquer lei para tirar os ferro-velhos de circulação, se sentirão lesados e, assim, VOILÁ: Menos votos!
Se eu estiver errado, me corrijam.
P.S: Os comentários do artigo anterior, embora fora do cerne (por minha culpa, aliás), estão muito construtivos e vale a pena ler.
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