Para o povo, Pão e Circo
O que mais precisam? Tendo isso, eles não querem mais nada. Não têm perspectiva, não têm objetivos grandiosos. Querem só comer e se divertir. Assim cresceu o império romano.
Mas uma minoria do povo não era controlada. Possuía conhecimento. E esses estavam no encalço pela disputa de poder que era facilitada pelas conspirações e traições palacianas que acabavam por abrir uma lacuna de corrupção no governo regente que era desmantelado.
Mas o governo seguia. O importante era manter o povo calado. Calado e contente com a esmola que recebia e era de receio geral que essa fosse perdida numa revolta. Anfiteatros para peças e lutas de gladiadores eram construídos, o pão, o mísero pão era distribuído como um gesto de grande “generosidade” e “solidariedade” dos governantes.
Pão e circo. Educação não. Educação é prejudicial. Educar o povo é abrir seus olhos para a podridão que já causa vômitos nos que a compreendem, mas são minoria. Uma minoria esmagada por um exército de iletrados que continuam sorrindo com um pão sujo na mão, um circo armado e nenhuma visão.












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Adorei seu texto, Christian! Ele toca em pontos muito próximos às realidades que eu vivi. E assim não pude me calar.
Nos útimos cinco anos tenho constatado que o Estado realmente quer DESeducar o povo - seja no âmbito estadual, seja no federal.
Para citar um dos inúmeros exemplos, temos o fato hediondo de o nosso governador Aécio Neves ter comprado as famílias podres mineiras com livros didáticos, que foram entregues somente no mês de agosto, sendo que a mídia divulgou que os alunos já os haviam recebido desde o início das aulas, em fevereiro.
Creio que, para melhorar a educação, a primeira medida seria fazer com que o professor recebesse um salário compatível com seu volume de trabalho, com sua responsabilidade, sua formação e, sobretudo, sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade. Hoje vemos que ele recebe menos que um trocador ônibus, que tem somente a 8a. série. Muitos professores são pós-graduados - especialistas, como eu. Outros são mestres, ou doutores.
Sabemos que países como Alemanha, Japão, Indonésia, China e muitos outros, se reergueram através da educação. Talvez esse fato faça com que eu considerasse Cristovam Buarque o melhor dos candidatos a presidente do Brasil.
Durante o período em que trabalhei como professor da maior escola pública estadual de belo horizonte, que recebe alunos de toda a BH e região metropolitana, percebia que, a cada ano que passava, os adolescentes estavam ficando cada vez mais alienados. Seus valores estavam ficando cada vez mais fúteis (se é que eles os tinham). Esses meninos(as) tinham cada vez menos objetivos na vida. Alguns já conheciam, de uma forma bastante imatura e prematura, a vida afetivo-sexual. Eu via essa falta de perspectivas em seus olhares.
Creio que isso seja fruto de uma educação familiar desestruturada e dos valores pregados pela mídia. Mas isso é fruto, sobretudo, dessa política nojenta da PSEUDO-extinção do analfabetismo. Mas são só estatísticas, números. Será que é tão difícil perceber que não adianta saber ler e escrever, ter conhecimento científico, tecnológico e histórico-social se vc não sabe interpretá-los e utilizá-los com o objetivo de melhorar a nossa vida? Os meus alunos não sabiam nem o básico, o que dirá de saber aplicá-los.
O que eu via era uma decida vertiginosa em um poço que parecia não ter fim. Mas ele tem. Estamos quase chegando no fundo dele.
Como não fui corajoso o suficiente, não permaneci professor da rede estadual de ensino até que pudesse testemunhar a que ponto chegaríamos.
Hoje sou feliz trabalhando com adoscentes especiais. Especiais no sentido de serem mais bem educados pela família e, consequentemente, menos vulneráveis à pseudo-realidade ostentada pela mídia brasileira e reproduzida esdruxulamente pelos 95% da população brasileira, que não tem acesso à educação de boa qualidade e à cultura. Meus alunos de hoje fazem parte dos 5%. Claro. Passaram por uma seleção dura. Eu também faço parte dos 5%. E os outros 95%? Continuarão sendo manipulados? Continuarão achando tudo lindo? Continarão achando que terminar em pizza é algo normal? Achando que ter um corpo e um rosto esculpidos por bisturi é mais importante do que pensar? Achando que malhar o corpo (muitas vezes da cintura pra cima, rs) numa academia é melhor do que malhar o cérebro lendo bons livros, tendo posicionamento político, assistindo bons filmes, bons espetáculos teatrais e de dança?
A maioria dos adolescentes de hoje não consegue nem desligar o celular quando, raramente, está assistindo uma peça teatral - geralmente uma comédia do besteirol belorizontino. Nada contra a fazer rir. Fazer irir é muito importante. Rir é muito importante. Mas pensar é tão importante quanto.
Sidnei Honório