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	<title>Comments on: Para o povo, Pão e Circo</title>
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	<description>Podcast e blog do escritor Christian Gurtner. Historia, magia, literatura e cultura. Uma viagem ao mundo do fantastico e real.</description>
	<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 23:37:11 +0000</pubDate>
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		<title>By: Sidnei Honório</title>
		<link>http://www.escribacafe.com/para-o-povo-pao-e-circo/#comment-1458</link>
		<dc:creator>Sidnei Honório</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Oct 2006 22:45:58 +0000</pubDate>
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		<description>Adorei seu texto, Christian! Ele toca em pontos muito próximos às realidades que eu vivi. E assim não pude me calar.
Nos útimos cinco anos tenho constatado que o Estado realmente quer DESeducar o povo - seja no âmbito estadual, seja no federal. 
Para citar um dos inúmeros exemplos, temos o fato hediondo de o nosso governador Aécio Neves ter comprado as famílias podres mineiras com livros didáticos, que foram entregues somente no mês de agosto, sendo que a mídia divulgou que os alunos já os haviam recebido desde o início das aulas, em fevereiro. 
Creio que, para melhorar a educação, a primeira medida seria fazer com que o professor recebesse um salário compatível com seu volume de trabalho, com sua responsabilidade, sua formação e, sobretudo, sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade. Hoje vemos que ele recebe menos que um trocador ônibus,  que tem somente a 8a. série. Muitos professores são pós-graduados - especialistas, como eu. Outros são mestres, ou doutores. 
Sabemos que países como Alemanha, Japão, Indonésia, China e muitos outros, se reergueram através da educação. Talvez esse fato faça com que eu considerasse Cristovam Buarque o melhor dos candidatos a presidente do Brasil. 
Durante o período em que trabalhei como professor da maior escola pública estadual de belo horizonte, que recebe alunos de toda a BH e região metropolitana, percebia que, a cada ano que passava, os adolescentes estavam ficando cada vez mais alienados. Seus valores estavam ficando cada vez mais fúteis (se é que eles os tinham). Esses meninos(as) tinham cada vez menos objetivos na vida. Alguns já conheciam, de uma forma bastante imatura e prematura, a vida afetivo-sexual. Eu via essa falta de perspectivas em seus olhares. 
Creio que isso seja fruto de uma educação familiar desestruturada e dos valores pregados pela mídia. Mas isso é fruto, sobretudo, dessa política nojenta da PSEUDO-extinção do analfabetismo. Mas são só estatísticas, números. Será que é tão difícil perceber que não adianta saber ler e escrever, ter conhecimento científico, tecnológico e histórico-social se vc não sabe interpretá-los e utilizá-los com o objetivo de melhorar a nossa vida? Os meus alunos não sabiam nem o básico, o que dirá de saber aplicá-los. 
O que eu via era uma decida vertiginosa em um poço que parecia não ter fim. Mas ele tem. Estamos quase chegando no fundo dele. 
Como não fui corajoso o suficiente, não permaneci professor da rede estadual de ensino até que pudesse testemunhar a que ponto chegaríamos. 
Hoje sou feliz trabalhando com adoscentes especiais. Especiais no sentido de serem mais bem educados pela família e, consequentemente, menos vulneráveis à pseudo-realidade ostentada pela mídia brasileira e reproduzida esdruxulamente pelos 95% da população brasileira, que não tem acesso à educação de boa qualidade e à cultura. Meus alunos de hoje fazem parte dos 5%. Claro. Passaram por uma seleção dura. Eu também faço parte dos 5%. E os outros 95%? Continuarão sendo manipulados? Continuarão achando tudo lindo? Continarão achando que terminar em pizza é algo normal? Achando que ter um corpo e um rosto esculpidos por bisturi é mais importante do que pensar? Achando que malhar o corpo (muitas vezes da cintura pra cima, rs) numa academia é melhor do que malhar o cérebro lendo bons livros, tendo posicionamento político, assistindo bons filmes, bons espetáculos teatrais e de dança?
A maioria dos adolescentes de hoje não consegue nem desligar o celular quando, raramente, está assistindo uma peça teatral - geralmente uma comédia do besteirol belorizontino. Nada contra a fazer rir. Fazer irir é muito importante. Rir é muito importante. Mas pensar é tão importante quanto.

Sidnei Honório</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei seu texto, Christian! Ele toca em pontos muito próximos às realidades que eu vivi. E assim não pude me calar.<br />
Nos útimos cinco anos tenho constatado que o Estado realmente quer DESeducar o povo - seja no âmbito estadual, seja no federal.<br />
Para citar um dos inúmeros exemplos, temos o fato hediondo de o nosso governador Aécio Neves ter comprado as famílias podres mineiras com livros didáticos, que foram entregues somente no mês de agosto, sendo que a mídia divulgou que os alunos já os haviam recebido desde o início das aulas, em fevereiro.<br />
Creio que, para melhorar a educação, a primeira medida seria fazer com que o professor recebesse um salário compatível com seu volume de trabalho, com sua responsabilidade, sua formação e, sobretudo, sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade. Hoje vemos que ele recebe menos que um trocador ônibus,  que tem somente a 8a. série. Muitos professores são pós-graduados - especialistas, como eu. Outros são mestres, ou doutores.<br />
Sabemos que países como Alemanha, Japão, Indonésia, China e muitos outros, se reergueram através da educação. Talvez esse fato faça com que eu considerasse Cristovam Buarque o melhor dos candidatos a presidente do Brasil.<br />
Durante o período em que trabalhei como professor da maior escola pública estadual de belo horizonte, que recebe alunos de toda a BH e região metropolitana, percebia que, a cada ano que passava, os adolescentes estavam ficando cada vez mais alienados. Seus valores estavam ficando cada vez mais fúteis (se é que eles os tinham). Esses meninos(as) tinham cada vez menos objetivos na vida. Alguns já conheciam, de uma forma bastante imatura e prematura, a vida afetivo-sexual. Eu via essa falta de perspectivas em seus olhares.<br />
Creio que isso seja fruto de uma educação familiar desestruturada e dos valores pregados pela mídia. Mas isso é fruto, sobretudo, dessa política nojenta da PSEUDO-extinção do analfabetismo. Mas são só estatísticas, números. Será que é tão difícil perceber que não adianta saber ler e escrever, ter conhecimento científico, tecnológico e histórico-social se vc não sabe interpretá-los e utilizá-los com o objetivo de melhorar a nossa vida? Os meus alunos não sabiam nem o básico, o que dirá de saber aplicá-los.<br />
O que eu via era uma decida vertiginosa em um poço que parecia não ter fim. Mas ele tem. Estamos quase chegando no fundo dele.<br />
Como não fui corajoso o suficiente, não permaneci professor da rede estadual de ensino até que pudesse testemunhar a que ponto chegaríamos.<br />
Hoje sou feliz trabalhando com adoscentes especiais. Especiais no sentido de serem mais bem educados pela família e, consequentemente, menos vulneráveis à pseudo-realidade ostentada pela mídia brasileira e reproduzida esdruxulamente pelos 95% da população brasileira, que não tem acesso à educação de boa qualidade e à cultura. Meus alunos de hoje fazem parte dos 5%. Claro. Passaram por uma seleção dura. Eu também faço parte dos 5%. E os outros 95%? Continuarão sendo manipulados? Continuarão achando tudo lindo? Continarão achando que terminar em pizza é algo normal? Achando que ter um corpo e um rosto esculpidos por bisturi é mais importante do que pensar? Achando que malhar o corpo (muitas vezes da cintura pra cima, rs) numa academia é melhor do que malhar o cérebro lendo bons livros, tendo posicionamento político, assistindo bons filmes, bons espetáculos teatrais e de dança?<br />
A maioria dos adolescentes de hoje não consegue nem desligar o celular quando, raramente, está assistindo uma peça teatral - geralmente uma comédia do besteirol belorizontino. Nada contra a fazer rir. Fazer irir é muito importante. Rir é muito importante. Mas pensar é tão importante quanto.</p>
<p>Sidnei Honório</p>
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