Podcast LXIX – Brasil :: Parte 2 :: O Império
Por Christian Gurtner - 13.02.2010
Segunda parte da trilogia da história do Brasil. Conheça o seu país!
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Ficha TécnicaTranscrição do podcast: Podcast LXIX – Brasil :: Parte 2 :: O Império
A ascensão de Napoleão
França, anno domini de 1791
Após a revolução francesa e a queda da monarquia absolutista, a França passava por uma conturbada fase onde tentava-se a todo custo impor os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
Muito sangue foi derramado durante e principalmente após a revolução francesa. Intrigas, conspirações, paranóias por parte dos revolucionários e principalmente incidentes externos, levavam a França à uma batalha sem fim.
Os revolucionários começavam a perder o controle de sua revolução e a frança caminhava para o caos.
Temendo que as perigosas idéias francesas contaminassem seus reinos, vários outros países da Europa se uniram contra a França.
E durante as batalhas erguidas, se destacou um oficial que se mostrara extremamente habilidoso nas batalhas, e que com apenas 24 anos de idade, fora promovido a general.
Considerado um dos maiores gênios militares da história, Napoleão Bonaparte rapidamente ganhou poder enquanto vencia os exércitos estrangeiros e impunha a ordem na França. Rapidamente se tornou cônsul, recebendo assim poderes irrestritos, até que em 1804 se auto proclamou Imperador da França.
Invasões napoleônicas
Com o claro objetivo de subjugar toda a Europa, Napoleão mostrava cada vez mais sua genialidade militar. Reino após reino era derrotado pelas tropas francesas. Exércitos mais poderosos e numerosos eram vencidos pela estratégia ousada e movimentação rápida das tropas de Napoleão que passaram vários anos sem conhecer a derrota.
Protegida pelo Canal da Mancha, a Inglaterra era o único reino da Europa que ainda não estava ao alcance de Napoleão. Os ingleses eram no mar o que Napoleão era em terra, e por isso o imperador francês resolver atacar os Ingleses em outro ponto: na economia.
Napoleão decretou o bloqueio continental, fechando assim todos os portos europeus aos produtos britânicos e, dessa forma, isolando a Inglaterra do resto da Europa.
Mas ainda havia um pequeno, desprotegido, ultrapassado e solitário reino que possuía uma aliança com a Inglaterra e não podia acatar as ordens dos franceses e mantiveram seus portos abertos à Inglaterra: Trata-se de Portugal.
Portugal e seu dilema
A aliança de Portugal com a Inglaterra era baseada no temor. Os portugueses sabiam muito bem o que a potência inglesa fazia com reinos que quebravam suas alianças. Por isso os portugueses tentaram enrolar Napoleão e assim ganhar tempo para resolverem esse dilema.
O tempo era muito necessário aos portugueses que viviam num dos países mais atrasados da Europa, viram sua rainha perder o trono depois de ficar louca e eram agora governados pelo príncipe regente D. João VI.
D. João era conhecido por sua completa incapacidade de tomar decisões, deixando sempre esses assuntos mais graves nas mãos de seus ministros. Mas dessa vez o príncipe regente estava contra a parede: ou obedecia as ordens de Napoleão e era devastado pela Inglaterra ou mantinha sua aliança com a Inglaterra e era devastado por Napoleão.
As opções de Portugal
No ano de 1807, depois de os portugueses esgotarem todas suas manobras para ganhar mais tempo, as tropas napoleônicas iniciaram sua marcha em direção à Portugal.
Não havia mais espaço para indecisões. D. João VI estava a um passo de sua ruína.
Surge então uma oferta dos Ingleses para ajudar Portugal a sair de seu dilema. A Inglaterra ofereceu embarcar e escoltar a côrte portuguesa para o Brasil, onde estariam a salvo de Napoleão e de qualquer guerra. Era a sombra e a água fresca para os quais o Príncipe regente nascera.
A outra opção dos portugueses era enfrentar o exército francês junto com os ingleses. Mas essa idéia obviamente nem chegara perto de ser cogitada por um príncipe covarde e indeciso, portanto, finalmente a decisão estava tomada.
O embarque
No dia 6 de novembro de 1807, uma esquadra inglesa comandada por Sir Sidney Smith ancora na foz do Rio Tejo em Portugal. Nos navios, mais de 7000 homens compunham a tropa britânica, que estava ali com duas ordens: a primeira era embarcar, proteger e escoltar a corte Portuguesa até o Brasil. A segunda ordem, era, caso a primeira não fosse cumprida, bombardear Lisboa.
A idéia de abandonar Portugal e mudar a côrte para o Brasil não era nenhuma novidade. Várias vezes durante a história, essa sugestão fora cogitada, chegando ao ponto até de afirmarem que perder aquele pequeno país, completamente desprotegido na Europa, seria mais lucrativo. Contudo essa idéia nunca chegara a ser concretizada. Mas naquele novembro de 1807, não havia mais o que pensar e nem mesmo tempo a perder. Os franceses já estavam na fronteira.
Durante o amanhecer, uma correria e vai e vém de carruagens, carroças e pessoas, acontecia no porto. Com a decisão tomada de última hora, o embarque fora praticamente improvisado.
A rainha, o príncipe regente, seus filhos, sua esposa Carlota Joaquina e toda a côrte portuguesa se apressavam em embarcar diante de uma multidão de cidadãos que começava a se amontuar no porto e assistir incrédulos todo o governo português fugir para além mar.
A população se sentiu desamparada e completamente abandonada, e muitos apedrejavam as carruagens que iam passando em direção aos navios. O príncipe regente já havia perdido sua autoridade em seu reino. Oficiais dos fortes se recusaram as obedecer as últimas ordens do príncipe, dizendo que se ele queria fugir e abandonar seu povo, os oficiais passariam a receber ordens de quem quer que tomasse Portugal.
D. João VI limpara os cofres públicos para sua viagem, levando toda a riqueza à bordo dos navios. O embarque foi tão corrido e improvisado que muita coisa ficou para trás, até mesmo caixas com as obras da Real Biblioteca.
Os navios zarparam e enquanto ainda podiam ser vistos no horizonte, as tropas francesas chegaram à Lisboa.
Quando os franceses chegaram, ficou nítido que se o príncipe regente tivesse decidido ficar e lutar, teria facilmente ganho a batalha, pois, depois da longa e penosa marcha, os soldados franceses entraram em Lisboa mais parecendo mendigos do que soldados. Suas roupas estavam já encardidas e rasgadas, andavam praticamente descalços, magros, fatigados, e com as armas inutilizáveis.
A chegada no Brasil
Depois da longa e penosa viagem, no dia 22 de 1808 D. João aporta na Bahia. Os planos iniciais era que fossem direto para o Rio de Janeiro, mas por um mistério que permanece até hoje, D. João mudou os planos repentinamente, ordenando que a primeira parada no Brasil fosse na Bahia. Assim que chegou, o príncipe decretou a abertura dos portos às nações amigas, e após algumas semanas, D. João vai definitivamente para o Rio de Janeiro.
A nova vida no Brasil
Diante da transferência da sede da monarquia para o Brasil, com a capital no Rio de Janeiro, a vida na colônia mudou muito.
O acesso aos livros e a vida cultural eram uma grande novidade para os Brasileiros. Além disso, academias literárias e científicas foram criadas, teatros e bibliotecas erguidos e novas idéias circulavam por todos os cantos. Em setembro de 1808 o primeiro jornal foi publicado no Brasil.
Todas essas mudanças vinham para atender a necessidade da côrte, mas que refletiu em toda a população. O Rio agora estava predestinado a ser a região mais rica da colônia, tanto econômica quanto culturalmente. Nesse mesmo ano, D. João VI criou o Banco do Brasil.
O príncipe trouxe tropas de Portugal para policiarem as principais cidades brasileiras, e o clima de monarquia crescia cada vez mais.
Outro choque cultural foi o fato de que os brasileiros não estavam acostumados a ter reis e príncipes perambulando pelas ruas e não tinham nenhuma noção dos protocolos a serem seguidos diante de uma côrte. Dizem que Carlota Joaquina dava chiliques exigindo que todos na rua se ajoelhassem quando sua carruagem passasse pelas ruas. Tudo isso era muito novo para os colonos.
Mas não só nos costumes houve mudança: o destino do Brasil mudara completamente com a vinda da côrte, fazendo com que os dias de colônia entrassem em contagem regressiva.
A independência
Pouco depois da chegada da côrte, um sentimento de revolta começou a crescer no nordeste, que recebia seu golpe de misericórdia quando o Rio se tornara capital. As desigualdades regionais aumentaram, muitas pessoas migraram para o Rio de Janeiro, dobrando sua população, e em 1817 estoura a Revolta Pernambucana.
A essa altura, Napoleão Bonaparte, já havia sido derrotado, em 1815 na batalha de Waterloo, e estava preso na ilha de Santa Helena, o que amenizava os problemas da coroa com suas posses na Europa, mas outros problemas começariam a vir de todos os lados.
Descontentes com os privilégios dados aos portugueses no Brasil, pessoas de várias classes e camadas, como militares, padres, comerciantes, juízes e proprietários rurais, se rebelaram e tomaram Recife, proclamando um governo provisório. A revolução durou menos de três meses, até que os revoltosos foram derrotados e seus líderes executados. Mas isso era somente um sinal do que estava por vir.
Após a morte da Rainha D. Maria, D. João se tornara rei de Portugal e do Brasil. E em Portugal uma revolta política acontecia, pois o desamparado povo português concluiu que a monarquia absolutista estava ultrapassada, e exigiram o retorno do rei.
Dom João, sob pressão, volta para Portugal, deixando seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil.
Nos meses seguintes iniciaram-se eleições para as cortes no Brasil, onde quase todos os eleitos foram brasileiros. D. Pedro I promoveu várias mudanças na colônia, mostrando os primeiros passos para uma independência, e isso não agradou aos portugueses, que enviaram ordens para que as principais repartições criadas por D. João VI no Brasil se transferissem para Lisboa, e também enviaram novas tropas para o Rio de Janeiro e exigiram o retorno à Portugal do príncipe regente D. Pedro I, para assim concluírem o processo de transformarem o Brasil novamente numa simples colônia.
Nitidamente favorável à causa brasileira, D. Pedro I recebeu inúmeros pedidos para que não voltasse à Portugal, e foi então que ele proferiu a famosa frase:
"Se é para o bem de todos e para a felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que eu fico." Esse dia de 9 de janeiro de 1822 ficou conhecido como o Dia do Fico.
O príncipe regente logo passou a fazer novas mudanças e seus atos se mostravam claramente como atos de ruptura com Portugal, como expulsar soldados e oficiais que se recusassem jurar lealdade à ele.
Novas ordens chegavam de Lisboa revogando os decretos do príncipe, acusando os ministros de traição e novamente exigindo a volta de D. Pedro à Portugal. Mas o Brasil já estava preparado.
Após a chegada do último despacho com as ordens portuguesas com as acusações de traição, mandaram um mensageiro ir o mais rápido possível atrás de D. Pedro, que estava em viagem para São Paulo, e dar-lhe as notícias.
O mensageiro alcançou a carruagem do príncipe no dia 7 de setembro de 1822, nas margens do Riacho Ipiranga, e ali, D. Pedro deu o chamado grito do Ipiranga, oficializando a Independência.
O primeiro reinado
O Brasil estava finalmente independente de Portugal, e deixava definitivamente de ser uma colônia, e sendo governado por D. Pedro I, a tendência de tudo era agora melhorar e servir unicamente os interesses brasileiros.
Após alguns conflitos armados e várias mediações, a independência do Brasil fora reconhecida por outros países e até mesmo por Portugal que, como condição, impôs o pagamento de 2 milhões de libras para compensar sua perda, e a necessidade de pagar essa indenização foi o motivo da primeira dívida externa Brasileira, que teve que pegar o dinheiro emprestado com a Inglaterra.
Assim que foi coroado, D. Pedro se focou na elaboração da constituição brasileira. Uma assembléia constituinte foi formada, mas logo desavenças e intrigas começaram a rondar os políticos, o que resultou em D. Pedro dissolver a assembléia, com apoio do exército e ele mesmo elaborar a constituição.
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Nos Estados Unidos, aquele tão famoso documento começa assim: "Nós o povo..."
No Brasil, provavelmente poderia começar assim "Eu o rei..."
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Contudo, a constituição de D. Pedro não era muito diferente daquela elaborada pela assembléia.
O reinado de D. Pedro I foi predestinado a ser um curto reinado de transição, a situação política, social e econômica estavam muito instáveis após o abalo da independência. Disputas de poder e mais intrigas marcavam essa conturbada fase.
Em 1825, uma rebelião declarou a separação do Brasil, formando as Províncias unidas do Rio Prata, onde mais tarde seria a Argentina. Essa rebelião logo levou o Brasil à uma guerra de grandes proporções contra Buenos Aires.
Essa guerra foi um desastre militar, político e econômico para o Brasil, que fora derrotado em 1827. Na verdade, ambas as partes se viram numa catástrofe financeira. Internamente Brasil começava a ruir com aumento dos preços devido à falsificação de moedas, e o recrutamento militar obrigatório por causa da guerra. Os populares estavam também especulando que D. Pedro tinha planos de voltar aos tempos de reino unido, de Brasil e Portugal, já que D. João VI tinha morrido e D. Pedro era o herdeiro do trono português.
A impopularidade de D. Pedro começou a fazer políticos e até o exército se afastarem dele. As desavenças entre portugueses residentes no Brasil e brasileiros cresciam cada dia mais. Os brasileiros chamavam os portugueses pejorativamente de pés-de-chumbo, enquanto os portugueses revidavam chamando os brasileiros de cabras.
Então em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho, nascido no Brasil e considerado brasileiro, D. Pedro I abdicou do trono.
A regência
Dom Pedro II ainda era uma criança quando o pai abdicou do trono, e por isso até que ele atingisse a maioridade, o Brasil seria regido por figuras políticas.
A essa altura, outro problema chegava ao Brasil. Dependente da Inglaterra, o Brasil se via pressionado pelos britânicos à abolir a escravidão. Mas o Brasil era mais dependente ainda dos escravos, e depois de várias negociações aceitou cessar de vez o tráfico de escravos, mas mantendo os escravos já existentes.
Os ingleses passaram a patrulhar a costa brasileira abordando navios em busca de traficantes negreiros, e o governo brasileiro, para agradar os ingleses, acabou sendo obrigado a criar uma lei em 1831, que aplicava severas penas aos traficantes e declarar livres todos os escravos que tivessem chegado após essa data.
Contudo, a importação de escravos aumentava cada vez mais, as autoridades faziam vista grossa para os traficantes e os poucos que iam a julgamento eram absolvidos pelos juízes. O Brasil precisava de escravos e dependia da Inglaterra, por isso a lei de 1831 foi definida por uma expressão usada para diversos fins até hoje, ou seja, foi uma lei "para inglês ver".
A regência foi uma fase de mais mudanças e conflitos, já que os políticos se viam agora diante da dificuldade de saírem completamente do absolutismo. As tentativas de adotar medidas mais liberais e que garantissem direitos individuais sempre terminavam em choques entre as elites e os grupos locais.
Inúmeras revoltas começaram a surgir, e boa parte delas clamavam a subida ao trono de D. Pedro II. Milhares de pessoas morriam nas batalhas e o liberalismo adotado pela regência abria as portas para mais revoltas, motivadas por disputas de poder e até mesmo separatismo.
A guerra dos Farrapos
No Rio Grande do Sul, a população descontente se achava explorada pelo governo através de impostos, vendo suas riquezas serem retiradas de lá para sustentar outros estados, e um movimento separatista começava a se formar com mais força, e com apoio oficiais do exército, de revoltosos imigrantes italianos e liderados por figuras como Giuseppe Garibaldi e Bento Gonçalves, tem início, em 1835, a Guerra dos Farrapos.
Também conhecida como farroupilha, a guerra teve grandes proporções e durou vários anos. Os separatistas criaram a República do Piratini, e Bento Gonçalves foi nomeado presidente. Garibaldi levou a guerra para o norte da província e assumiu e conquistou Santa Catarina.
O governo central do Brasil enquanto combatia tentava fazer concessões aos revoltosos, como diminuição de impostos. Após várias batalhas e negociações, em 1845 os revoltosos e o governo central assinam a paz, com condições como anistia de todos os revoltosos, integração dos oficiais revoltosos, de acordo com suas patentes ao exército brasileiro e que o governo assumisse todas as dívidas da então República de Piratini.
Durante toda a agitação do país, a política ia se formando e se estruturando. Dois partidos políticos começavam a surgir, o Conservador e o Liberal. As disputas políticas acabaram levando ao poder o conservador Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda, que marcou o início do regresso para a centralização política, retirando das províncias vários de seus poderes. E para que as coisas não piorassem, os liberais só tinham uma saída paradoxal: apressar a ascensão ao trono de D. Pedro II.
O segundo reinado
Os liberais anteciparam no congresso a maioridade do rei, fazendo assim com que em 1840 subisse ao trono, com apenas 14 anos de idade, o imperador D. Pedro II.
Os partidários achavam que conseguiriam manipular o rei e assim atingir seu objetivos. Apesar de no início a idéia ter funcionado, com o passar do tempo não foi isso o que aconteceu. O rei tomou as rédeas.
A reinado de D. Pedro II foi marcado pelo fortalecimento da política parlamentar e principalmente pela modernização do país.
O monarca trouxe ao Brasil novas invenções como o telefone, investiu na educação, na cultura e nas artes, se mostrando um governante muito dedicado ao país. O seu reinado é muitas vezes chamado de época de ouro do Brasil. O povo o via como uma figura paternal e passava a adorá-lo. Nunca, até então, houve tanta liberdade de expressão como na época, onde o rei não punia nem censurava até mesmo publicações com críticas e perjúrios à seu governo e sua pessoa. A monarquia brasileira estava atingindo sua plenitude com o apoio do povo.
Dom Pedro II também fez várias investidas para abolir a escravidão, e algumas vezes fora criticado por isso, pois o proprietários chamavam a abolição de suicídio econômico do país.
Contudo, Dom Pedro II estava prestes a enfrentar um grande desafio...
A guerra do Paraguai
11 de novembro de 1864
O Paraguai era um pequeno país governado por Solano López, através de um espécie de ditadura. Apesar de ter conseguido se desvencilhar das dependências externas e começar a investir na modernização, o Paraguai ainda era um país atrasado e se afogava em burocracia.
Solano López sempre pregou seu repúdio às supostas pretenções imperialistas brasileiras, principalmente quando se trata do Uruguai, que sempre teve fortes influências brasileiras e era motivo de disputas entre os vizinhos. O Uruguai tinha dois grupos partidários e rivais predominantes os blancos e os colorados. O Brasil apoiava os colorados enquanto López decidiu se aliar aos blancos para tentar sair do isolamento.
Com os blancos do poder, chegavam notícias de que cidadãos brasileiros estavam sendo vítimas de violência no Paraguai. Somando isso com a necessidade de colocar os colorados no poder, o império invadiu o Uruguai.
Solano López afirmando que o expansionismo brasileiro e argentino iriam sufocar o Paraguai, imediatamente aprisiou um navio brasileiro em seu território e logo em seguida lançou um ataque ao Mato Grosso. Começava então, a Guerra do Paraguai.
López contava com muito mais soldados que o Brasil, e por isso talvez tenha criado um complexo de superioridade ao ponto de declarar guerra ao maior país do continente, já que o Brasil demoraria ainda mais de 5 meses para conseguir reagir aos ataques, pois fora obrigado à modernizar e dar cara ao seu exército, aumentando salários, promovendo campanhas de alistamento e fortalecendo a forças armadas como uma instituição.
O líder paraguaio parte então para outra investida, dessa vez objetivando atacar o Rio Grande do Sul. Mas para chegar lá ele precisaria atravessar uma pequena região da Argentina. Pediu autorização aos argentinos, mas o pedido foi negado. Com essa suposta afronta, Solano também declara guerra ao segundo maior país da América do Sul. Forma-se assim a tríplice aliança, e o Paraguai estava praticamente cercado de inimigos.
A guerra era sangrenta. Durante as batalhas o exército brasileiro ia ganhando cada vez mais profissionalismo, mais soldados inscritos e mais estrutura. Com vários erros táticos, o Paraguai perdeu importantes batalhas em que estava com a vantagem e acabou cercado de forma que não conseguia mais receber armas e suprimentos importados da Europa. O Paraguai perdeu outra grande batalha, dessa vez com a presença do Imperador Dom Pedro II e do presidente argentino, mas de 17.000 soldados das forças aliadas venceram e libertaram a cidade gaúcha de Uruguaiana. As baixas paraguaias beiravam 50.000 pessoas, o que era um número muito elevado para um país tão pequeno e com a população tão baixa, enquanto os aliados haviam perdido 20.000.
À essa altura não havia mais chances para o Paraguai, mas Solano López não se rendeu, e quando já não havia mais soldados suficientes, começou a alistar velhos e crianças para continuar a guerra, até que em 1870, depois de ter seu acampamento cercado, López é morto pelas tropas brasileiras.
O Paraguai ficou arrasado. Várias de suas terras foram tomadas pelo Brasil e Argentina, metade de sua população tombara na guerra, sua modernização se acabara e seu futuro já não tinha mais horizonte.
O fim da monarquia
O governo de D. Pedro II era cada vez mais celebrado, a vitória na Guerra do Paraguai ajudou na campanha de patriotismo que o rei disseminava, e talvez agora o Brasil estivesse livre para a prosperidade.
Mas nada é um mar de rosas. Crises começaram a surgir com o movimento republicano, contrário à monarquia e também com impasses entre o governo e a igreja.
Com a sanção da lei abolicionista assinada pela Princesa Isabel, idéia fortemente apoiada por D. Pedro, alguns grupos da elite também ficaram insatisfeitos com o governo.
Apesar de todas as medidas que D. Pedro II tomou para a liberdade tanto política quanto social, vários grupos ainda achavam que muito mais poderia ser feito e que a monarquia era um empecilho para isso.
Foi assim, com fortes influencias da igreja, do exército e de algumas elites que o movimento republicano viu que a queda da monarquia era inevitável.
Sob o comando de Deodoro da Fonseca, as tropas republicanas marcharam até o ministério da guerra, onde estavam os líderes monárquicos, e ali provavelmente proclamou a república.
Dom Pedro II era admirado e respeitado até mesmo pelos oficiais e republicanos, e por isso nenhum teve coragem de tratar o assunto diretamente com ele, enviando as mensagens através de subordinados. O rei deposto e sua família deveriam deixar o Brasil. D. Pedro II aceitou pacificamente sua deposição e sob grande salva da população e até mesmo de oficiais e soldados que ergueram suas armas em continência, a família Bragança e Hapsburgo embarcou para o exílio e deixou de reinar.
Era o fim da monarquia no Brasil.
Ficha técnica do Podcast LXIX – Brasil :: Parte 2 :: O Império
Autoria
Criação, produção e roteiro: Christian GurtnerTextos: Christian Gurtner
Trilha sonora
- Funeral - Alberto Iglesias
- To Loki - Alberto Iglesias
- Kyrie - W.A.Mozart
- Motorbike - Alberto Iglesias
- Bailecito De Lela - Los Indios Paraguayos
- Landing in Sudan - Alberto Iglesias
- Gloria - W.A.Mozart
- The Battle - Iva Davies, Christopher Gordon & Richard Tognetti
- Full circle - Iva Davies, Christopher Gordon & Richard Tognetti
- Violin concerto no 3 k216 - W.A.Mozart
- Hino da Independência - Versão Oficial
- Into the fog - Iva Davies, Christopher Gordon & Richard Tognetti
- To Germany - Alberto Iglesias
- Bubamara spij kochanie - Goran Bregovic
- Roadblock I - Alberto Iglesias
- Magistical symphonic - AllPodcastLeaders
- Railway station - Goran Bregovic
- Smoke N'Oakum - Iva Davies, Christopher Gordon & Richard Tognetti
- God save the queen - England Orchestra
- The Doldrums - Iva Davies, Christopher Gordon & Richard Tognetti
- The militia marches in - Dario Marianelli
- La Marseillaise - Mireille Mathieu
Fontes Bibliográficas
- Monteiro, Tobias. História do Império: A elaboração da independência. - Rio de Janeiro: F.Briguiet e Cia, 1927
- Gomes, Laurentino. 1808. - São Paulo: Planeta, 2007
- Narloch, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do Brasil. - São Paulo: Leya, 2009
- Fausto, Boris. História do Brasil. 13 ed. - São Paulo: EDUSP, 2009
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