Podcast LXX – Brasil :: Parte 3 :: A República
Por Christian Gurtner - 19.03.2010
Terceira e última parte da trilogia sobre o Brasil. Conheça a história de seu país. Ouça antes as primeiras duas partes caso ainda não o tenha feito.
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O boom da primeira república
Porque o Brasil se tornara república? Quais foram os principais motivos de derrubar a monarquia? Será que o bem do povo em geral era o ideal que regia os republicanos em sua marcha?
Não podemos somente olhar para os supostos atos heróicos, devemos olhar para seus motivos, uma vez que esses podem ser a resposta para a pergunta: o que vem a seguir?
Após a proclamação da república o marechal Deodoro da Fonseca assume o governo provisório e muitos oficiais militares foram eleitos para o Congresso Constituinte, fortalecendo assim o poder político do exército.
A primeira constituição republicana estava sendo redigida e foi promulgada em 24 de fevereiro de 1891, inspirada no modelo norte-americano e dando autonomia para os estados, abolindo a pena de morte em épocas de paz e instituindo o direito à segurança individual e à propriedade. Era consagrada a República Federativa do Brasil.
Deodoro da Fonseca foi eleito presidente da república e Floriano Peixoto vice presidente. O governo de Deodoro, ironicamente foi marcado por crises, intrigas e também pela censura e autoritarismo. O congresso foi fechado e toda a pressão formada acabou levando Deodoro da Fonseca à renúncia e a subida ao poder de Floriano Peixoto, que teria seu curto governo lembrado por ser uma ditadura militar e recheado de guerras.
Uma dessas guerras ensanguentou o sul do Brasil, uma das regiões mais instáveis do Brasil, quando republicanos históricos e os federalistas se enfrentaram.
Os federalistas avançaram sobre Santa Catarina e se juntaram aos integrantes de outra revolta que acontecia, a Revolta Armada, iniciada por marinheiros numa rivalidade contra o exército. Com essa força os federalistas tomaram Curitiba, mas foram obrigados a recuar, concentrando suas forças no Rio grande do Sul. A essa altura, o mandato de Floriano Peixoto acabara e fora eleito à presidência o paulista Prudente de Morais, contrário às idéias de Floriano. Era praticamente o fim da presença do exército na presidência.
Depois de um acordo mediado por Prudente de morais, a Revolta Federalista se encerrou, mas com a oposição que se tornara aguda, mais intrigas e revoltas acontecendo, o governo ainda iria enfrentar desafios piores, como foi o caso da Guerra de Canudos.
um grande confronto entre o exército e uma força popular liderada por Antônio conselheiro que havia fundado um povoado no interior da Bahia e, através de uma pregação sócio-religiosa, havia atraído milhares de seguidores, incomodando a igreja e o estado, que deu o primeiro golpe. Conselheiro venceu várias batalhas, mas acabou derrotado em 1897. Os políticos republicanos chamaram essa guerra de luta da civilização contra a barbárie, mas nas palavras de Bóris Fausto: Havia barbárie em ambos os lados, e mais ainda entre aqueles homens instruídos que tinham sido incapazes de pelo menos tentar entender a gente sertaneja.
Em 1898 Prudente de Morais é sucedido por Campos Sales, e em seguida Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa, Arthur Bernardes e finalmente Washington Luís, o último presidente da república velha.
A situação do Brasil na República Velha
Durante esses anos, o Brasil vivia uma situação relativamente conturbada, com uma política de oligarquias, ou seja, para poucos, onde os estados, na prática, eram controlados por um pequeno grupo de políticos. Passava também por graves problemas financeiros e a dívida externa a cada ano ficava maior.
Enquanto o país vivia a época do café-com-leite, ou seja, de modo grosseiro, um governo com fortes influências de Minas Gerais e São Paulo, o coronelismo também ganhava mais espaço em várias regiões do Brasil.
Para o bem ou para o mal, o país estava se moldando através de todas essas políticas.
Até 1930 o Brasil estava recebendo milhões de imigrantes europeus e asiáticos, que vinham em busca da prosperidade no novo mundo. A grande presença desses imigrantes nas cidades e no campo estava moldando e muito a cara multicultural do Brasil. Desde a gastronomia até aos hábitos, os imigrantes foram responsáveis por fortes influencias culturais entre o povo brasileiro. Havia pequenas vilas onde nem sequer se falava o português. Muitos imigrantes prosperam, outros foram maltrados em trabalho quase escravo no campo, o que não era raro nessa época, havendo até reclamações do consulado e medidas de outros países.
As cidades cresciam rapidamente e São Paulo se destacava em sua urbanização e crescimento populacional, pois além de ser um importante polo de produtos importados, havia espaço para todo tipo de comércio e era vista como a cidade para se subir na vida.
Assim também crescia a indústria em várias regiões do Brasil, prevalecendo a indústria têxtil.
A Amazônia, se enriquecia como num sonho, com o avanço da produção de borracha, muito requisitada para produção de bicicletas e mais ainda para a de carros, na virada do século. Assim essa região se tornara chamativa para imigrantes do Brasil e do mundo, que vieram a se deprimir quando em 1910 uma crise devida à queda de preço da borracha jogou a economia amazônica no chão. Da riqueza e bons tempos da Amazônia só sobraram os belos e luxuosos teatros de Belém e Manaus.
Por todo o Brasil movimentos sociais começaram a surgir desde classe operária até aos trabalhadores rurais. Um desses movimentos se destacou também pela influência religiosa, formando-se em em volta de uma conhecida figura do nordeste, o Padre Cícero Romão Batista. Padim Cícero, como era conhecido, reunia fiéis, em Juazeiro para rezar e fazer promessas nos períodos de seca. Ganhou fama de milagreiro e incontáveis pessoas se mudaram para Juazeiro ou iam visitá-lo em enormes romarias.
O padre Cícero logo se tornou um coronel, chocando-se com as autoridades católicas e se envolvendo militarmente em lutas políticas. Muito do desenvolvimento da região se deu por conta do padre e, mesmo depois de sua morte, a devoção do povo continuou, tornando-o assim uma espécie de santo.
Os últimos anos da república velha
Nos últimos anos da república velha, crises e greves eram constantes. Com influências vindas da revolução russa, surge o Partido Comunista do Brasil, que criou fortes laços com a classe operária. E obviamente os comunistas tentaram fazer a revolução vermelha no Brasil também.
Enquanto o Brasil passava pelo movimento tenentista, onde oficiais do exército se rebelaram contra o governo, um capitão de nome Luís Carlos Prestes se destacou ao iniciar uma marcha armada de mais de 24.000 kilômetros pelo interior Brasil, que ficou conhecida como a Coluna Prestes.
O objetivo dessa marcha era disseminar a idéia de revolução e receber apoio popular contra as oligarquias.
O apoio popular nunca aconteceu e, documentos recentes mostram que talvez o motivo disso estivesse nos inúmeros saques, estúpros e torturas que resultavam da passagem da coluna pelas pequenas cidades rurais. Em 1927 a marcha se deu por terminada e seus membros se refugiaram em países vizinhos.
A revolução de 30
3 de outubro de 1930
Após anos de crises, revoltas, intrigas e disputas políticas e o refreamento da modernização econômica por conta das oligarquias e sua política arcaica, tem início uma revolução armada encabeçada pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul.
A faísca para a revolução aconteceu quando São Paulo, através do presidente Washington Luís apoiando seu conterrâneo Júlio Prestes para a sucessão, acaba com a política do café-com-leite, onde a presidência do Brasil era alternada por paulistas e mineiros.
A revolução foi vitoriosa e o presidente Washington Luís foi deposto. Júlio Prestes vence as eleições mas não chega a exercer o mandato, pois um golpe de estado coloca Getúlio Vargas no poder, e depois de derrotados todos os focos de resistência, tem início a Era Vargas.
A era Vargas
Herói ou vilão? Essa talvez seja a pergunta a se fazer sobre Getúlio Vargas e seu governo. Getúlio exerceu o poder como uma espécie de ditador populista e autoritário e foi o responsável pela criação do estado intervencionista e corporativista que persiste até hoje.
Mas ganhou grande simpatia do povo colocando na lei os direitos trabalhistas, principalmente o salário mínimo, sendo chamado de "Pai dos Pobres", criou a carteira de trabalho, as férias remuneradas, a semana de trabalho de 48 horas . Getúlio não pode ser chamado de um homem mal. Se dedicou de forma incansável ao país, investiu muito na área de infraestrutura e criou a Companhia Siderúrgica Nacional, a Vale do Rio Doce e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco e também criou o IBGE. Mas é claro que também não podemos, nem de longe, chamá-lo de santo.
Com muita habilidade política, Getúlio conseguia agradar à todos, ganhando até outra definição: pai dos pobres e mãe dos ricos.
Poucos anos após Getúlio assumir o poder, o então comunista Luís Carlos Prestes volta de Moscou, apoiado por Stalin que lhe cedeu um grupo de terroristas e revolucionários experientes para tramarem e executarem a derrubada de Vargas e fazer a revolução comunista no Brasil.
Mas Prestes não foi cuidadoso o bastante e acabou enviando bilhetes de convites de adesão ao golpe até mesmo para pessoas que estavam do lado do governo.
Quando chegou o dia do golpe, até mesmo a inglaterra já sabia dos planos comunistas e os conspiradores foram presos antes mesmo de começarem a agir.
No dia 9 de março de 1936, a polícia prendeu Prestes e a agente soviética Olga.
No ano seguinte, a polícia militar cerca o Congresso e impede a entrada dos congressistas, e durante a noite Getúlio Vargas anuncia uma nova fase política, entrando em vigor uma Carta constitucional, era o início do autoritário e modernizador Estado Novo.
O Brasil e a segunda guerra
5 de agosto de 1942
A segunda guerra mundial havia estourado. O Brasil se declara neutro, talvez por motivos econômicos. Os Estados Unidos estavam preocupados com as antigas relações de Vargas com Hitler e Mussolini, a caso o Brasil passasse para o lado do eixo, poderia ser uma grande vantagem estratégica para os nazistas.
Mas nesse dia, submarinos alemães começam um ataque e afundam 5 navios mercantes brasileiros.
A comoção nacional se tornou uma grande pressão para que o Brasil finalmente tomasse partido abertamente e declarasse guerra contra o eixo.
Ainda hoje alguns dizem que essa história está mal contada, e que talvez os navios brasileiros foram afundados pelos americanos, como tentativa de jogar o Brasil contra o eixo. Mas historiadores afirmam que essa teoria não tem fundamentos.
A queda de Vargas
Pouco depois do fim da guerra, Getúlio Vargas viu grandes forças políticas se posicionarem contra ele, só esperando uma chance para tirá-lo do poder.
Foi então que em Gaspar Dutra e Goiás Monteiro cercaram com forças blindadas o palácio Guanabara. Getúlio Vargas renuncia, e é o fim do Estado Novo.
Assume o governo Eurico Dutra. Mas nas eleições seguintes, já em em 1951, quem assume a presidência com a maioria dos votos é nada menos que Getúlio Vargas. De volta ao poder, dessa vez sem golpe, Getúlio promove novas mudanças e melhorias, criando também a Petrobrás.
Contudo, depois de 3 anos, Getúlio entrava em choque com os interesses de grupos conservadores e até mesmo com o exército. A oposição, coordenada pelo inimigo político Carlos Lacerda, esperava um evento traumático que levasse as forças militares a agirem e deporem o presidente. E esse evento aconteceu em 5 de agosto de 1954, quando um pistoleiro tentou assassinar Carlos Lacerda, mas acabou matando o major da aeronáutica Rubens Vaz, que estava ao seu lado.
Esse ato se virou contra Getúlio Vargas. A oposição agora tinha a revoltada opinião pública e a aeronáutica a seu favor. Surgiu um enorme movimento pela renúncia de Getúlio.
Foi então que em durante a manhã de 24 de agosto, no palácio do Catete, Getúlio Vargas se mata com um tiro no peito.
Em sua carta testamento, Getúlio se posiciona como vítima e acusador de inimigos políticos. Sua carta é encerrada de forma dramática:
"Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História".
O suicídio do presidente deixou claro o apoio popular que Getúlio possuía. Em todas as grandes cidades uma enorme massa de revoltosos saíram às ruas quebrando tudo o que fosse antigetulista, como caminhões do jornal O Globo.
Algumas pessoas alegam que Getúlio não cometera suicídio. Ou melhor, que suicidaram ele.
Juscelino Kubitschek
Em 3 de outubro de 1955 é eleito presidente o médico Juscelino Kubitschek. O novo presidente sobe ao poder numa época muito conturbada. Fora necessário um golpe preventivo das forças armadas, ou seja, um golpe não para depor um presidente, e sim para garantir que ele tomasse posse.
Os anos de presidência de JK foram de estabilidade política. Os altos índices de crescimento econômico criaram um otimismo geral. Não só por isso mas também por um grande sonho realizado: a construção de Brasília, os lemas do governo JK foram repercutidos: Desenvolver para sobreviver, Pra cima e pra frente e 50 anos em 5.
JK se tornara um exemplo de presidente, um herói político até hoje admirado.
O Regime Militar
Em 31 de janeiro de 1961, acaba o mandato de JK. Juscelino e Sara Kubitschek saem de brasília para dar lugar ao primeiro presidente eleito a tomar posse no distrito federal, Jânio Quadros, que sem apoio político e se preocupando muito com assuntos pitorescos, acabou renunciando pouco tempo depois de tomar posse.
Sobe ao poder seu vice, João Goulart.
O governo de Goular ou, Jango como era conhecido, foi marcado pela abertura a movimentos como o estudantil, o operário, organizações populares e trabalhadores começavam a ganhar muito espaço.
A preocupação com essa abertura e uma tendência socialista com fortes chances de uma revolução comunista começaram a preocupar os empresários, a igreja católica, os militares e a classe média. A preocupação tomou conta até dos norte-americanos, enroscados na guerra fria e completamente receosos com uma expansão comunista.
Todas essas preocupações levaram o país à uma crise política que parecia beirar uma revolução. E em 31 de março de 1964 tropas mineiras e paulistas saem às ruas. Jango foge para o Uruguai e os militares tomam o poder.
Em 9 de abril é decretado o Ato Institucional númer 1, ou o AI-1, onde políticos opositores perdem o mandato e os servidores públicos perdem a estabilidade. Era o início do Regime Militar.
O general Castello Branco é eleito presidente da república pelo voto indireto, ou seja, do congresso. Prometendo defender a democracia, logo se mostrou autoritário. Dissolveu os partidos políticos, interferiu nos sindicados e cidadãos perderam seus direitos políticos e constitucionais. Só foram permitidos dois partidos políticos, a Aliança Renovadora Nacional, ou ARENA, dos militares e o Movimento Democrático Brasileiro, que representava a oposição, mas era envolto pelos tentáculos do governo.
Em 1967 é a vez de Arthur da Costa e Silva assumir a presidência pelo voto indireto. Greves, protestos e manifestos marcaram seu governo. Movimentos de guerrilha começaram a se formar com os idealistas de esquerda. Assaltos a bancos, sequestros e atentados foram fizeram parte desses movimentos. Ameaçado por essa onda comunista, o regime decreta então o terrível Ato Institucional Número 5, ou o AI-5. Dentre várias outras duras medidas, estava o aumento da repressão policial e militar.
Costa e Silva adoeceu e governo passou para uma junta militar composta de um membro do exército, outro da marinha e outro da aeronáutica. Os grupos de esquerda MR-8 e ALN sequestram o embaixador dos Estados Unidos. Após essa afronta o governo decreta a Lei de Segurança Nacional, que promove o exílio e a pena de morte para casos como esse. No final de 69 o líder da ALN é morto pelas forças de repressão.
A junta militar escolhe então o novo presidente e sobe ao poder Emílio Garrastazu Medici. Apelidado de Emílio Carrasco-Azul Medice, foi considerado o mais repressivo, e seu governo foi chamado de "Anos de Chumbo". A censura toma sua mais terrível forma e age sobre jornais, revistas, filmes, peças de teatro, música e qualquer outra forma de expressão artística. Professores, políticos, artistas e diversas outras pessoas foram investigadas, presas e torturadas. Espiões do governo estavam infiltrados nas escolas, universidades, peças de teatro e as pessoas tinham medo de falar de política até em bares e restaurantes. A guerrilha rural ganha força mas começa ser esmagada pelos militares.
Contudo, na área econômica acontece o que é chamado de Milagre Econômico. E economia crescia rapidamente, o PIB subia a 12% ao ano. Com investimentos na infraestrutura, milhões de empregos foram gerados e obras como a transamazônica e a ponte Rio-Niterói mostravam o avanço. Mas do outro lado da moeda, a dívida externa crescia na mesma proporção.
Em 1974 sobe ao poder o general Ernesto Geisel, que acaba com o AI-5 e inicia o processo de redemocratização. Ele investe em uma abertura política lenta e segura.
O processo da transição para a democracia é acelerado com a vitória do MDB. Assume a presidência o general João Batista Figueiredo, que decreta a lei da anistia que permitia o retorno ao Brasil de políticos e demais exilados e condenados pela ditadura. Apesar desse processo, vários militares mais tradicionalistas continuam com atentados a bomba e assassinatos. Vários partidos foram permitidos à voltar à ativa.
Com o caminho já traçado e as portas abertas, finalmente, em 1984, milhões de brasileiros participam do movimento Diretas Já. Mas a emenda que permitiria o voto direto não foi aprovado pela câmara dos deputados.
Mas no ano seguinte o colégio eleitoral elege Tancredo Neves como presidente da república. Mas Tancredo adoece e morre antes de assumir o poder, o que faz com que seu vice, José Sarney assuma o cargo. Era o fim do regime militar.
Em 1988 uma nova constituição é aprovada eliminando todas as medidas e mudanças feitas pela ditadura. E o país finalmente se tornava democrático.
Epitáfio
Quando olhamos a história como um todo, numa viagem breve e superficial, é muito fácil julgarmos e definirmos os vilões e os heróis. Os militares e os comunistas tiveram seus monstros e suas monstruosidades, e ainda bem que nem um nem outro prevalesceu. Os monarquistas e os republicanos também tiveram seus vilões. E até mesmo voltando lá no descobrimento: índios, portugueses, escravos negros e brancos… Todos possuíram seus vilões, que erraram, que gostaríamos de esquecer.
Nosso país hoje ainda vive com vários fantasmas do passado. Vesquícios dos terríveis erros da ditadura e de governos anteriores, vesquícios dos erros até mesmo dos que lutaram contra a ditadura. Todos erraram, mas o bem prevalesceu. E hoje precisamos nos livrarmos desses fantasmas. Entendermos que não há mais motivo para se ter medo de exigir nossos direitos, pois nós os temos, muitas vezes não são cumpridos pois se aproveitam desse fantasma que ainda impede muita gente de gritar, de reclamar de exigir o que é seu. Os políticos são os funcionários do povo.
Mas como a história no mostra, tudo faz parte de um processo, por vezes lento, mas que no final gerará resultados, mesmo que obstáculos surjam no caminho. E assim espero.
Senhoras e senhores, me foi uma honra compartilhar essas quase 2 horas da trilogia sobre o Brasil com vocês. Agradeço imensamente à todos os comentários, a audiência e o imenso carinho. E lembrem-se:
O Brasil é multicultural, é rico, é cheio de recursos e possibilidades. O Brasil é índio, é alemão, é português, é italiano é árabe, japonês… tudo isso torna o brasil numa nação diversificada, cheia de belos horizontes, de boas perspectivas e de esperança. É um país em busca da ordem e do progresso.
Um grande abraço, e fiquem em paz
Adendo
Vemos a burocracia e a politicagem utilizarem os mesmos artifícios que já causaram muita coisa ruim nesse país e ninguém fala nada, ninguém sai às ruas, ninguém exige a honestidade e o bom uso do dinheiro público, o nosso dinheiro.
Movimentos de esquerda só saem as ruas para defender os assuntos de esquerda. Onde está o estardalhaço e as exigências por segurança, por educação decente e imparcial?
Já disse uma vez e repito: os políticos são funcionários do povo, e o povo deve tratá-los como tal. Temos mais cuidado em checar as referências de um candidato a gerente para nossa empresa ou uma empregada doméstica para nossa casa do que para o Presidente da República, dos deputados, dos vereadores.
Não ganhamos apenas o direito ao voto, ganhamos também a obrigação. Isso é democracia? Incentivo à votar contrariado para se livrar logo daquela fila fatídica?
Senhoras e senhores, educação imparcial e de qualidade, saúde, segurança e prosperidade. Princípios básicos, cuja falta dos mesmos é a raiz para quase todo o mal, que deveriam ser a prioridade de qualquer idiota que suba ao poder, acabam cedendo lugar aos jogos políticos, ao lobby, aos fantasmas do passado.
Mas estamos mudando. Aos poucos vejo surgir no horizonte a verdadeira democracia, o povo se preparando, se conscientizando. Será?
Ficha técnica do Podcast LXX – Brasil :: Parte 3 :: A República
Autoria
Criação, produção e roteiro: Christian GurtnerTextos: Christian Gurtner
Trilha sonora
- O Guarani - Carlos Gomes
- Tessa in the bath - Alberto Iglesias
- To airport - Alberto Iglesias
- We will both be dead by christmas - Alberto Iglesias
- Roadblock I - Alberto Iglesias
- Railway station - Goran Bregovic
- Marche Militaire - Schubert
- Music for a found harmonium - Penguin Cafe Orchestra
- German March - Jerry Goldsmith
- Piano Concert No.3 - Rachmaninov
- Hino Nacional Brasileiro - Orquestra Sinfônica e Coral das Classes musicais do Grande Oriente do Brasil
- Pra não dizer que não falei de flores - Zé Ramalho
Fontes Bibliográficas
- O Álbum dos Presidentes - Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. 1989
- Fausto, Boris. História do Brasil. 13 ed. - São Paulo: EDUSP, 2009
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Errata
- O nome do presidente Geisel foi pronunciado como "Guêisel". A forma correta é "Gáisel"
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