Publicar é fácil. Vender, porém, …
As pessoas falam que é muito difícil publicar um livro. Dizem que não dá para viver da literatura. Outros ainda afirmam que escrever é só um hobbie, e somente uns poucos têm a sorte de conseguir levar isso como profissão.
Mas é claro que tudo isso se aplica somente ao Brasil e à alguns outros países culturalmente desfavoráveis onde a leitura é algo chato e sem-graça. Assistir Faustão é bem melhor.
Contudo, essa não é a única razão. A culpa também é dos livreiros, dos editores, do governo e da mídia.
Estou vivenciando as minhas teorias. E por isso me dou o direito de falar. Os livreiros querem dinheiro, e por isso quando se deparam com um autor iniciante que surge na livraria carregando sua obra embaixo do braço e perguntando se pode deixá-la ali em consignação, no caso eu, muitos simplesmente dizem que o estoque está cheio e não podem pegar nada. “Volte mês que vem”. Nem sequer se dão ao trabalho de ler a contra-capa ou a orelha. Ou simplesmente dar uma folheada. Não. Não querem saber. “O que um estreante tem a oferecer?” Devem pensar eles. Mas esquecem que Goethe, Shakespeare, Dostoievski, Kafka, Drummond e até mesmo o contraditório, porém best-seller, Paulo Coelho foram iniciantes um dia.
É claro que não posso me comparar pretensiosamente à todos esses grandes nomes da literatura (mas ainda não morri), porém posso afirmar que meu livro é bom e pode ser muito bem vendido. Posso afirmar isso porque não sou eu que o digo, e sim as pessoas que já o leram. Ninguém nunca me falou que ele é ruim (ou pelo menos não teve coragem). Não é um best-seller mas é uma leitura envolvente e emocionante muito melhor do que diversas obras duvidosas de alguns autores um pouco conhecidos que os livreiros expõem com destaque nas vitrines e prateleiras por causa do selo editorial que enfeita a capa. É, sim, como roupa: o que vale é a etiqueta. Mas resolvi testar a veracidade dessa minha afirmação em uma das livrarias em que visitei pela minha via-crucis. “Volte mês que vem” disse a livreira que se afastou um pouco quando mostrei o livro, como se ele fosse uma doença contagiosa. “Acho que não poderei voltar mês que vem” – disse eu. E continuei – “Estarei na Alemanha por tempo indeterminado”. Ainda indiferente, mas com o toque de curiosidade ela perguntou “Vai estudar ou passear?”. Porém consegui ser mais indiferente que ela em minha resposta “Nem um, nem outro. É que um editor alemão mandou meu livro para tradução e vai publicá-lo lá em meados de agosto. Mas pediu que eu fosse já, e por isso em janeiro talvez eu não esteja mais aqui”. Milagre, senhoras e senhores. Ela sorriu, pegou meu livro, deu uma folheada e finalmente disse, em desculpa esfarrapada: “Bom, se você não pode vir aqui mês que vem, então vou apertar o estoque para colocar seu livro”. Depois de tudo assinado, e de ouvir ela elogiar a capa do livro, eu ainda pensei em desmentir tudo para ver a reação dela. Mas como não foi de todo falso o que eu disse, resolvi deixá-la com a esperança de estar consignando livros de um próximo best-seller alemão.
Existem também as livrarias que eu costumo chamar de “cata-tudo”. São aquelas que já têm até formulário pronto para consignação, onde o livreiro dá só uma olhada na qualidade da impressão e da capa, averigua se a obra não vai deixar o visual da loja feio, e então pega três exemplares, coloca em um lugar nas prateleiras onde só clientes contorcionistas conseguem chegar para ver e finalmente cobram 40% do valor do livro de comissão. Ok. Eu, pagando 40%, não só deixo de receber lucro como ainda pago cinqüenta centavos para que o cliente leve meu livro. Interessante, não é? Mas pelo menos posso me consolar com o fato que o visual do livro é bom o suficiente para estar ali.
Já o pior de todos os livreiros é aquele metido a intelectual, que despreza qualquer um que não tenha tido o nome citado pelo menos umas cinco vezes nas mídias de maior circulação. Não vou relatar a experiência na íntegra porque é muito deprimente, mas uma de suas alfinetadas foi “hoje em dia qualquer um consegue publicar um livro e por isso tem muita porcaria chegando aqui e lotando o estoque. E peço que volte em três meses para recolher os livros”. Só não deixei o meu wild-side controlar meus impulsos físicos porque ele nem sequer viu do que se tratava o livro, e por isso eu considerei a hipótese de que ele não se referira à mim.
Mas há luz no fim do túnel. Existem duas livrarias que me receberam muito bem. Uma me cobrou 30% de comissão e a outra – pasmem – somente 20%. E para minha surpresa ainda colocaram meu livro na vitrine depois de dois dias.
No entanto, agora abrangendo todos autores iniciantes , duas em dezoito livrarias encorajadoras não é uma boa média incentivadora para futuros “Goethes”, “Shakespeares” e “Drummonds”. Não que eu seja um desses.












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quero fomulario no meusite
uuuuuu
Caríssimo, Christian Gurtner
Também estou nesse grupo de pessoas, que como vc, organizei um livro e stou as voltas para poder tentar vende-lo.
Nossas histórias são praticamente idênticas.
Fazer o que?
Um país onde a educação nao é prioridade mas quer ser país desenvolvido? quer ser primeiro mundo?
Um grande abraço,
Márcio Araújo