<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Escriba Cafe: Textos]]></title><description><![CDATA[Textos exclusivos com mais informações sobre os temas dos episódios, poesia, ensaios, e curiosidades.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/s/leitura</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!de9g!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F288c54ad-28e1-464a-8a4e-c57f3b8c4bc0_500x500.png</url><title>Escriba Cafe: Textos</title><link>https://www.escribacafe.com/s/leitura</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 29 Oct 2026 02:03:22 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.escribacafe.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Escriba Cafe]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[condado@loewenttur.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[condado@loewenttur.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Christian Gurtner]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Christian Gurtner]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[condado@loewenttur.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[condado@loewenttur.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Christian Gurtner]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XX]]></title><description><![CDATA[A recusa de um Nobel, a perfei&#231;&#227;o da &#225;gua e o cheiro de p&#227;o na sua melhor leitura da semana.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xx</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xx</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 24 Oct 2026 08:30:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!uo_c!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4180e582-5ea9-4e50-8e8b-212caf97ec04_1338x1902.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ela olhou com suavidade para a pequena pluma que entrara pela janela naquela manh&#227;. Pairou e flutuou at&#233; pousar no vestido dela.</p><p>Ela preparava o ch&#225; enquanto os p&#227;es no forno cheiravam a casa e atra&#237;am os melhores esp&#237;ritos.</p><p>O marido j&#225; se encontrava no campo; ela via, pela mesma janela, ele ao longe, ro&#231;ando o pequeno campo da fam&#237;lia. &#8220;Fam&#237;lia&#8221;, pensou. Talvez um dia, mas por enquanto eram ela e ele, construindo um pequeno reino, livre de riquezas e ambi&#231;&#245;es que n&#227;o a paz e a beleza de simplesmente ser e estar.</p><p>Em breve ele voltaria para casa, provavelmente atra&#237;do pelo cheiro de p&#227;o. Mas n&#227;o era o cheiro em si, mas o que significava. O p&#227;o preparado pela mesma m&#227;o que n&#227;o h&#225; muito ele recebera em grande alegria; o ritual de se limpar, ser recebido com um sorriso e sorrir de volta, sabendo que ambos realizavam afazeres por vezes cansativos, mas que faziam cada momento valer a pena, e o sorriso silencioso de cada um nada mais era do que um sincero &#8220;obrigado&#8221;.</p><p>Ali estavam eles e a vida que estavam criando, o pequeno <em>ch&#226;teau</em> pintado de amor e decorado de carinho. O mundo j&#225; n&#227;o importava.</p><div class="pullquote"><p>&#8220;O amor n&#227;o consiste em olhar um para o outro, mas em olhar juntos na mesma dire&#231;&#227;o.&#8221; - Antoine de Saint-Exup&#233;ry</p></div>
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          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xx">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XIX]]></title><description><![CDATA[Janelas, &#225;gua e o fim(?) dos Templ&#225;rios na sua leitura mais esperada da semana.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xix</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xix</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 17 Oct 2026 09:02:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pspM!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F96b3c58f-2a1b-4d8e-80a6-ca9a7e114a6f_755x1000.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A manh&#227; desenrolou-se junto com a cortina que suavemente acompanhou a fresca brisa que entrava pela janela, trazendo o agrad&#225;vel an&#250;ncio da manh&#227;.</p><p>Ela sequer se atentou para o fato de que esquecera a janela aberta na noite anterior enquanto se ajeitava debaixo das cobertas. Se fechasse a janela, n&#227;o precisaria se cobrir mais, mas tamb&#233;m n&#227;o receberia o confortante abra&#231;o matinal. E nisso ela prestou aten&#231;&#227;o.</p><p>Quantas vezes deixara de receber um abra&#231;o por causa do frio?</p><p>A vida podia ser definida naquela janela &#8212; pensou ela &#8212;, e sou eu que decido se a janela fica aberta ou fechada. Posso abri-la, me casar e viver a alegria do amor e do companheirismo, enquanto me ajeito debaixo da coberta por causa das diferen&#231;as e atritos. Mas posso deix&#225;-la fechada e me privar do amor e do companheirismo, enquanto vivo a paz e a beleza da solitude. A janela pode ser aberta e fechada a qualquer momento, n&#227;o &#233; uma pris&#227;o ou caminho sem volta. Posso abrir e seguir numa penosa aventura pelo mundo &#8212; sim, penosa. Mas uma edificante aventura. Mas posso fech&#225;-la e viver a tranquilidade da seguran&#231;a e conforto de minha casa.</p><p>A janela est&#225; l&#225;. E a sua est&#225; a&#237;. Aberta ou fechada?</p><div class="pullquote"><p>O mundo &#233; grande e cabe nesta janela sobre o mar.<br>O mar &#233; grande e cabe na cama e no colch&#227;o de amar.<br>O amor &#233; grande e cabe no breve espa&#231;o de beijar.</p><p>&#8212; Carlos Drummond de Andrade</p></div><p><strong>I.</strong></p><p>Extra! Extra! Esta semana est&#225; cheia de not&#237;cias!</p>
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          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xix">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XVIII]]></title><description><![CDATA[Primavera, calend&#225;rio e uma receita]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xviii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xviii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 10 Oct 2026 11:30:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pMVc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5cb7df98-8c18-46e7-a3e8-0462297cc518_791x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Chega a primavera. Quanto mais definidas s&#227;o as esta&#231;&#245;es de um pa&#237;s, mais festividades e celebra&#231;&#245;es acontecem nas ruas. J&#225; naqueles onde &#233; quente o ano inteiro, mal se sabe em que esta&#231;&#227;o se encontra.</p><p>&#8212; Primavera &#8212; disse ela. &#8212; &#201; a minha esta&#231;&#227;o preferida.</p><p>A primavera, em boa parte da Europa, traz um frescor com beleza. As flores come&#231;am a brotar, o cinza e o branco d&#227;o lugar ao verde e os sorrisos, levemente agasalhados, j&#225; se trocam nas pra&#231;as.</p><p>Desde tempos remotos, a primavera estabeleceu-se como o fim das priva&#231;&#245;es, do medo. &#201; o recome&#231;o, a nova chance. &#201; acordar de um sono e se sentir feliz por ter ganhado mais um dia.</p><p>&#8212; Mas eu n&#227;o ia querer viver numa eterna primavera &#8212; continuou. &#8212; Isso seria como matar a esta&#231;&#227;o. N&#227;o tem como se alegrar com as flores e o frescor sem ter passado pelo cinza, o escuro frio cortante. Se houvesse somente a primavera, a primavera deixaria de existir.</p><p>Nos despedimos e ela partiu. Ao longe ainda pude v&#234;-la colher alguns raminhos e flores, provavelmente para enfeitar a mesa da casa e celebrar a sua esta&#231;&#227;o preferida.</p><div class="pullquote"><p>&#8220;Abro m&#227;o da primavera para que continues me olhando.&#8221;</p><p><em>&#8212; Pablo Neruda</em></p></div>
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          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xviii">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XVII]]></title><description><![CDATA[O mundo, hier&#243;glifos e uma bela vila em sua leitura de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 03 Oct 2026 09:22:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XXpF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F01e53ad5-ccb0-4f92-9d82-c6d032b0de03_5040x5718.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O qu&#227;o grande ainda era o mundo?</p><p>Enquanto se espregui&#231;ava nas primeiras horas da manh&#227;, esse pensamento intercorreu sua cabe&#231;a. Lembrou-se de quando pa&#237;ses do Oriente eram ex&#243;ticos, distantes, misteriosos.</p><p>O Leste Europeu ainda projetava o fantasma sovi&#233;tico e o conde Vlad. Viajar para outro estado j&#225; era uma aventura: o que encontrar&#237;amos por l&#225;?</p><p>Cada viagem era uma grande aventura de descoberta. Quando uma revista ou outra falava de determinado lugar, a leitura era m&#225;gica. Nas enciclop&#233;dias, t&#237;nhamos fotos do passado e um corte do presente. Oh, Gal&#225;pagos, Rapa Nui, Ilha de Ascens&#227;o&#8230; como eram enigm&#225;ticas essas ilhas.</p><p>Hoje temos imagens em alta resolu&#231;&#227;o ao vivo direto de Marte. Na internet, temos sat&#233;lites, in&#250;meras fotos, v&#237;deos, textos&#8230; tudo destrinchando todos os lugares, que s&#227;o violentados pela corja de turistas de likes.</p><p>O mundo foi diminu&#237;do. Est&#225; na palma de nossas m&#227;os, ali, naquela espregui&#231;ada na cama.</p><p>Ainda nos restam os cheiros, os toques, o calor e o frio. Resta-nos a aventura sensorial de estar em um lugar, e n&#227;o s&#243; conhec&#234;-lo.</p><div class="pullquote"><p>"Voc&#234; n&#227;o precisa sair do seu quarto. Fique sentado &#224; sua mesa e ou&#231;a. N&#227;o precisa nem ouvir, apenas espere. O mundo se oferecer&#225; livremente a voc&#234; para ser desmascarado." - Franz Kafka</p></div>
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          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvii">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mulheres não deveriam votar?]]></title><description><![CDATA[Quem deveria ter direito de votar? S&#243; homens? S&#243; mulheres? Todos? Ou uma condi&#231;&#227;o seria interessante para salvar as democracias de pa&#237;ses que sofrem de ignor&#226;ncia geral?]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/mulheres-nao-deveriam-votar</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/mulheres-nao-deveriam-votar</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Sep 2026 14:39:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!__Ke!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c6c7a60-153e-4c7a-aadc-3da10222bf58_1790x1316.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!__Ke!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c6c7a60-153e-4c7a-aadc-3da10222bf58_1790x1316.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!__Ke!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c6c7a60-153e-4c7a-aadc-3da10222bf58_1790x1316.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!__Ke!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c6c7a60-153e-4c7a-aadc-3da10222bf58_1790x1316.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!__Ke!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c6c7a60-153e-4c7a-aadc-3da10222bf58_1790x1316.jpeg 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Foi, em uma tarde qualquer, de forma completamente aleat&#243;ria, que a querida <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Pietra Welter&quot;,&quot;id&quot;:29462170,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c33122b-b3f4-43f0-896d-7400f2d38884_1176x1176.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;2ad675b9-7ccc-45cc-a515-4f3cf2f30faa&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span> me fez essa pergunta. Era uma indaga&#231;&#227;o muito espec&#237;fica e estava lan&#231;ada a discuss&#227;o filos&#243;fica.</p><p>N&#227;o pra mim, pois era uma pergunta sobre a qual eu n&#227;o possu&#237;a dados para deliberar e chegar a uma conclus&#227;o; e foi o que eu disse a ela.</p><p>Na antiga Atenas, n&#227;o podiam votar mulheres, escravos e estrangeiros. Essa discrimina&#231;&#227;o era considerada leg&#237;tima dentro da estrutura social e intelectual ateniense. A divis&#227;o de tarefas e fun&#231;&#245;es entre homens e mulheres tamb&#233;m era estabelecida seguindo uma ordem &#8220;natural&#8221; antiga. Hoje o mundo est&#225; diferente; &#233; preciso analisar de forma profunda uma quest&#227;o dessas para se ter uma opini&#227;o.</p><p>&#8220;Voc&#234; tem d&#250;vida sobre isso?&#8221; me perguntou.</p><p>N&#227;o &#233; d&#250;vida. &#201;, simplesmente, um &#8220;nunca parei para pensar nisso&#8221;. Por mim, quase todos votam (mais &#224; frente falarei sobre), mas, se uma pergunta parte da premissa de segrega&#231;&#227;o &#8212; ou seja, temos dois grupos e algum deles deveria ser impossibilitado de votar? &#8212;, a resposta, no debate, deve seguir a linha de racioc&#237;nio. O problema &#233; que seria necess&#225;rio ter dados sobre os grupos, como: um deles &#233; incapaz de votar com l&#243;gica e conhecimento sobre pol&#237;tica e economia b&#225;sicas, sendo facilmente manipulado, tornando-se respons&#225;vel por eleger os mais absurdos candidatos? Esse seria um dado interessante a se levar em conta para continuar o debate. Ent&#227;o, continuemos agora com uma quest&#227;o um pouco diferente.</p><h3>Nem todos deveriam ter o direito de votar</h3><p>Penso que todos podem ser <strong>candidatos</strong> a votar, independentemente do sexo, cor, orienta&#231;&#227;o sexual, religi&#227;o etc. Mas por que &#8220;candidatos&#8221;? Pois, nesse tema, tenho, neste momento, uma vis&#227;o mais consolidada (mas nunca engessada): s&#243; poderiam votar aqueles que tivessem o conhecimento b&#225;sico sobre pol&#237;tica, economia e governo. Uma pessoa que n&#227;o sabe as fun&#231;&#245;es, deveres e limita&#231;&#245;es dos diferentes cargos pol&#237;ticos, n&#227;o consegue entender patavinas de economia e a rela&#231;&#227;o do governo com o dinheiro, n&#227;o deveria votar, pois estaria prejudicando a na&#231;&#227;o.</p><p>Na <strong>Rep&#250;blica</strong>, Plat&#227;o usa uma met&#225;fora para criticar a democracia ateniense. Ele imagina um barco cujo dono &#233; poderoso, mas n&#227;o entende nada de navega&#231;&#227;o [esse &#8220;dono&#8221; representa o povo]. &#201; preciso escolher um capit&#227;o para o navio e os marinheiros disputam entre si quem deve comandar, cada um tentando convencer o dono de que merece o posto, mas nenhum deles estudou ou tem muito talento na arte de navegar.</p><p>Enquanto isso, o verdadeiro piloto &#8212; aquele que conhece as estrelas, os ventos, as esta&#231;&#245;es e a t&#233;cnica da navega&#231;&#227;o &#8212; &#233; tratado como in&#250;til ou exc&#234;ntrico, pois os demais sequer reconhecem que comandar o navio exige conhecimento espec&#237;fico. Assim, imagine o que acontecer&#225; com esse navio.</p><div class="pullquote"><p>&#201; aqui que a ideia de uma esp&#233;cie de epistocracia come&#231;a a parecer razo&#225;vel.</p></div><p>Portanto, tirar o t&#237;tulo de eleitor deveria ser como tirar carteira de motorista: a pessoa teria de fazer uma prova de conhecimentos b&#225;sicos sobre pol&#237;tica e economia, b&#225;sica de forma que n&#227;o fosse usada para discriminar, deliberadamente, determinados grupos, e escrita ou verbal, para n&#227;o excluir os analfabetos.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.escribacafe.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Uma pequena pausa na leitura para te convidar a assinar o Escriba Cafe gratuitamente para receber nosso conte&#250;do (ou ser assinante premium, se quiser ter acesso &#224; vantagens e ao conte&#250;do exclusivo e apoiar o projeto).</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><div><hr></div><p>A pessoa tem de entender as rela&#231;&#245;es entre os poderes, a import&#226;ncia do Congresso sobre o Executivo, como ter &#8220;rabo preso&#8221; torna os congressistas completamente inertes ou imprest&#225;veis; precisam entender que o governo n&#227;o tem dinheiro, todo o dinheiro que gastam com regalias, bondades eleitoreiras e tudo o mais sai do bolso do eleitor &#8212; mesmo aqueles isentos de imposto de renda est&#227;o pagando quando compram alimentos e outros produtos que, muitas vezes, t&#234;m o pre&#231;o quase dobrado por causa dos impostos. &#201; esse o dinheiro que o governo usa; &#233; esse o dinheiro do fundo partid&#225;rio de bilh&#245;es, distribu&#237;do para eleger absurdos; &#233; preciso entender que tudo isso eleva o pre&#231;o do Estado e, quanto mais caro o Estado, mais ele vai tirar do povo. Isso gera consequ&#234;ncias globais que, quem n&#227;o entende nada e s&#243; vota pela conversinha do presidente, est&#225; ajudando a afundar mais ainda o pa&#237;s.</p><p>No Brasil, temos dois problemas graves: todos podem votar e, o pior, todos<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a> s&#227;o <strong>obrigados</strong> a votar.</p><p>&#8220;Mas o Estado exerce coer&#231;&#227;o sobre todos, por isso todos tem que ter voz na escolha dos mandat&#225;rios.&#8221;</p><p>Sim, o problema &#233; que o mesmo argumento serve para contradizer isso: dar poder decis&#243;rio a quem n&#227;o entende o sistema pode prejudicar todos os demais.</p><p>Um ponto a se destacar &#233; que essa esp&#233;cie de epistocracia n&#227;o excluiria ningu&#233;m por caracter&#237;sticas pessoais, origem ou condi&#231;&#227;o social: o direito ao voto estaria condicionado exclusivamente &#224; demonstra&#231;&#227;o de um conhecimento m&#237;nimo, que, nos dias de hoje, &#233; acess&#237;vel e gratuito para todos.</p><p>Alguns dizem que candidatos tamb&#233;m deveriam ter de fazer prova de conhecimento pol&#237;tico, mas, fazendo com que o eleitorado seja composto somente por pessoas com conhecimento b&#225;sico sobre pol&#237;tica e economia, creio que j&#225; eliminar&#237;amos os candidatos chulos como os v&#225;rios que j&#225; foram eleitos, como o Tiririca e os novos candidatos diretamente do Instagram:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png 1456w" sizes="auto, 100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!VHyB!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png" width="853" height="556" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/dd0d2f64-9b5c-4948-a525-65bf9fcc327e_853x556.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:556,&quot;width&quot;:853,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:732118,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.escribacafe.com/i/218183647?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F191ae6f4-e0b0-4a5e-81ad-a6e0faf68b1b_1280x720.avif&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>O cara do &#8220;Caneta Azul&#8221; e a tal da &#8220;menina bota&#8221;. N&#227;o t&#234;m conhecimento pol&#237;tico algum, sequer conseguem falar (assista &#224;s entrevistas deles e chore). No que se destacaram? Fazendo papel de rid&#237;culo no Instagram e ganhando in&#250;meros seguidores. S&#227;o &#8220;Tiriricas&#8221; piorados. E sabe aquele fundo partid&#225;rio que sai do bolso do povo? Foi direcionado quase dois milh&#245;es para a campanha dos dois.</p><p>E qual &#233; a chance desses ou de outros candidatos chulos serem eleitos e viverem por anos com o dinheiro do povo, sem contribuir em nada, num pa&#237;s onde todos podem votar?</p><div><hr></div><p><em>O quadro usado como capa desse artigo &#233; &#8220;Sess&#227;o do Conselho de Estado&#8221;, de Georgina de Albuquerque, 1922, retratando a sess&#227;o de setembro de 1822, com a participa&#231;&#227;o de Maria Leopoldina, que antecedeu a declara&#231;&#227;o da independ&#234;ncia do Brasil.</em></p><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>&#8220;Todos&#8221; se refere &#224;queles dentro das margens por lei: 18 a 70 anos de idade.</p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XVI]]></title><description><![CDATA[Paz matinal, um soldado esquecido e margaridas em sua leitura mais esperada da semana.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvi</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvi</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 26 Sep 2026 10:04:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aFyh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff35b3a8b-dca6-4f12-9611-3a10b93f5e87_1014x1260.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um calmo canto de p&#225;ssaro a acordou bem cedo. Era um canto suave, longo, belo. Aquilo a relaxou mais do que o sono. Mas j&#225; era hora de se levantar. Permitiu-se espregui&#231;ar demoradamente.</p><p>O mundo parecia se calar no s&#225;bado de manh&#227;. As almas cansadas, os jovens perdidos e os festeiros dormiriam at&#233; tarde. Os velhos, jovens ou n&#227;o, j&#225; de p&#233;, aproveitavam a paz unindo-se a ela.</p><p>Era um momento de introspec&#231;&#227;o, de encontrar-se. De colocar os pensamentos no lugar naquele instante no qual a sua pr&#243;pria companhia parecia estar tamb&#233;m num calmo existir. Sentaria com ela &#224; mesa e, enquanto tomassem caf&#233;, iria, gentil e suavemente, conversar sobre seus mais profundos pensamentos. Tudo naquele agrad&#225;vel momento em que o mundo era s&#243; ela.</p><p>Era uma paz que duraria pouco. Mas, ainda assim, era o melhor momento para se levantar, fazer um caf&#233; e ler o Acta Saturnalia.</p><div class="pullquote"><p>A manh&#227; &#233; a juventude do dia. Tudo &#233; alegre, fresco e f&#225;cil. - Arthur Schopenhauer</p></div>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xvi">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XV]]></title><description><![CDATA[Sil&#234;ncio, bact&#233;rias e m&#250;sica em sua leitura matinal de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xv</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xv</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 19 Sep 2026 09:15:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/54980620-575b-42f6-b3f0-e96147c1b3b5_2822x2070.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Era uma manh&#227; nublada e coberta de sil&#234;ncio. Um ou outro p&#225;ssaro que ensaiara um canto matinal parecia j&#225; ter desistido. Da janela n&#227;o se viam ou ouviam carros, carro&#231;as ou pessoas. Onde est&#227;o as flores?</p><p><em>Sag mir, wo die Blumen sind</em> &#8212; foi exatamente o que pedia Marlene Dietrich na m&#250;sica que tocava baixinho na caixa de som.</p><p>A cidade nesse s&#225;bado de manh&#227; n&#227;o passava de uma vila. Uma calma aldeia em que nada se via ou ouvia. O mundo dormia.</p><p>A sensa&#231;&#227;o de que n&#227;o havia mais ningu&#233;m se dilu&#237;a numa calma dualidade. Estar s&#243; consigo mesmo trazia grande paz. Ser s&#243;, por sua vez, era um dos ingredientes da agonia.</p><p>O mundo n&#227;o precisa de n&#243;s. N&#243;s precisamos de n&#243;s. Se n&#227;o me fa&#231;o companhia, ningu&#233;m mais conseguir&#225; me fazer sentir menos solit&#225;rio.</p><p>Agora, a fria brisa se esgueirando pelas frestas da janela mostra o mundo l&#225; fora. A bela manh&#227; nublada d&#225; o seu suspiro. H&#225; vida.</p><div class="pullquote"><p>A solid&#227;o &#233; a sorte de todos os esp&#237;ritos excepcionais &#8212; Arthur Schopenhauer</p></div><p><strong>I.</strong></p><p>E sigamos para as not&#237;cias da semana.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xv">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XIV]]></title><description><![CDATA[Pequenas coisas, Seda e Vida Marinha em sua leitura de s&#225;bado]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiv</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiv</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 12 Sep 2026 12:29:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dUXE!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6854e9e2-697d-4119-80dd-cdb3dc6cc225_1800x1327.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Uma bela manh&#227;, pensou, sem nem mesmo ter aberto as cortinas e visto as pesadas nuvens que impediam qualquer sinal azul de trespassar. A manh&#227; estava cinza, chuvosa&#8230; bela. De fato, para ele, aquele era um belo dia tamb&#233;m; o pensamento de que o dia estava belo era uma afirma&#231;&#227;o para a pr&#243;pria alma, um cumprimento, pois, independentemente de como estivesse o dia l&#225; fora, para ele, estaria belo.</p><p>Conseguir se levantar da cama era tamb&#233;m de uma beleza raramente percebida. S&#243; aqueles que atravessaram o rio do infort&#250;nio conseguem apreciar o trabalho de Caronte.</p><p>Caf&#233; feito, ovos cozidos, frutas &#224; frente e jornal na m&#227;o. Era hora de come&#231;ar a bela leitura de s&#225;bado.</p><div class="pullquote"><p>"A alegria est&#225; na simplicidade. N&#227;o s&#227;o necess&#225;rias grandes coisas para ser feliz; as pequenas coisas, quando amadas, viram grandes." - Rubem Alves</p></div>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiv">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XIII]]></title><description><![CDATA[Lares, a princesa e um moinho em sua esperada leitura de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 05 Sep 2026 09:02:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!HWr0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7b161e1c-4499-4013-a8f0-875c8e9b014b_771x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As manh&#227;s tranquilas pareciam ter se tornado raras, mas aquela era uma delas. Acordara junto com o delicado sopro de vento que abafava o canto dos p&#225;ssaros ao longe e lhe afagava os cabelos pela pequena fresta aberta da janela. Como sempre, o cheiro de caf&#233; j&#225; vinha da cozinha, trazendo a lembran&#231;a abstrata mais confort&#225;vel que tinha: a lembran&#231;a de casa. Algu&#233;m fazendo caf&#233;; algu&#233;m j&#225; acordado, velando por ela.</p><p>O lar da cria&#231;&#227;o, o primordial, &#233; para onde v&#227;o os pensamentos em busca de conforto. E conforto vinha facilmente quando o lar atual lhe trazia essa paz e, naquela manh&#227;, era o que ela tinha: tudo.</p><p>A vida humana segue o caminho da fam&#237;lia: a de sangue, a de irmandade ou a de necessidade. O lar, que tanto se relaciona com uma casa, &#233;, na verdade, outra coisa. A casa pode fazer parte do lar, mas o lar &#233; a fam&#237;lia: a de sangue, a de irmandade ou a de necessidade.</p><p>O lar era aquele cheiro de caf&#233;, que era muito mais do que um cheiro. Algu&#233;m havia feito o caf&#233;. Algu&#233;m dava vida &#224;quela casa. Algu&#233;m estava l&#225; com ela. Algu&#233;m a esperava com caf&#233;.</p><p>O lar era aquilo, era algu&#233;m, mas era mais do que isso. Era algu&#233;m que trazia o conforto do lar primordial.</p><p>Ela tinha um lar. E isso era mais importante do que uma simples casa.</p><div class="pullquote"><p>&#8220;&#201; o homem mais feliz, seja ele rei ou campon&#234;s, aquele que encontra paz em seu lar.&#8221; - Goethe</p></div>
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          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xiii">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XII]]></title><description><![CDATA[Sentido da vida, frescor da manh&#227; e um passeio na floresta em sua leitura mais esperada da semana.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 29 Aug 2026 09:01:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Vldy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F27acd5ad-e59f-4f83-9cb6-e179d6e02a59_1000x794.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O frio insistente a manteve na cama. O aconchegante calor que as cobertas traziam era um convite imposs&#237;vel de n&#227;o aceitar.</p><p>O cheiro do frio &#8212; e s&#243; quem tem boas mem&#243;rias de inverno consegue sentir &#8212; era mais que suficiente para que o sono voltasse. Talvez ela dormisse um pouco mais.</p><p>Mas os pensamentos logo a impediram de dar mais um abra&#231;o em Morfeu. Pensamentos sobre a vida &#8212; e a n&#227;o vida &#8212; e sobre a morte &#8212; e a n&#227;o morte &#8212; dela e de todos os que ela amava, criavam perguntas sem resposta sobre a raz&#227;o de sermos e de estarmos aqui.</p><p>O niilista, talvez, seja somente aquele que perdeu as esperan&#231;as. Descobriu n&#227;o haver sentido algum para tudo isso e n&#227;o quis se dar ao trabalho de construir para si algo que trouxesse valor para sua exist&#234;ncia.</p><p>Os antigos diriam que &#233; o prazer. N&#227;o o prazer carnal, mas a busca pelo n&#227;o sofrimento. O sentido da vida seria n&#227;o sofrermos. Mas como?</p><p>Cada um trouxe uma ideia: buscar se contentar com pouco; buscar uma morte pr&#243;pria; perceber que ningu&#233;m conhecer&#225; a morte, pois, como afirmou Epicuro, quando n&#243;s estamos, a morte n&#227;o est&#225;, e quando a morte est&#225;, n&#243;s n&#227;o estamos.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xii">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia XI]]></title><description><![CDATA[Simbolismo, milagres e rituais na sua melhor leitura de s&#225;bado]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xi</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-xi</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 22 Aug 2026 14:40:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TV49!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F43f3d5e2-5895-4002-8362-a0de3355e176_1280x959.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ela n&#227;o sabia que dia era. O cansa&#231;o impregnado, camada sobre camada, que lhe era pintado dia ap&#243;s dia, a vendara para o tempo, e nessa manh&#227;, parecia ter acordado com a sensa&#231;&#227;o de ter dormido dias.</p><p>Demorou-se na cama. Sentia que podia e devia dormir mais. Mas n&#227;o. J&#225; passava das dez. Quem poderia se dar ao luxo de dormir tanto assim?</p><p>Um mundo a aguardava. Fam&#237;lia, filhos e at&#233; ela mesma esperavam que ela se levantasse para que mais um s&#225;bado come&#231;asse. Por que precisavam dela para o dia come&#231;ar?</p><p>Os rituais. Os humanos sempre viveram de rituais e &#233; isso que os uniu e lhes deu seguran&#231;a para seguir.</p><p>Sem um dos ingredientes de um ritual, ele n&#227;o acontece; falta algo. E a sensa&#231;&#227;o de que falta algo impede o ritual. &#201; o que acontece com o luto.</p><p>O luto &#233; a dor da falta de um ingrediente em nosso<span> ritual. Seja a morte </span><strong><span>ou</span></strong><span> um desvio na vida que culmina numa separa&#231;&#227;o rom&#226;ntica, o luto sempre estar&#225; l&#225; mostrando que est&#225; faltando um ingrediente.</span></p><p><span>Mas n&#227;o para sempre. Com o tempo, a receita muda, os ingredientes </span><strong><span>s&#227;o</span></strong><span> adaptados e, novamente, pode-se realizar o ritual. Nunca ser&#225; o mesmo, sempre ficar&#225; a lembran&#231;a dos sabores dos temperos que n&#227;o mais temos, mas, ainda assim, ser&#225; um ritual pleno, assim como tudo que nos envolve enquanto humanos.</span></p><p><span>Hora de levantar.</span></p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Paradoxo da Benevolência Cega]]></title><description><![CDATA[Como estamos destruindo nossa esp&#233;cie e colapsando o ocidente atrav&#233;s da benevol&#234;ncia]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/o-paradoxo-da-benevolencia-cega</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/o-paradoxo-da-benevolencia-cega</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Aug 2026 12:15:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bGyD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F088ddca2-bf54-44fa-a5a1-61ab0b2f6074_2700x1520.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bGyD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F088ddca2-bf54-44fa-a5a1-61ab0b2f6074_2700x1520.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bGyD!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F088ddca2-bf54-44fa-a5a1-61ab0b2f6074_2700x1520.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bGyD!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F088ddca2-bf54-44fa-a5a1-61ab0b2f6074_2700x1520.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bGyD!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F088ddca2-bf54-44fa-a5a1-61ab0b2f6074_2700x1520.jpeg 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>De parabel der blinden</em>, Pieter Bruegel, o Velho, t&#234;mpera sobre tela, 1568.</figcaption></figure></div><p></p><p><em>Aviso sobre a publica&#231;&#227;o: esse &#233; um artigo premium. Para motivar o h&#225;bito da leitura, o deixei aberto para todos, inclusive n&#227;o-assinantes, nos primeiros dois dias. Para ler todas as publica&#231;&#245;es premium anteriores e tamb&#233;m receber nosso conte&#250;do gratuito, apoiando nosso projeto, considere se tornar um assinante atrav&#233;s do campo abaixo ou fazer um upgrade para Premium.</em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.escribacafe.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p style="text-align: center;"><strong>Boa leitura.</strong></p><div><hr></div><p>O Saara, hoje o maior deserto quente do mundo (afinal, a Ant&#225;rtida &#233;, de fato, o maior deserto do planeta), j&#225; foi uma floresta cheia de vida (e, a t&#237;tulo de curiosidade, a Ant&#225;rtida tamb&#233;m).</p><p>Assim, numa hip&#243;tese fant&#225;stica, voc&#234;, leitor ou leitora destas m&#225;gicas palavras, tem o poder de, num estalar de dedos, <strong>devolver toda a vida para o Saara</strong>. As florestas e savanas que cobriam a regi&#227;o ir&#227;o ressurgir; os in&#250;meros animais que viveram ali poder&#227;o voltar e viver toda a plenitude verde daquele lugar que pulsava vida e, quem sabe, a &#193;frica teria um novo futuro para sua fauna, flora e seus habitantes?</p><p>E ent&#227;o? Voc&#234; tem esse poder. E assim eu pergunto: <strong>voc&#234; reflorestaria o Saara?</strong></p><p>Se voc&#234; respondeu &#8220;sim&#8221;, voc&#234; acaba de destruir a Amaz&#244;nia e causar uma cat&#225;strofe clim&#225;tica em cadeia pelo mundo.</p><p>A Floresta Amaz&#244;nica &#233; completamente dependente do deserto do Saara. Por ser pobre em minerais, principalmente o f&#243;sforo, ela n&#227;o se manteria sozinha. &#201; a&#237; que entra o deserto do Saara: anualmente, <strong>milh&#245;es de toneladas</strong> de poeira de l&#225; s&#227;o levadas para a Amaz&#244;nia atrav&#233;s dos ventos al&#237;sios. Essa poeira cont&#233;m diversos minerais que funcionam como um <strong>fertilizante</strong>. S&#243; de f&#243;sforo, s&#227;o <strong>22 mil toneladas</strong> por ano.</p><p>Sim, a Amaz&#244;nia &#233; mais antiga que o Saara, por&#233;m, antes ela vivia de recursos &#8220;n&#227;o renov&#225;veis&#8221; e diversas mudan&#231;as na regi&#227;o a deixaram &#224; merc&#234; dessas reservas que iriam acabar. A forma&#231;&#227;o do Saara foi a salva&#231;&#227;o.</p><p>Assim, a a&#231;&#227;o benevolente de fazer com que o deserto se torne novamente um ecossistema com uma rica fauna e flora seria condenar &#224; morte a maior floresta tropical do mundo.</p><p>Muitos j&#225; devem ter esse conhecimento pr&#233;vio sobre a import&#226;ncia do Saara para a Amaz&#244;nia e, certamente, tomaram a decis&#227;o de n&#227;o reflorestar o deserto. J&#225; aqueles que viram que teriam o poder de fazer um ato benevolente, <strong>ignorando as consequ&#234;ncias desse ato</strong>, e optaram por reflorestar o deserto, realizaram <strong><mark data-color="#f1c232" style="background-color: rgb(241, 194, 50); color: rgb(0, 0, 0);"><span data-color="#1c1d1f" style="color: rgb(28, 29, 31);">um ato de Benevol&#234;ncia Cega</span></mark></strong>.</p><p>A&#231;&#245;es bondosas que parecem estar ajudando o mundo ou a humanidade &#8212; ou at&#233; mesmo num microcosmo, como um problema familiar ou entre amigos &#8212;, quando tomadas <strong>sem uma an&#225;lise aprofundada</strong>, podem ter consequ&#234;ncias devastadoras por fazerem parte de um <strong>sistema complexo</strong>, ou seja, uma rede composta por v&#225;rios componentes, sejam eles pessoais, materiais, naturais ou at&#233; mesmo inf&#244;matos<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, que reagiriam &#224; a&#231;&#227;o benevolente inicial de forma descontrolada, <strong>causando um mal geral</strong>.</p><p>Esse tipo de a&#231;&#227;o pode ser visto diariamente em diversos n&#237;veis: motoristas no tr&#226;nsito parando o carro numa via preferencial movimentada para dar passagem para um &#250;nico outro carro no cruzamento, causando, assim, um engarrafamento na via; ou a <strong>cria&#231;&#227;o de filhos </strong>dentro de uma bolha que <strong>os</strong> blinda de toda dor, frustra&#231;&#227;o ou fracasso, o que os tornar&#225; <strong>adultos com baixa toler&#226;ncia &#224; frustra&#231;&#227;o e sem a menor aptid&#227;o para resolver conflitos</strong>.</p><p>Algumas simples a&#231;&#245;es individuais, como <strong>doa&#231;&#227;o de roupas e alimentos</strong>, podem, tamb&#233;m, <strong>destruir uma outra na&#231;&#227;o</strong> em crise. Parece absurdo, sim, mas quando <strong>se </strong>enviam carregamentos em excesso para na&#231;&#245;es que est&#227;o passando por momentos de grande necessidade, pode-se estar <strong>destruindo o que resta da economia daquele pa&#237;s</strong>. Os agricultores, ind&#250;stria t&#234;xtil e comerciantes locais perdem para a concorr&#234;ncia de &#8220;pre&#231;o zero&#8221;, <strong>perpetuando a depend&#234;ncia</strong> do pa&#237;s de ajuda externa.</p><p>Tudo em exagero faz mal, at&#233; a empatia. At&#233; &#8220;fazer o bem&#8221;, principalmente quando feito sem uma an&#225;lise das poss&#237;veis consequ&#234;ncias.</p><h3>Cr&#237;tica &#224; Benevol&#234;ncia Cega dentro de Sistemas Complexos</h3><p>O excesso de empatia humana somado &#224; ignor&#226;ncia individual e/ou &#224; imbecilidade das massas &#233; a receita que motiva as a&#231;&#245;es benevolentes impensadas ou que geram um tabu &#224; sua volta, blindando-a da an&#225;lise estrat&#233;gica e at&#233; da nega&#231;&#227;o de uma boa a&#231;&#227;o ou decis&#227;o governamental.</p><p>Enquanto isso, a demagogia, a cr&#237;tica, a atual cultura do cancelamento e o populismo pol&#237;tico transformam esse fen&#244;meno em um mecanismo sist&#234;mico.</p><p>Em suas obras <em>Al&#233;m do Bem e do Mal</em> e <em>A Genealogia da Moral</em>, Friedrich Nietzsche ataca o utilitarismo e o sentimento de piedade, o <em>Mitleid</em>. </p><p>O utilitarismo &#233;, bem resumidamente, um modelo pr&#225;tico-filos&#243;fico do brit&#226;nico Jeremy Bentham e expandido por John Stuart Mill, no qual <strong>as melhores a&#231;&#245;es s&#227;o aquelas que trazem a felicidade ao maior n&#250;mero poss&#237;vel de pessoas</strong>. Por isso Nietzsche ataca:</p><blockquote><p>"O homem n&#227;o busca a felicidade; apenas o ingl&#234;s faz isso.&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a></p></blockquote><p>A cr&#237;tica dele est&#225; na conclus&#227;o de que os utilitaristas transformaram a &#233;tica naquilo que ele chama de moral do &#8220;&#218;ltimo Homem&#8221;: um ser domesticado e cuja &#250;nica meta &#233; evitar o atrito, o desconforto e o perigo.</p><blockquote><p>"O bem-estar, tal como o compreendeis &#8212; isso n&#227;o &#233; para n&#243;s uma meta, isso nos parece um <strong>fim</strong>! Um estado que torna o homem imediatamente rid&#237;culo e desprez&#237;vel (...). Quereis, se poss&#237;vel &#8212; e n&#227;o h&#225; 'se poss&#237;vel' mais insensato &#8212;, <strong>abolir o sofrimento</strong>; e n&#243;s? Parece que preferimos t&#234;-lo ainda mais alto e pior do que jamais foi! A disciplina do sofrimento, do <strong>grande sofrimento</strong> &#8212; n&#227;o sabeis que foi apenas essa disciplina que produziu todas as eleva&#231;&#245;es do homem at&#233; hoje?"<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a></p></blockquote><p>Ele ataca a piedade (<em>Mitleid</em>) com a mesma base. Mas uma observa&#231;&#227;o: ele separa a for&#231;a geradora de generosidade da mera piedade passiva.</p><p>Ele correlaciona a compaix&#227;o moderna como uma heran&#231;a crist&#227;, a qual paralisa o &#237;mpeto vital. &#201; a &#8220;moral de escravos&#8221;. <strong>A piedade nega a vida e multiplica o sofrimento do mundo</strong>. Ter pena do outro impede que ele enfrente suas pr&#243;prias dores para superar limites e se fortalecer.</p><p>Al&#233;m disso, a mera sensa&#231;&#227;o de piedade n&#227;o cura o sofredor; ela simplesmente contamina o observador com a mesma fraqueza (<em>e estamos chegando l&#225;, na conclus&#227;o a que eu mesmo h&#225; muito tempo espalho por a&#237;, mas sigamos o pensamento de Nietzsche</em>).</p><blockquote><p>"A compaix&#227;o obstrui a lei do desenvolvimento, que &#233; a lei da sele&#231;&#227;o. Ela conserva o que est&#225; maduro para perecer, defende em favor dos deserdados e dos condenados pela vida (...). A compaix&#227;o &#233; a pr&#225;xis do niilismo. Repetindo: esse instinto depressivo e contagioso cruza aqueles instintos que visam &#224; conserva&#231;&#227;o da vida e &#224; eleva&#231;&#227;o do seu valor: ele &#233; tanto um multiplicador de mis&#233;ria quanto um conservador de tudo o que &#233; miser&#225;vel."<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a></p></blockquote><p>A piedade &#233; frequentemente uma forma disfar&#231;ada de vaidade e autoindulg&#234;ncia, na qual <strong>o compassivo se sente moralmente superior sem construir nada de nobre</strong>.</p><p>Sim, &#233; pr&#243;ximo ao que sempre chamei de &#8220;Ego&#237;smo Primordial&#8221;. Tudo, absolutamente tudo que fazemos &#233; ego&#237;sta, at&#233; mesmo a caridade e a piedade. &#201; uma forma de tentar curar em n&#243;s a dor que sentimos ao observar o sofrimento alheio. Isso talvez tenha sido a programa&#231;&#227;o que ganhamos para auxiliar na preserva&#231;&#227;o da esp&#233;cie.</p><p>Parar o sofrimento a qualquer custo, por&#233;m, &#233; o grande mal disfar&#231;ado de bem que temos carregado. A benevol&#234;ncia cega est&#225; destruindo o Ocidente: veja as grandes massas imigrat&#243;rias, a toler&#226;ncia &#8212; e at&#233; a&#231;&#245;es p&#250;blicas &#8212; de fortalecimento daquilo que devia estar sendo tratado como problema (e que, infelizmente, em alguns casos pode ser considerado &#8220;crime&#8221; e, por isso, me mantenho sem citar nomes).</p><p>&#8220;Salvar o mundo&#8221; das suas partes duras &#233; o erro tr&#225;gico da benevol&#234;ncia cega. Sem aridez, n&#227;o h&#225; motivo para florescer; sem o deserto, a floresta perde a pr&#243;pria raz&#227;o metab&#243;lica de existir.</p><blockquote><p>"O que quer que perten&#231;a ao 'eu' de uma pessoa, as suas tempestades, os seus infort&#250;nios e as suas priva&#231;&#245;es, tudo isso &#233; visto pelos homens da compaix&#227;o como um mal a ser extirpado (...). Nossa religi&#227;o &#233; a religi&#227;o da cria&#231;&#227;o: e criar significa transformar o que &#233; &#225;rido e doloroso em forma e beleza."<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a></p></blockquote><p>Mas por fim, <strong>a benevol&#234;ncia &#233; vista</strong> e &#233; isso que importa para governos que tem ovelhas atentas ao superficial e cegas ao profundo. Pastoreados que simplesmente ignoram que h&#225; uma profundeza. Uma profundeza repleta de perigos, sofrimento mas, tamb&#233;m, de supera&#231;&#227;o e fortalecimento.</p><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>Termo cunhado pelo fil&#243;sofo Byung-Chul Han no livro <em>N&#227;o-coisas</em>, para definir um objeto ou dispositivo digital inteligente e conectado, como &#8212; e principalmente &#8212; os smartphones, que medeiam nossa rela&#231;&#227;o com o mundo, transformando coisas f&#237;sicas em pura informa&#231;&#227;o.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>Presente na obra <em>Crep&#250;sculo dos &#237;dolos</em>.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p>Aforismo 225 da obra <em>Al&#233;m do Bem e do Mal</em></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p>Presente em <em>O Anticristo</em></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p>Em <em>A Gaia Ci&#234;ncia</em></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia X]]></title><description><![CDATA[Batalhas navais, o Sol e os Espartanos.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-x</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-x</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 15 Aug 2026 14:33:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-P-O!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F53585989-8142-4152-8581-62e74d3a102c_2491x2000.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A chuva havia passado. Ele abriu um dos olhos e viu, pela mesma janela de todos os dias, que o rei celeste se esgueirava pelo vidro. Era o aviso de que j&#225; tinha passado da hora e que, se ele n&#227;o levantasse da cama, muito em breve seria estapeado pelos raios quentes daquele deus de outrora.</p><p>Era o &#250;nico deus que realmente se mostrava fisicamente. Era o &#250;nico de quem at&#233; mesmo a ci&#234;ncia j&#225; provara o poder de criar vida, de nos alimentar, de nos aquecer do frio, de nos iluminar o caminho e de ter influ&#234;ncia direta em tudo o que acontece no mundo.</p><p>Assim como os outros deuses, ele tamb&#233;m tem o poder de nos castigar e nos destruir. Mas n&#227;o o faz e nunca o far&#225; deliberadamente. Um dia, ele vai simplesmente morrer e, como uma prova de que era onipresente e onipotente em nossas vidas, morreremos juntos.</p><p>Ainda assim, j&#225; n&#227;o h&#225; nenhum templo em sua homenagem. N&#227;o h&#225; ora&#231;&#245;es celebrando mais um dia, n&#227;o h&#225; preces antes das refei&#231;&#245;es agradecendo-lhe pela comida e nem mesmo um mero reconhecimento de seu poder divino. Ao contr&#225;rio, temos hippies aplaudindo quando ele se vai depois de mais um dia.</p><p>Os antigos eg&#237;pcios tinham um lugar especial para ele. Era o rei dos deuses, o criador do universo e a fonte da vida.</p><p>E ali, naquele quarto ainda com cheiro de chuva, ele n&#227;o se sentia merecedor daquele deus. N&#227;o ainda. Fez seu caf&#233;, sentou-se com o teclado &#224; sua frente e come&#231;ou a trabalhar no evangelho de todo s&#225;bado. Estava atrasado e seus companheiros esperavam aquelas palavras.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-x">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia IX]]></title><description><![CDATA[Cossacos, guerras e um seriado divertido para sua leitura predileta de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-ix</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-ix</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 08 Aug 2026 09:02:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8fiv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F39052304-9342-4cba-9098-72aaa0db6156_1920x1135.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Numa &#237;nfima prece silenciosa, a primeira gota de sereno que se formara na janela come&#231;a sua prociss&#227;o para seu pr&#243;prio fim. A manh&#227;, carrasco de toda forma noturna de solid&#227;o, resplandece em cada fresta, violando barreiras de cortinas e portas para entregar o recado a todos que ainda dormiam que ela chegara.</p><p>Para uns, aquela invas&#227;o era triste. Com a embriaguez anterior extinta, o vazio fica claro como a luz que entrava. A tristeza estaria de volta; para outros, um alegre recome&#231;o. Ap&#243;s a dissipa&#231;&#227;o da n&#233;voa, o vazio havia sido preenchido. Talvez com algu&#233;m, talvez com algo, mas, por algum motivo, n&#227;o estava mais ali.</p><p>Mas para ela, n&#227;o. Era um novo dia, sem n&#233;voas, sem embriaguez noturna, sem vazio. Em sua janela n&#227;o havia barreiras, o vidro claro convidava a manh&#227; a tir&#225;-la da cama, assim como havia feito com os p&#225;ssaros antes dela. E assim como os p&#225;ssaros, aquele era simplesmente um novo dia. As preocupa&#231;&#245;es de ontem, a irrita&#231;&#227;o, o cansa&#231;o, tudo aquilo havia partido &#8212; e sido esquecido.</p><p>Tudo o que precisava agora era o perfume do caf&#233; que desde sempre lhe trazia as mais belas lembran&#231;as subjetivas de uma vida feliz. E uma torrada com ovos, talvez. Mas primeiro, o caf&#233; e s&#243; o caf&#233;, pois esta manh&#227; estava fresca, tranquila e bonita.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-ix">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia VIII]]></title><description><![CDATA[Jornais, hist&#243;ria, Lampi&#227;o e a resili&#234;ncia de uma musa]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-viii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-viii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 01 Aug 2026 09:01:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!QjvE!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3e037e8-183f-4ff6-9f05-34c5096cc12e_2389x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Era uma manh&#227; do ano de 59 a.C. em Roma Antiga. O caf&#233; da manh&#227; &#8212; que em nada se parecia com esse nome, afinal o caf&#233; ainda era uma tecnologia que viria no futuro &#8212; fora servido. O nome dessa refei&#231;&#227;o consumida logo ap&#243;s o despertar era <em>ientaculum</em>. E l&#225; estava, na mesa do romano m&#233;dio, p&#227;o seco com azeite, figos secos, alho, mingau de cereais e qualquer outra sobra da noite anterior. Para beber, vinho misturado com &#225;gua (n&#227;o se tomava vinho puro logo cedo). Os mais abastados ainda tinham ovos, leite, queijo e mel, e o p&#227;o e as frutas deles eram frescos.</p><p>Ap&#243;s a refei&#231;&#227;o, era hora de acompanhar as not&#237;cias. E l&#225; ia o romano m&#233;dio para a frente do f&#243;rum onde, diariamente, se pregavam placas contendo as not&#237;cias do governo, acontecimentos civis (como casamentos, nascimentos e mortes de not&#225;veis), esc&#226;ndalos no governo, relatos de batalhas, execu&#231;&#245;es e, claro, um pouco de fofoca.</p><p>Aquele era o <em>Acta Diurna</em>, o primeiro &#8220;jornal&#8221; da hist&#243;ria. Foi idealizado por J&#250;lio C&#233;sar e, desde ent&#227;o, se desenvolveu at&#233; chegar ao <em>Acta Saturnalia</em>, seu boletim de todo s&#225;bado.</p><p>Assim, explicado de onde veio o nome do texto mais esperado da semana, sigamos.</p><p><strong>I.</strong></p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-viii">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A escravidão da ideologia]]></title><description><![CDATA[Uma vis&#227;o sobre as consequ&#234;ncias da escravid&#227;o e como hoje tentam us&#225;-la como antes: para obter poder pol&#237;tico.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/a-escravidao-da-ideologia</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/a-escravidao-da-ideologia</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 14:56:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8pGw!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5a70b51-00c2-4004-914a-78c81d5baff8_4674x6265.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A escravid&#227;o n&#227;o &#233; negra.</p><p>A que esteve mais pr&#243;xima de n&#243;s, geogr&#225;fica e temporalmente, foi a dos escravos africanos, que eram vendidos por tribos africanas inimigas para os europeus para serem importados para as Am&#233;ricas e isso &#8212; mas n&#227;o s&#243; isso, &#233; importante destacar &#8212; explica parte do racismo e das diferen&#231;as socioecon&#244;micas nos dias de hoje no Novo Mundo.</p><p>Antes de serem importadas como meros produtos da &#193;frica, as pessoas j&#225; eram escravizadas por l&#225;. Negros escravizavam negros. Antes disso, negros escravizavam brancos l&#225; pelo norte &#8212; houve, inclusive, um grande mercado de <strong>escravas sexuais brancas.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8pGw!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5a70b51-00c2-4004-914a-78c81d5baff8_4674x6265.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8pGw!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd5a70b51-00c2-4004-914a-78c81d5baff8_4674x6265.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Le March&#233; d&#8217;esclaves (mercado de escravos), &#243;leo sobre tela de Jean-L&#233;on G&#233;r&#244;me, 1866.</figcaption></figure></div><p>Brancos escravizaram brancos, &#225;rabes escravizaram crist&#227;os e, na Idade M&#233;dia, foram tantos os eslavos escravizados que deram nome &#224; palavra que usamos hoje: &#8220;<strong>escravo</strong>&#8221; vem de &#8220;<em>esclavus</em>&#8221;, que se referia a esse povo.</p><p>Mas a escravid&#227;o j&#225; acompanha a humanidade desde muito antes. Estima-se que, no Imp&#233;rio Romano, <strong>30% da popula&#231;&#227;o de Roma era escravizada</strong>.</p><p>Durante toda a hist&#243;ria, a escravid&#227;o acompanhou o ser humano, n&#227;o diferenciando etnia, cren&#231;a ou origem. Normalmente, os escravos eram pessoas que n&#227;o pagaram d&#237;vidas, capturadas em derrotas de guerras ou at&#233; mesmo ca&#231;adas por seus iguais, como na hist&#243;ria mais recente.</p><p>Alguns sistemas maltratavam os escravos, outros os assimilavam como acess&#243;rios ou <em>pets</em>, objetos sexuais ou artigos valiosos. No entanto, com o desenvolvimento das sociedades e a necessidade crescente de m&#227;o de obra, a cultura escravagista tamb&#233;m se desenvolveu como oportunidade de neg&#243;cio at&#233; chegar ali por volta do s&#233;culo XVI, em que o com&#233;rcio de escravos entre os pr&#243;prios africanos se deparou com os europeus, que se interessaram pelo &#8220;produto&#8221;.</p><p>Assim, a onda de captura de membros de tribos inimigas foi grande para suprir a lucrativa demanda das Am&#233;ricas.</p><p>Chegando &#224;s Am&#233;ricas, o que se viu foi uma desumaniza&#231;&#227;o dos escravos para poderem ser tratados puramente como produtos. E o com&#233;rcio era t&#227;o lucrativo que <strong>at&#233; mesmo os escravos libertos almejavam ter seus pr&#243;prios escravos</strong> como forma de prosperidade. E alguns foram muito bem-sucedidos nisso, como a famosa <strong>Chica da Silva</strong>.</p><p>Zumbi, o famoso &#8220;her&#243;i&#8221; dos escravos libertos, tinha escravos. De uma forma velada, claro, mas os tinha (pergunte aos que tentaram sair de seus quilombos).</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.escribacafe.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Uma pequena pausa na leitura para te convidar a receber nosso conte&#250;do. O Escriba Cafe &#233; uma publica&#231;&#227;o que tenta trazer o debate hist&#243;rico e filos&#243;fico sem filtros ideol&#243;gicos e vive de seus leitores e ouvintes. Assine gratuitamente para receber o conte&#250;do gratuito (mas considere tamb&#233;m se tornar premium)</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p>Historicamente, a escravid&#227;o n&#227;o foi negra. A bem da verdade, a escravid&#227;o, na humanidade, sempre foi o neg&#243;cio menos racista de todos: visava, unicamente, ao lucro. No entanto, o estigma mais moderno, pelo com&#233;rcio macabro, caiu sobre os negros.</p><p>Em algumas regi&#245;es da Eur&#225;sia e da &#193;frica, sentem-se at&#233; hoje os reflexos de terem tido boa parte de sua popula&#231;&#227;o escravizada e estigmatizada como tal. E nas Am&#233;ricas isso foi not&#225;vel.</p><p>Com o fim da escravid&#227;o, os negros libertos passaram por fases de adapta&#231;&#227;o sem nenhum programa ou planejamento, o que os levou a ficar do outro lado do abismo. Alguns prosperaram, claro, mas a maioria n&#227;o tinha para onde ir. Assim, seus descendentes acabaram por sofrer com o preconceito e a falta de oportunidades.</p><p>No entanto, essa n&#227;o &#233; s&#243; a hist&#243;ria dos descendentes de escravos. Do outro lado do abismo, hoje temos diversas etnias vindas de regi&#245;es falidas que ca&#237;ram no po&#231;o de uma na&#231;&#227;o que nunca tenta sanar o problema, mas somente tratar porcamente de forma paliativa.</p><p>&#201; o caso das cotas. Apesar de algumas pesquisas mostrarem algum sucesso entre os cotistas, esse programa ignora aqueles que se encontram do mesmo lado do abismo, mas com uma cor de pele n&#227;o adequada ao &#8220;benef&#237;cio reparat&#243;rio&#8221;. N&#227;o seria esse o conceito de racismo? Sim ou n&#227;o, &#233; um motor que gera mais racismo.</p><p>A partir do momento em que aqueles antigos estigmatizados come&#231;am a ser assimilados pela sociedade, o estigma &#8212; leia-se o racismo &#8212; vagarosamente tende a diminuir. &#201; &#243;bvio que o c&#237;rculo vicioso da pobreza com o crime acaba por dificultar isso, mas a tend&#234;ncia &#233; diminuir naturalmente e com a parcim&#244;nia das leis.</p><p>Quando o governo, de forma ideol&#243;gica e oportunista, come&#231;a a agrupar minorias e dar-lhes benef&#237;cios que outros grupos n&#227;o t&#234;m por causa da cor da pele ou orienta&#231;&#227;o sexual, temos exatamente aquilo que ele diz combater: racismo e preconceito.</p><p>A&#231;&#245;es e planos de reintegra&#231;&#227;o de pessoas em situa&#231;&#227;o desvantajosa devem ser universais e n&#227;o discriminat&#243;rios. A&#231;&#245;es assistenciais devem ser um meio, e n&#227;o um fim.</p><p>Mas hoje tudo &#233; tabu. Tudo &#233; pol&#237;tica, demagogia e populismo. Protegeram de forma ideol&#243;gica e tir&#226;nica certos assuntos para que esse tipo de solu&#231;&#227;o n&#227;o seja adaptada. Aquilo que estava naturalmente &#8212; mas muito vagarosamente, sim &#8212; sendo tratado, como o racismo e o preconceito, acabou por ser refor&#231;ado numa sociedade que foi separada em grupos antag&#244;nicos.</p><p>Qualquer pessoa com dois neur&#244;nios entende que essa receita &#233; perfeita para um governo se manter livre da vigil&#226;ncia do povo.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia VII]]></title><description><![CDATA[Vida a dois, Imp&#233;rio Alem&#227;o e Ulisses em sua leitura de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vii</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vii</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 25 Jul 2026 16:43:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!rXAK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F59b4e963-09a1-4e48-b433-df0bf8fbeee3_1080x864.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>L&#225; fora parecia estar frio. N&#227;o muito, mas na medida certa para que a manh&#227; se prolongasse como um grande len&#231;ol sobre as colinas.</p><p>Ela olha distra&#237;da pela janela em seus pensamentos que nunca eram desvendados. Que mundo acontecia ali? Por onde ela viajava, que caminhos percorria e maravilhas criava em sua nau et&#233;rea?</p><p>Os ovos que ela acabara de colocar na panela estalaram. O cheiro de caf&#233; tomava conta da cozinha e as torradas traziam as notas maltadas que harmonizavam com os gr&#227;os que viajaram por muitas e muitas l&#233;guas at&#233; bailarem com as borbulhas da &#225;gua que tamb&#233;m percorrera um longo caminho em busca do mar. O caf&#233; foi s&#243; uma breve interrup&#231;&#227;o. Muito em breve a viagem continuar&#225;, mas n&#227;o do mesmo ponto - e talvez nem a mesma viagem, afinal, dizem que nunca se pisa duas vezes no mesmo rio. Ou melhor, "<em>Nenhum homem pode banhar-se no mesmo rio duas vezes, pois nem o rio &#233; o mesmo, nem o homem &#233; o mesmo</em>."</p><p>Quem disse isso foi o pr&#233;-socr&#225;tico Her&#225;clito de &#201;feso, que j&#225; havia percebido a fluidez constante do tempo e do homem h&#225; mais de 2500 anos.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vii">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia VI]]></title><description><![CDATA[Um mundo &#224; parte, revolu&#231;&#245;es e os hier&#243;glifos na sua leitura matinal de s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vi</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vi</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 13:57:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0slD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc566179b-35ae-4177-98b9-66b88322eb01_886x685.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O cheiro do caf&#233;, o frio do inverno, o escuro das cortinas fechadas para n&#227;o acordar quem ainda dorme, enquanto as palavras deslizam como as gotas do orvalho nas flores dos l&#237;rios no raiar do dia.</p><p>Ao contr&#225;rio das cortinas, o caderno est&#225; plenamente aberto e os riscos acompanham uma sinfonia de Pachelbel e, logo depois, de Edvard Grieg<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>.</p><p>Assim como ensinado silenciosamente e aprendido involuntariamente, o ritual m&#225;gico, ent&#227;o, foi cumprido e, de repente, ele est&#225; isolado. O mundo se resume somente naquilo que surgia em seu caderno. A conex&#227;o com a sublime realidade subjetiva de sua alma estava feita e o mundo aqui fora, o tal que chamam de <em>real</em>, deixava de ser <em>real</em>. Real era agora o que ele estava vivendo. Ele. Ningu&#233;m mais. Era senhor de seu mundo, deus e criador do c&#233;u e da terra.</p><p>E a terra tem campos verdes e o frescor de uma manh&#227; perfumada que entrava pela janela de madeira &#8212; essa, de cortinas abertas &#8212; em que se viam as montanhas ao longe.</p><p>A chama da vida estava acesa. A sombra da morte, encantada pelo mundo, dan&#231;ava entre l&#237;rios, esquecendo-se de sua colheita.</p><p>Tudo estava em paz. Por um breve momento, tudo estava.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-vi">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia V]]></title><description><![CDATA[Sua leitura matinal, artesanal e agrad&#225;vel de todo s&#225;bado.]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-v</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-v</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 11 Jul 2026 09:03:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ktek!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5e59ae6e-96d2-403d-a74e-4014194840f1_951x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A janela, sempre, pela manh&#227;, a janela: a vista para o mundo na seguran&#231;a de nossa toca. A porta de sa&#237;da e nunca de entrada. E l&#225; est&#225; ela nessa manh&#227;. Nunca igual, sempre com um detalhe ou completamente diferente. A pintura fluida, a complexa obra de arte que podemos ver somente por um breve, quase infinitamente curto, momento para j&#225; se tornar um qua&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-v">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Acta Saturnalia IV]]></title><description><![CDATA[Sua agrad&#225;vel e enriquecedora leitura matinal]]></description><link>https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-iv</link><guid isPermaLink="false">https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-iv</guid><dc:creator><![CDATA[Christian Gurtner]]></dc:creator><pubDate>Sat, 04 Jul 2026 13:13:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ChOF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91fbbd69-a3f9-4b98-a8f4-c0924bfc8455_2517x3226.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O sil&#234;ncio era acolhedor. Mas n&#227;o era exatamente um sil&#234;ncio. Havia, inundando seu corpo, definitivamente um som. Era o som do sil&#234;ncio, aquele que se ouve quando nenhum outro som ou barulho acontece. O som dos &#225;tomos. Ou o som da energia el&#233;trica do c&#233;rebro. O som sem som.</p><p>Fogo ligado e um novo som. A chaleira &#233; colocada sobre o fogo e esquenta um pouco a fria cozinha. A luz da manh&#227; que entrava pela janela, por mais clara que fosse, n&#227;o conseguia iluminar a cozinha ao ponto de destacar algumas cores. Era uma luz escura, uma luz sem luz. O dia cinzento. Aquela primeira hora de luz do dia sempre era mais um ensaio do sol do que ele realizando seu trabalho. Mas hoje, talvez, as cortinas nem se abririam para seu espet&#225;culo.</p><p><em>O apito da chaleira. A &#225;gua quente. O cheiro de caf&#233;.</em></p><p>Senta-se &#224; mesa e abre seu aparelho eletr&#244;nico para ler&#8230; onde est&#225;? Onde est&#225; o Acta Saturnalia? Levou o caf&#233; &#224; boca mas, sentindo que ainda faltava caf&#233;&#8230;</p><p>&#8230;o Escriba Cafe.</p>
      <p>
          <a href="https://www.escribacafe.com/p/acta-saturnalia-iv">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item></channel></rss>