
Conhecemos as sete maravilhas do mundo antigo não por causa das talentosas e geniais pessoas que as criaram, mas por causa de uma pessoa que as catalogou e listou (conheça a história no episódio “As Sete Maravilhas”, do podcast Escriba Cafe).
Desde tempos remotos, a curadoria foi uma importante ferramenta para o acesso dos “consumidores” ao que é bom, interessante e credível. Isso porque é impossível termos conhecimento de tudo o que é produzido, escrito ou falado neste mundo. E se na antiguidade já era impossível, hoje, então, é inimaginável — e com um fator de dificuldade a mais: a facilidade de publicação e consumo e a quantidade de lixo.
O podcast Escriba Cafe ainda une os dois mundos: a curadoria e a produção. Eu seleciono os temas para virar episódios e produzo os episódios.
Mas e quem só indica conteúdo? A curadoria exige confiança. Por mais imbecil que sejam o curador e o consumidor, eles, ainda assim, precisam criar um laço de confiança: o consumidor confia que o curador vai entregar o conteúdo imbecil na relação entre os dois, assim como você confia que o podcast Escriba Cafe vai entregar um conteúdo de qualidade para você.
No mundo que avança para o raro conteúdo humano, onde cada vez menos a criação de conteúdo é artesanal e cada vez mais conteúdo é disponibilizado, o curador se tornará uma parte essencial nesse mundo de garimpo intelectual: as pessoas não buscarão mais o conteúdo diretamente; elas buscarão quem faz o garimpo desse conteúdo para se livrar do lixo e entregar o ouro.
Os infames “influenciadores” de hoje são basicamente isso: uma espécie de curadores que dizem aos seus “seguidores” o que consumir ou fazer, ou seja, influenciam.
A situação está tão absurda hoje que, analisando pelo lado dos influenciadores, temos até mesmo curadores de curadores, ou seja, aqueles que dizem quem seguir e quem evitar.
Mas, saindo desse mundo falso e imbecilizado dos influenciadores, a curadoria irá se tornar crucial num futuro próximo. O curador precisa ter conhecimento, discernimento, bom senso e metodologia para que consiga filtrar o falso, o ruim, o errado e o mal — por mais subjetivas que sejam essas características, afinal, a relação do curador é com seu público.
E quem vai criar o conteúdo?


