Acta Saturnalia IX
Cossacos, guerras e um seriado divertido para sua leitura predileta de sábado.
Numa ínfima prece silenciosa, a primeira gota de sereno que se formara na janela começa sua procissão para seu próprio fim. A manhã, carrasco de toda forma noturna de solidão, resplandece em cada fresta, violando barreiras de cortinas e portas para entregar o recado a todos que ainda dormiam que ela chegara.
Para uns, aquela invasão era triste. Com a embriaguez anterior extinta, o vazio fica claro como a luz que entrava. A tristeza estaria de volta; para outros, um alegre recomeço. Após a dissipação da névoa, o vazio havia sido preenchido. Talvez com alguém, talvez com algo, mas, por algum motivo, não estava mais ali.
Mas para ela, não. Era um novo dia, sem névoas, sem embriaguez noturna, sem vazio. Em sua janela não havia barreiras, o vidro claro convidava a manhã a tirá-la da cama, assim como havia feito com os pássaros antes dela. E assim como os pássaros, aquele era simplesmente um novo dia. As preocupações de ontem, a irritação, o cansaço, tudo aquilo havia partido — e sido esquecido.
Tudo o que precisava agora era o perfume do café que desde sempre lhe trazia as mais belas lembranças subjetivas de uma vida feliz. E uma torrada com ovos, talvez. Mas primeiro, o café e só o café, pois esta manhã estava fresca, tranquila e bonita.
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