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Acta Saturnalia VI

Um mundo à parte, revoluções e os hieróglifos na sua leitura matinal de sábado.

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Christian Gurtner
jul 18, 2026
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O cheiro do café, o frio do inverno, o escuro das cortinas fechadas para não acordar quem ainda dorme, enquanto as palavras deslizam como as gotas do orvalho nas flores dos lírios no raiar do dia.

Ao contrário das cortinas, o caderno está plenamente aberto e os riscos acompanham uma sinfonia de Pachelbel e, logo depois, de Edvard Grieg1.

Assim como ensinado silenciosamente e aprendido involuntariamente, o ritual mágico, então, foi cumprido e, de repente, ele está isolado. O mundo se resume somente naquilo que surgia em seu caderno. A conexão com a sublime realidade subjetiva de sua alma estava feita e o mundo aqui fora, o tal que chamam de real, deixava de ser real. Real era agora o que ele estava vivendo. Ele. Ninguém mais. Era senhor de seu mundo, deus e criador do céu e da terra.

E a terra tem campos verdes e o frescor de uma manhã perfumada que entrava pela janela de madeira — essa, de cortinas abertas — em que se viam as montanhas ao longe.

A chama da vida estava acesa. A sombra da morte, encantada pelo mundo, dançava entre lírios, esquecendo-se de sua colheita.

Tudo estava em paz. Por um breve momento, tudo estava.

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