O frio insistente a manteve na cama. O aconchegante calor que as cobertas traziam era um convite impossível de não aceitar.
O cheiro do frio — e só quem tem boas memórias de inverno consegue sentir — era mais que suficiente para que o sono voltasse. Talvez ela dormisse um pouco mais.
Mas os pensamentos logo a impediram de dar mais um abraço em Morfeu. Pensamentos sobre a vida — e a não vida — e sobre a morte — e a não morte — dela e de todos os que ela amava, criavam perguntas sem resposta sobre a razão de sermos e de estarmos aqui.
O niilista, talvez, seja somente aquele que perdeu as esperanças. Descobriu não haver sentido algum para tudo isso e não quis se dar ao trabalho de construir para si algo que trouxesse valor para sua existência.
Os antigos diriam que é o prazer. Não o prazer carnal, mas a busca pelo não sofrimento. O sentido da vida seria não sofrermos. Mas como?
Cada um trouxe uma ideia: buscar se contentar com pouco; buscar uma morte própria; perceber que ninguém conhecerá a morte, pois, como afirmou Epicuro, quando nós estamos, a morte não está, e quando a morte está, nós não estamos.


