Um calmo canto de pássaro a acordou bem cedo. Era um canto suave, longo, belo. Aquilo a relaxou mais do que o sono. Mas já era hora de se levantar. Permitiu-se espreguiçar demoradamente.
O mundo parecia se calar no sábado de manhã. As almas cansadas, os jovens perdidos e os festeiros dormiriam até tarde. Os velhos, jovens ou não, já de pé, aproveitavam a paz unindo-se a ela.
Era um momento de introspecção, de encontrar-se. De colocar os pensamentos no lugar naquele instante no qual a sua própria companhia parecia estar também num calmo existir. Sentaria com ela à mesa e, enquanto tomassem café, iria, gentil e suavemente, conversar sobre seus mais profundos pensamentos. Tudo naquele agradável momento em que o mundo era só ela.
Era uma paz que duraria pouco. Mas, ainda assim, era o melhor momento para se levantar, fazer um café e ler o Acta Saturnalia.
A manhã é a juventude do dia. Tudo é alegre, fresco e fácil. - Arthur Schopenhauer


