Ela olhou com suavidade para a pequena pluma que entrara pela janela naquela manhã. Pairou e flutuou até pousar no vestido dela.
Ela preparava o chá enquanto os pães no forno cheiravam a casa e atraíam os melhores espíritos.
O marido já se encontrava no campo; ela via, pela mesma janela, ele ao longe, roçando o pequeno campo da família. “Família”, pensou. Talvez um dia, mas por enquanto eram ela e ele, construindo um pequeno reino, livre de riquezas e ambições que não a paz e a beleza de simplesmente ser e estar.
Em breve ele voltaria para casa, provavelmente atraído pelo cheiro de pão. Mas não era o cheiro em si, mas o que significava. O pão preparado pela mesma mão que não há muito ele recebera em grande alegria; o ritual de se limpar, ser recebido com um sorriso e sorrir de volta, sabendo que ambos realizavam afazeres por vezes cansativos, mas que faziam cada momento valer a pena, e o sorriso silencioso de cada um nada mais era do que um sincero “obrigado”.
Ali estavam eles e a vida que estavam criando, o pequeno château pintado de amor e decorado de carinho. O mundo já não importava.
“O amor não consiste em olhar um para o outro, mas em olhar juntos na mesma direção.” - Antoine de Saint-Exupéry


