Sentada no parapeito da janela, ela observava a vida da vila em sua gênese. O frio dia cinza lhe tocara o rosto e as pernas descobertas para então seguir com seus cordiais cumprimentos àqueles que lhes davam a graça como Reis Magos.
A xícara de café que segurava exalava o vapor que se confundia com a névoa que cobria a cidade.
“Veja a imponência daquela araucária”, apontara.
Era uma árvore bela, alta e solitária. Quanto mais alto um ser se eleva, mais só ele fica. Talvez seja por isso que muitos escolhem a mediocridade.
As alturas tornaram-se lugar de poucos. Há poucas araucárias entre as pessoas. Talvez haja mais, porém estão altas e o homem perdeu o costume de olhar para cima.
Ela olhava para cima. Sempre olha. Seus pensamentos eram complexos e belos. Muitas vezes eram atropelados pela vulgaridade do senso comum. Mas sua alma resiste silenciosamente através de um inexplicável incômodo, o que acabará por quebrar correntes sociais, se livrará da patacoada mediana e se tornará a mais bela araucária.
Ela tomou o restante do café na xícara e voltou-se para seu tablet; chegara em seu e-mail a sua leitura de sábado.
”A grande superioridade intelectual isola o indivíduo dos demais de maneira mais radical do que qualquer outra condição.”
— Arthur Schopenhauer
I.
Vamos para as notícias da semana.


